Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Sobre a nova Ministra da Educação

Pessoalmente, estou-me nas tintas para o passado de Isabel Alçada. Até podia ter sido Prémio Nobel da Literatura ou inventora da roda. Os factos, contudo, estão bem à vista:
 
1. José Sócrates é um homem que não tem pudor nem escrúpulos quanto se mete a aldrabar o país, esgrimindo argumentos da treta como se fossem verdades intocáveis e inventando soluções milagrosas para problemas que não existem. Na Educação, que é a área que eu domino, as suas políticas foram baseadas na aldrabice, como se o Salvador tivesse descido do Céu à Terra, contribuindo para um ainda maior afundamento do país e ganhando os aplausos de um povo bruto e ignorante.
 
2. Isabel Alçada apoiou e apoia José Sócrates e, por arrastamento ou por convicção, as suas políticas para a Educação. Ou seja, é uma mulher que alinha com aldrabices: com o sistemático sacudir das culpas para cima dos professores, com as estratégias para forçar estatísticas favoráveis, com a divisão de uma carreira por critérios administrativos e óbvios objectivos economicistas, com a implementação e propaganda de medidas que são autênticos disparates, e por aí fora.
 
3. Andar pelas escolas, não é o mesmo que conhecer bem a realidade das escolas. Na Educação, faz falta quem saiba exactamente porque é que os nossos alunos têm insucesso! Que factores influenciam esse insucesso: os pais, o ambiente familiar, o ambiente na sala de aula, etc. O que se passa exactamente dentro das salas de aula das nossas escolas! É preciso conhecer mesmo muito bem a realidade das escolas para poder ousar fazer algo pela Educação no nosso país. Escrever histórias de aventuras e andar pelas escolas não basta. Apoiar José Sócrates é, por outro lado, o sinal claro de que não serve!
publicado por pedro-na-escola às 21:45
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Os ouvintes

 
“Mais do que ouvir a Ministra, os Professores ouvem os seus representantes, os Sindicatos e agem com a raiva que estes lhes transmitem. Mais do que ouvir os Professores, no terreno, nas aulas, nas Escolas, a Ministra tem ouvido sobretudo os Sindicatos.” - Vera Santana, in http://simplex.blogs.sapo.pt/
 
Esta senhora, Vera Santana, que escreve num blog de gente pró-PS, escreve de acordo com a entoação dos cânticos da linha Sócrates. Ainda houve tempos em que eu pensava que Sócrates era um homem sério e honesto, apesar dos tiques, mas isso já lá vai.
 
Então, para a Vera, aqui vai:
 
1. Depois de ouvirem as primeiras mensagens da senhora Ministra, os professores nunca mais a levaram a sério. Ela fala, fala, fala, mas os professores não lhe ligam. É uma mulher que, por despacho dominical, e depois de umas sessões de capoeira, alterou uma lei e fez de conta que estava apenas esclarecer os milhares de professores que não teriam percebido a lei. Alguém, no seu perfeito juízo, leva esta mulher a sério? Claro que não!
 
2. Os professores, a bem dizer, nunca foram de ouvir piamente os seus sindicatos. Com o devido respeito pelos sindicatos, indispensáveis ao saudável funcionamento da sociedade, à Ministra correu mal a vida porque os professores começaram a ouvir-se uns aos outros. Foi assim que se juntou aquele impressionante mar de gente numa manifestação em Lisboa, o tal mar que a comunicação social, por artes mágicas, quase que fez de conta que não existiu.
 
3. Quanto à raiva, tenho a dizer-lhe que a minha própria mãezinha, professora aposentada e muito orgulhosa da sua profissão e do que fez pela pátria durante várias décadas, a ensinar as criancinhas a ler, escrever e fazer contas, sentiu no coração a ferroada das primeiras mensagens da senhora Ministra, em jeito de facada nas costas. A raiva da minha mãezinha, aposentada como milhares de outros, nasceu da boca da senhora Ministra e não dos sindicatos que o PS tanto odeia.
 
4. Para que saiba, a senhora Ministra, como é habitual nos ministros desta pasta, não ouve quem está no terreno e nas aulas! Entre a Ministra e o terreno e as aulas, há um impressionante mundo de gente que vive numa dimensão paralela, imaginando o terreno e as aulas, inventando soluções para problemas que não existem e agravando os que de facto existem.
 
