Terça-feira, 1 de Abril de 2008

Eles não sabem do que falam

Hoje, houve espaço para que, em algumas aulas, se abordasse o “Prós e Contras” de 31 de Abril de 2008, no qual esteve presente o colega Paulo Guinote. É nestes momentos que, por vezes, somos surpreendidos.
 
Numa turma de Currículo Alternativo, constituída por alunos com um percurso escolar pouco feliz, ali pelos 15 anos e ainda no 7º ano, o debate da RTP1 e o vídeo da Carolina Michaelis foram abordados de forma rápida e concisa, tirando os alunos conclusões e fazendo comentários, a saber:
 
1. O telemóvel foi um protagonista insignificante no vídeo. O que chocou foram as atitudes da aluna: agarrar a professora e tratá-la por "tu". Inaceitável, segundo os miúdos. Estes miúdos!
 
2. A professora deveria ter expulsado a aluna da sala? Gargalhada geral dos miúdos. Uma aluna daquelas não sairia da sala, obviamente. A professora deveria ter chamado um funcionário para expulsar a aluna? Nova gargalhada geral. Se a aluna não obedece à professora, porque iria obedecer a um funcionário?
 
3. Sobre os intervenientes do “Prós e Contras”: mais uma gargalhada geral. Eles não sabem do que falam!
 
E são miúdos! A ignorância e o disparate que marcam, sistematicamente, as intervenções públicas de quem não faz ideia do que se passa numa escola do ensino básico, foram ridicularizadas por uma turma de miúdos a quem os estudos pouco ou nada diz. Ainda assim, têm olhos na cara e não vivem num mundo à parte.
publicado por pedro-na-escola às 22:27
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Domingo, 30 de Março de 2008

Na Finlândia…

Apanhado algures na internet, ainda a propósito do “êxito de bilheteira” na Carolina Michaelis:
 
“A professora não teve orgulho nenhum. A professora estava simplesmente a tentar cumprir as regras da escola. E como é proibido por lei, mandar um aluno para a rua. Confiscou o telemóvel e ia devolvê-lo ao encarregado de educação. A miudinha mostrou uma falta de respeito enorme para com a prof e para com a escola.
 
Mostrei a um colega meu da Finlândia e ele disse-me o seguinte:
 
1. os alunos que não socorreram a professora teriam sido castigados;
2. a aluna estaria já internada numa instituição correccional;
3. e os pais estariam já a contas com a justiça.
 
Logo quem menos tem culpa nesta situação é a professora, mera vítima do sistema em que está inserido.”
 
Faço os meus comentários, na presunção ingénua de que aqueles três pontos correspondem à realidade.
 
Na Finlândia, tal como qualquer outro país onde as coisas funcionem bem, há sempre contrapartidas para quem não colabora com o todo, para quem perturba, para quem não cumpre deveres, para quem tem comportamentos inaceitáveis. E, no que toca a educação, os pais são obviamente responsabilizados pelas prestações inaceitáveis dos seus filhos.
 
Em Portugal, a selvagem de 15 anos já é uma coitadinha. A mãe, também. A professora nem por isso, que até já foi despromovida a incompetente.
publicado por pedro-na-escola às 22:49
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Episódio foi infeliz mas é a excepção

JN juntou alunos e professores para debater agressão a docente
 
O assunto não é desvalorizado, mas também não é usado para fazer extrapolações pessimistas sobre o sistema de ensino. Desafiados a reflectir, na redacção do JN, sobre o conflito que saltou, há duas semanas, do interior de uma escola do Porto para a comunicação social, quatro professores de quatro escolas diferentes, usam frases medidas, pensadas, pesadas para o debater. Evitam-se juízos de valor, mas há uma convicção a uni-los: "O episódio da aluna que agrediu a docente é muito grave, mas está longe de representar a falência da escola enquanto sistema e longe de representar a relação entre professores e alunos", Dito de outra forma: "Foi um episódio infeliz, mas representa a excepção".
 
Teresa Pinto de Almeida, professora de Inglês no estabelecimento visado, receia a estigmatização da escola e lamenta as ilações que tem visto serem retiradas a propósito do incidente.
 
"A Carolina nunca foi problemática. O episódio do telemóvel é infeliz, muitíssimo grave e reprovável, mas não pode ser usado para rotular a escola ou para nos fazer embarcar em pessimismos". Ao contrário, acrescenta, "espero que sirva para agitar a consciência colectiva para as questões da indisciplina".
Continua aqui.
Apraz-me comentar que, para variar, a selvagem de 15 anos já está mais que desculpada (com uma palmadinha nas costas, quase) perante a sociedade e a professora a arcar com as culpas da situação. Mais do que a situação em si, isto só revela a podridão de valores que marca este país.
publicado por pedro-na-escola às 10:44
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