Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Tranquilidade da treta

Como a Ministra da Educação se chama Maria de Lurdes Rodrigues, obviamente que o ano lectivo arrancou com a maior das tranquilidades. Só podia!
 
O que passo a descrever pode não ter muito interesse para quem esteja alheio à gestão de uma escola, mas, seja como for, e porque me irrita profundamente, aqui fica por escrito. Para quem está por colocar, pode até ter muito interesse, pelas piores razões.
 
Ao longo do verão, com a calma que os irritantes e sucessivos pedidos de preenchimento de aplicações online permitem, vamos fazendo a distribuição do serviço pelos professores do quadro e somando horas para outros horários que seguirão para concurso. O nosso desejo, sempre, é que o mês de Setembro arranque com os professores todos na escola – para que todos participem em todas as reuniões, desde o início. Infelizmente, nunca se consegue.
 
Este ano, fomos chamados a “pedir os horários” cerca de uma semana mais cedo do que no ano passado. No entanto, não foi por isso que as colocações saíram mais cedo. Com tanta informatização de processos, escapa-me o calendário de publicação das colocações.
 
Todos os anos há uma (ou mais) “surpresa” guardada pela DGRHE. Se num ano a surpresa foi não colocarem ninguém em horários incompletos no final de Agosto, este ano uma das surpresas foi não colocarem os não profissionalizados. Tudo bem que os não profissionalizados não podiam concorrer, isso já era sabido, mas é irritante ficar-se com professores por colocar no arranque do ano lectivo.
 
Os horários para os quais não houve colocação no final de Agosto, passaram, pelos vistos, para contratação de escola. Essa passagem não nos foi muito óbvia e ainda não percebemos como a coisa vai funcionar. Mas, se nos orientarmos pelo ano passado, a DGRHE vai ignorar por completo os horários que pedimos mas que não tiveram colocação, para depois voltar a perguntar-nos: então, que horários precisam? Há dias em que isto chateia!
 
Bom, sobrando a contratação de escola, tratar de recrutar os professores em falta é uma daquelas coisas que, quanto mais depressa, melhor. A DGRHE disponibilizou uma aplicação para o efeito, atempadamente, e rapidamente tratámos de a utilizar para o recrutamento dos professores em falta, bem como dos técnicos especializados para leccionar áreas tecnológicas dos CEF. Se tudo corresse bem, e avançando com o processo de contratação de escola logo a seguir à publicação das listas, no final de Agosto, teríamos todos os professores colocados antes do início das aulas, eventualmente até com alguma antecedência.
 
Mas, as coisas não correram nada bem. Havia mais uma “surpresa” à espera. Os horários para os técnicos especializados, depois de submetidos, não apareceram – evaporaram-se! A aplicação dava (e ainda dá) um erro que indica que a consulta dos horários não está disponível. Como se isso não bastasse, a aplicação não permite que se coloquem a concurso horários dos vários grupos de recrutamento – só permite para técnicos especializados ou para o desenvolvimento de projectos. O tempo passa e o mês de Agosto chega ao fim. Fica a expectativa de uma reunião na Direcção Regional de Educação, marcada para os primeiros dias de Setembro, para abordar o tema do recrutamento. Conformamo-nos com mais um trabalho mal feito e o tempo a passar.
 
Enquanto engonhamos a nadar no conformismo, um colega passa pela escola para anunciar, animado, que concorreu aos nossos horários de técnicos especializados! Afinal, pasme-se, não “desapareceram em combate”. Eles vivem! Perante o meu ar incrédulo, o colega acedeu à aplicação e mostrou os nossos horários no meio de centenas de outros.
 
Minutos depois, apareceu outro colega a perguntar se não íamos colocar a concurso um horário do seu grupo de recrutamento, ao que respondi que tínhamos um para colocar, mas que a aplicação não permitia. Qual não foi o meu espanto quando ele entrou na aplicação e me mostrou quase duas dezenas de horários para o grupo dele! Algo não batia certo.
 
Apontei algumas das escolas que tinham horários a concurso e comecei a fazer telefonemas. Conclusão: há, de facto, um erro misterioso na aplicação, que não permite recrutar professores para os vários grupos de recrutamento. As escolas que já têm horários a concurso, também encontraram o mesmo erro, mas foi solucionado (o termo usado foi “desbloqueado”) pelas respectivas Equipas de Apoio às Escolas, após reclamação.
 
A nós, resta-nos “melgar” também a nossa Equipa de Apoio às Escolas, já a seguir, para vermos se temos alguma sorte.
 
Na prática, os horários que estão a aparecer na contratação de escola foram colocados por escolas “desbloqueadas”. Quem concorre, imagina que aquele seja o panorama nacional e faz opções. Daqui a alguns dias, presumo, vão surgir os horários das escolas actualmente “bloqueadas”. Não é preciso explicar mais para se perceber a facilidade com que a DGRHE despreza a importância das colocações na vida de milhares de professores e as injustiças que surgirão como cogumelos.
publicado por pedro-na-escola às 22:26
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Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

Novo look do site da DGRHE

Já viram o novo look do site da DGRHE?

http://www.dgrhe.min-edu.pt/

Uma vida, uma carreira?
Sem comentários...