5. Que sentido faz aludir a uma pretensa qualidade de boa ouvinte dos sindicatos, quando a linha Sócrates se baseia numa imagem pública de determinação cega? Quando se está cegamente determinado, não se ouve ninguém!
publicado por pedro-na-escola às 09:41
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

A mulher das dificuldades de comunicação

 

«Tivemos muitas vezes um clima em que toda e qualquer medida ou anúncio era sempre tomado como ataque à condição dos professores ou como negativo para o sistema educativo. Há dificuldades de comunicação, entendimento e de percepção das medidas, e isso não é um problema exclusivamente dos sindicatos» - palavras da Ministra da Educação, captadas por jornalistas da TSF na Escola Secundária de Albufeira, a 02/09/2009.
 
Uma medida tomada como um “ataque à condição dos professores”? Nada disso! Muitas medidas foram, de facto, um ataque ao bom senso de qualquer profissional.
 
Inventar uma ideia de avaliação em que há profissionais que têm uma determinada pontuação pelo seu desempenho, mas que depois recebem uma menção (que é o que conta e não a pontuação) inferior, só porque há aquela aberração das quotas, é um ataque ao bom senso dos professores e à sua condição profissional.
 
Distribuir, quase que gratuitamente, a condição de avaliador a profissionais que não foram, eles próprios, avaliados, correndo-se o sério risco – em vários casos, confirmou-se mesmo – de o avaliado ser um bom profissional que é sujeito à avaliação de um mau profissional, é um ataque ao bom senso dos professores e à sua condição profissional.
 
Dividir os professores em duas pseudo-carreiras, promovendo à “mais alta” os professores mais idosos, por puro procedimento administrativo, anunciando aos quatro ventos que estava a ser criado um “corpo qualificado de docentes”, é um ataque ao bom senso dos professores e à sua condição profissional.
 
Um anúncio tomado como “negativo para o sistema educativo”? Nada disso! Foram anunciadas medidas realmente negativas para o sistema educativo.
 
Convencer a regressar às escolas centenas de vândalos, com o único propósito de fazer um brilharete estatístico ao nível do abandono escolar, é mesmo uma medida negativa para o sistema educativo.
 
Remodelar um Estatuto do Aluno em função do supremo interesse estatístico, abolindo, disfarçadamente, as faltas de qualquer espécie, é mesmo uma medida negativa para o sistema educativo.
 
Meter no mesmo saco alunos que se estão nas tintas para a escola (eles e os pais) e alunos com dificuldades de aprendizagem, insinuando ao povo que o remédio santo para todos eles é o plano de recuperação ou acompanhamento, é mesmo uma medida negativa para o sistema educativo.
 
Obrigar as escolas a alimentar as “aulas de substituição”, fazendo crer que, com isso, há um benefício estrondoso, quando, na verdade, contribui para o aumento de situações de indisciplina e falta de “válvulas de escape” para os alunos, é mesmo uma medida negativa para o sistema educativo.
 
Oferecer gratuitamente, ou quase, computadores a milhares de alunos, que, assim, receberam do Estado um brinquedo caro com que gastam todo o tempo e mais algum, incluindo o que deviam dedicar ao estudo, é mesmo uma medida negativa para o sistema educativo.
 
E por aí fora.
 
Coisa que não houve, de certeza absoluta, foi dificuldades de comunicação! Os professores entenderam as medidas na perfeição e percepcionaram o alcance de cada uma e os seus obscuros objectivos.
 
Quanto aos sindicatos, o grande problema com o Governo Sócrates foi, precisamente, os sindicatos terem sido ultrapassados pelos próprios professores.  
publicado por pedro-na-escola às 21:38
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Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

A paz com os professores

Mais uma tirada célebre de Maria de Lurdes Rodrigues: "Estão a comprar a paz com os professores por um preço que o país não pode pagar" (in http://economico.sapo.pt/).
 
Há, aqui, um assumir descarado de que foi pela sua mão que um Governo declarou, propositadamente, guerra aos professores. Aliás, essa foi a estratégia principal. Como se a classe dos professores fosse uma escumalha de inúteis e indesejáveis, alapados ao Estado pelos incómodos vínculos de quadro, a quem urge combater e espezinhar sem dó para salvar a pátria. A mesma escumalha que, vivendo de ideologias retrógradas, acredita que o conhecimento e a cultura são aspectos importantes e fundamentais para a formação dos futuros homens e mulheres desta nação – em perfeita rota de colisão com a Ideologia Sócrates, segundo a qual o importante mesmo é ter uma certificação ou qualificação, mesmo que gratuitamente e sem esforço, a bem de uma estatística que não incomode tanto.
 
Maria de Lurdes Rodrigues é, portanto, a favor da manutenção desta guerra. Como se ninguém conseguisse fazer melhor que ela! Como se a guerra com os professores fosse mais importante que tudo o resto! 
 
Há gente assim. Doente!
publicado por pedro-na-escola às 23:34
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Os Jaguares e os 12 anos na escola

Só me apetece suspirar. Está bem que esta ideia genial fazia parte do programa de governação do Sócrates e que o povo votou maioritariamente nele. Mas…

 
A alusão que a senhora ministra fez à produção de Jaguares, apesar de criticada e apesar de aparentemente soar a patetice crónica, pareceu-me extremamente feliz.
 
Feliz, porque assim ficamos todos a saber que a senhora ministra pensa que a escola portuguesa é como uma fábrica de Jaguares. Ou seja, a senhora ministra, tal como as pessoas que a aconselham, vive na Lua.
 
Mas, vamos fazer de conta que a escola portuguesa é uma fábrica da Jaguar!
 
A escola portuguesa fabrica veículos, portanto. Da misteriosa marca Jaguar. Em alguns cantos da fábrica, onde há matéria-prima capaz e alguma paz e sossego, fazem-se carros bem jeitosos, alguns verdadeiros Jaguares certamente. Noutros cantos da fábrica, onde a matéria-prima mais parece o refugo de algum sucateiro, os operários lá fazem umas trotinetes e uns carrinhos-de-rolamentos, todos convenientemente rotulados com a marca do felino. Há zonas da fábrica expostas ao frio, ao vento e à chuva. Há operários de quem se espera que construam um Jaguar de luxo com uma caixa de ovos vazia e um chinelo. Há cantos da fábrica que são o refúgio de delinquentes e toxicodependentes, que não são expulsos porque não fica bem à administração da fábrica, preocupadíssima com questões sociais. Aqui e acolá, de vez em quando, com um pouco de sorte e engenho dos operários, consegue-se transformar um bocado de sucata num veículo pronto para a estrada. Mas, só de vez em quando.
 
Ora, um rasgo de genialidade barata ditou que esta milagrosa fábrica deverá aumentar a produção em 30000 unidades. Os génios acham que os operários são suficientes e que a fábrica continuará a produzir Jaguares sem que esse aumento acarrete qualquer problema. Aliás esses mesmos génios estão convencidos que todos os veículos produzidos são umas grandes “bombas”, de luxo. A realidade: mais sucata a encher as prateleiras, atrapalhando a produtividade e a qualidade do trabalho. Um chamariz para mais delinquentes, que mais facilmente se disfarçam no meio da bagunça. Aos poucos, e a menos que se vedem zonas da fábrica, a bagunça tenderá a generalizar-se. Às tantas, quase não haverá espaço para construir um bom bólide, por causa da sucata empilhada por todo o lado e das incursões dos delinquentes que vegetam por ali. E sossego, menos ainda. Contudo, e porque o povo é lerdo, os veículos continuarão a ser produzidos, nem que sejam apenas carrinhos-de-rolamentos, nem que saiam da fábrica já com os motores gripados, mas todos devidamente rotulados com o Jaguar.

Aliás… o que interessa mesmo é o rótulo: Jaguar. Para a fotografia. Porque o desempenho é completamente irrelevante.
publicado por pedro-na-escola às 18:19
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Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Trapalhões

Trapalhadas que estragam tudo!

 
Tempos amargos são estes que estamos a viver, carregados de dúvidas e desconfianças, mesmo de fortes suspeições. Também de temores quanto ao dia de amanhã.
 
Nestas difíceis circunstâncias, quando tudo parece sem futuro, seria de alto valor que se acendessem as luzinhas da auto-estima. Acontece, pelo contrário, que todos os sinais se apagam em trapalhadas - quando não em comportamentos muito piores.
 