Publicidade enganosa?
Claramente!

A menos que o ideal "Uma vida, uma carreira" seja apenas para a DGRHE... alguma campanha de recrutamento de funcionários para a DGRHE? Deve ser. Só não sei para que é a equação atrás do senhor...

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publicado por pedro-na-escola às 21:24
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Segunda-feira, 17 de Março de 2008

A carroça à frente dos bois

Ainda no mesmo texto de apoio no site da DGRHE:
“Salientamos que não estamos a defender primeiro formem-se os avaliadores, depois podem avaliar.”
Ah! Claro! Faz todo o sentido que, primeiro, comecem a avaliar, e só depois recebam formação de como o fazer.
publicado por pedro-na-escola às 22:08
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A melhoria dos resultados

Confesso que ainda não consegui ler, até ao fim, uma única página das fichas de avaliação lançadas pelo ME, a propósito da avaliação do desempenho, nem as inúmeras fichas inventadas nas escolas. Todo este assunto continua a transcender-me, tanto pela desnecessária complexidade, como pelo que estará na sua base.
 
Buscando iluminação, fui à fonte contaminada e pouco credível que é o site da DGRHE. Dei de caras com um documento pomposamente intitulado “Textos de apoio”. Fiz o download e deparei-me logo com as suas autoras: Ângela Rodrigues e Helena Peralta, da Universidade de Lisboa. Na última das dezassete páginas de linguagem intragável, encontrei o que pretendia:
 
A avaliação de desempenho do pessoal docente visa a melhoria dos resultados escolares dos alunos e da qualidade das aprendizagens e proporcionar orientações para o desenvolvimento pessoal e profissional no quadro de um sistema de reconhecimento do mérito e da excelência. Constituem ainda seus objectivos contribuir para a melhoria da prática pedagógica do professor e para a sua valorização e aperfeiçoamento individual, permitir a inventariação das suas necessidades de formação, detectar os factores que influenciam o rendimento profissional dos professores, diferenciar e premiar os melhores profissionais, facultar indicadores de gestão em matéria de pessoal docente, promover o trabalho de cooperação entre os docentes, tendo em vista a melhoria dos resultados escolares e promover a excelência e a qualidade dos serviços prestados à comunidade.”
 
Eu, que sou barbeiro amador, ia jurar que, habitualmente, não é bem esta a intenção da avaliação do desempenho dos trabalhadores. Ia jurar que a avaliação do desempenho costuma incidir mais no desempenho que o trabalhador tem, na prestação do seu serviço. Ia jurar que costuma incidir mais no trabalhador em si, do que nos resultados do serviço que presta. Ia jurar, mas não tenho a certeza. Talvez me faça falta ler umas coisas sobre o assunto.
 
Curiosamente, a melhoria da prática pedagógica do professor, a sua valorização, o seu aperfeiçoamento individual, a inventariação das suas necessidades de formação, os factores que influenciam o rendimento profissional, e a diferenciação e o prémio para os melhores profissionais, vêm em segundo plano.
 
O que me faria mesmo bem ao espírito, era deitar para o lixo o modelo de avaliação do desempenho inventado pelo ME e criar um novo. Mas, primeiro, falta-me saber por que razão as empresas começaram a ter modelos de avaliação de desempenho e para que os querem.
publicado por pedro-na-escola às 21:35
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

Outra vez aquilo dos competentes

Fórum da DGRHE, um dia destes.
Assunto: Aulas assistidas
Questão: No 2º e 3º ciclo a observação de uma aula refere-se a 45m ou 90m?
Resposta brilhante (by a dgrhe): A calendarização da observação das aulas é atribuição do conselho executivo, porém a observação das aulas é apenas uma das vertentes da observação do desempenho do docente, devendo ser conciliada nomeadamente com a análise de documentos e instrumentos de planificação e avaliação das actividades lectivas. A avaliação de desempenho deverá abranger a globalidade do desempenho do docente, sendo por isso importante que haja uma complementaridade entre a análise documental e a observação das aulas propriamente ditas. Todo este processo deve ser ponderado, rigoroso e equilibrado.
Moral da história: O ensino em Portugal precisa mesmo de uma reformulação profunda. Bem que batalhamos, diariamente, para que os nossos alunos saibam responder objectivamente a perguntas, depois de lidas, relidas e convenientemente interpretadas, mas está difícil, pois não faltam adultos sem essa competência básica que conseguem chegar aos píncaros do ministério que falhou na missão de lhas transmitir. E a questão era…?  
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publicado por pedro-na-escola às 08:03
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