Veja-se, como exemplo benigno, o caso daquele governante da área da Justiça que pareceu determinado a enfrentar o problema dos "multibancos" sucessivamente assaltados e roubados dentro dos tribunais. Que fez ele? Pois, pura e simplesmente, mandou acabar com as caixas. Como dizia a minha Velha Avó, morreu o bicho, foi-se a peçonha…
 
É certo que havia (agora digo eu) outras soluções constantes de compêndios e sebentas que falam de coisas tão vulgares como o cimento armado e ensinam a reforçar a segurança do encastramento das máquinas. Mas isso dá trabalho e, vamos lá, a solução preguiçosa, radical e barata até pode fazer escola: o ministro Lino, por exemplo, aproveitará para se desfazer de problemas com pontes inseguras e estradas esburacadas mandando que as fechem ao trânsito - e pronto, questão encerrada. Fica, ainda, com umas sobras no orçamento para ir andando com o aeroporto do "deserto".
 
Mais bem imaginado (e é o exemplo mais grotesco) foi o plano que a ministra da Educação engendrou para a gloriosa consagração da sua própria obra na reforma do primeiro ciclo, aquele a que no meu tempo chamávamos a escola primária. Mas, lá está!, logo tinha de ser maculada pelo feio pecado de uma mentirola grosseira e que não podia durar muito: afinal, o bendito relatório não é nada da OCDE, mas sim de técnicos contratados, que se serviram de trabalhos oportunamente preparados por serviços do Ministério e, até, de opiniões de autarcas (porquê autarcas?) socialistas…
 
Enfim, uma luzinha que podia prestar bom serviço à auto-estima - enaltecendo as estatísticas, gabando o fim do abandono escolar e, até, a maravilha de se ver todos os meninos das nossas aldeias a falarem fluentemente um Inglês de Oxford -, mas luzinha que foi pela água abaixo, levada pelas trapalhadas da propaganda.
 
Se bem que, neste caso, há um ponto intrigante que merecia esclarecimento. É que na grande missa laica celebrada em honra da ministra, o primeiro-ministro reservou para si (naturalmente) a homilia principal. E foi assim que, por certo provocando umas lagrimitas rebeldes, disse à ministra qualquer coisa como "foi um gosto trabalhar consigo".
 
Exactamente assim, no tempo verbal passado. De modo que ficámos sem saber se Sócrates estava a despedir elegantemente a ministra - ou, disfarçadamente, a despedir-se ele próprio…
 
António Freitas Cruz, in www.jn.pt em 1/2/2009
publicado por pedro-na-escola às 13:47
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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Porque faço greve

Tal como muitos colegas, amanhã, 3 de Dezembro de 2008, vou fazer greve pela primeira vez. Nunca pensei fazê-lo. Sou mais de acatar, pacatamente, as novidades emanadas de cima, quase como um cordeirinho, e executar as ordens dadas. Enfim, cada um é como cada qual. Sou mais de encolher os ombros com a falta de visão e bom senso de quem, ao longo de décadas, tem passado pela tutela do Ministério da Educação.
 
No entanto, esta faceta de “cordeirinho” só é válida enquanto presumir que quem me tutela é uma pessoa minimamente honesta, uma pessoa de bem, séria, que apenas falha nas medidas que toma, tanto porque desconhece a realidade e as realidades, como porque é aconselhada por pessoas que desconhecem a realidade e as realidades. Assim tem sido ao longo de décadas e por isso a Educação em Portugal continua a não ser grande espingarda.
 
Ora, com a actual ministra, Maria de Lurdes Rodrigues, e os seus dois secretários de estado, o panorama mudou drasticamente.
 
Pessoalmente, a gota que faltava para entornar o copo de água foi mesmo o espectáculo com a alteração do Estatuto do Aluno: uma lei que diz, claramente, que, independentemente da natureza das faltas, os alunos que faltam têm de ser sujeitos a uma prova com consequências penalizadoras, é espectacularmente alterada por um despacho dominical, disfarçado de esclarecimento, que diz que, afinal, depende da natureza das faltas a prova ter ou não consequências, e que esta até pode ser uma entrevista e não uma prova; não bastando isto, a ministra lava as suas mãos acusando as escolas de terem interpretado erradamente “o espírito” da lei. Quem faz uma jogada desta, às claras, com fanfarra e toque de sinos, não pode ser uma pessoa honesta, séria e de bem. Lamento, mas não pode!
 
A isto, junta-se o desgoverno de todo o ministério e das direcções regionais, de que me apercebo diariamente, no exercício de funções no conselho executivo da minha escola. Esta é uma apreciação algo subjectiva, eu sei, mas, no nosso gabinete, quase não passa um dia em que não olhemos uns para os outros, estupefactos com mais um desnorte vindo de cima na hierarquia do sistema.
 
A isto, juntam-se as palermices associadas ao Estatuto da Carreira Docente e ao modelo de Avaliação do Desempenho dos Docentes. E digo palermices, porque, uma coisa é o leque de opções políticas, tais como a limitação da progressão na carreira, a alteração do modelo de avaliação do desempenho, ou a mudança nas regras para gestão dos tempos não lectivos. Pode não concordar-se, mas, “come-se”. Outra coisa, bem diferente, é quando se entra no espectro da patetice e da aberração, tal como foi a forma de promoção à categoria de professor titular, a existência de quotas na avaliação, ou a inclusão dos resultados escolares como parâmetro de avaliação.
 
A isto, junte-se a fantástica fórmula das Novas Oportunidades, destinadas a certificar, ou qualificar, ou seja lá o que for que o senhor primeiro-ministro tanto adora, que mais não é do que uma farsa nacional como não há memória. Após séculos de história da humanidade, em que o objectivo da Educação e do Ensino era proporcionar conhecimentos e sabedoria, chegámos a uma nova era, em que o saber e o conhecer são espezinhados e humilhados por essa necessidade alucinante de certificar ou qualificar toda a gente, a qualquer custo, com o objectivo único da estatística.
 
A isto, junte-se o desperdício gigantesco e – pasmo! – não contabilizado, concretizado na literal oferta (ou semi-oferta) de computadores portáteis, sem qualquer critério, sem qualquer contrapartida, a todos os alunos. Com a agravante moral de, a uma escala nacional, se estar a colocar, nas mãos das crianças e jovens deste país, acesso livre e sem restrições a esse mundo cheio de perigos que é a Internet.
 
Faço greve, porque quero protestar contra o facto de ser governado por pessoas que não me merecem respeito e às quais não reconheço valores básicos como honestidade, seriedade ou boas intenções.
 
Faço greve, porque desejo, como nunca antes, e assim o quero demonstrar, que a senhora ministra e os seus dois secretários de estado abandonem as suas funções.
publicado por pedro-na-escola às 21:16
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Domingo, 9 de Março de 2008

Discalculia

Discalculia (não confundir com acalculia) é definido como uma desordem neurológica específica que afeta a habilidade de uma pessoa de compreender e manipular números. A discalculia pode ser causada por um déficit de percepção visual. O termo discalculia é usado frequentemente ao consultar especificamente à inabilidade de executar operações matemáticas ou aritméticas, mas é definido por alguns profissionais educacionais como uma inabilidade mais fundamental para conceitualizar números como um conceito abstrato de quantidades comparativas.
in http://pt.wikipedia.org
 
Um dos sintomas potenciais é (quem diria?) a dificuldade em julgar a passagem do tempo.
 
Vem isto a propósito de uma investigação à qual eu me gostaria de dedicar, se não tivesse mais nada para fazer na vida. Investigar os motivos do ódio de estimação que a Ministra da Educação tem pelos professores do Ensino Básico e do Ensino Secundário. As declarações - a quente - da ministra, a propósito da manifestação de professores, no 8 de Março de 2008, em Lisboa, onde estiveram concentrados pelo menos 85 mil professores, foram como que um toque nos sinos.
 
Cem mil professores é “irrelevante”, disse ela. Bastavam mil insatisfeitos para ela já ficar preocupada, acrescentou. Junte-se os prazos para implementação do modelo de avaliação do desempenho (vinte dias e outros mimos) e o lançamento de legislação a meio do ano lectivo para aplicação imediata. E a ordem expressa para as escolas ignorarem, por completo, as faltas dos alunos, mesmo que às semanas inteiras, com ou sem novo Estatuto do Aluno. Junte-se a obsessão pelas estatísticas, apenas pelos números, sem cuidar se estes trazem consigo qualidade ou competências. Embora pouco conhecida, o Ministério da Educação tem outra obsessão camuflada: a do número de salas de aula de cada escola (semana sim, semana não, a minha escola é contactada para indicar quantas salas tem!).
 
Isto já entra no campo da má língua, que fica mal a qualquer um, mas não resisto: Maria de Lurdes Rodrigues sofre de discalculia e, na sua infância e adolescência, isso ter-lhe-á provocado dissabores com os seus vários professores. Hoje, como Ministra da Educação, tem a oportunidade da vida dela para se vingar do passado. E está a aproveitar bem!
publicado por pedro-na-escola às 15:36
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