Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

Incompetência ao rubro...

Ontem, dia 20 de Abril, liguei pela segunda vez para a DGRHE, para que esclarecessem como é que os professores deviam registar as classificações qualitativa e quantitativa das suas avaliações de desempenho, uma vez que havia muitos casos em que uma coisa não batia certo com a outra, graças a um regime de avaliação sem pés nem cabeça.

 

Na primeira vez, na semana passada, informaram que já tinham remetido o problema superiormente, aguardando-se resposta.

 

Ontem, uma voz cheia de certezas, como quem já repete a mesma lenga-lenga pela N-ésima vez, respondeu-me que se um professor teve 9,5 e Bom, deve registar na aplicação do concurso um 7,9 e Bom, pois, segundo um tal artigo 14º, o que importa é a classificação qualitativa.

 

Ou seja, o candidato regista uma informação falsa na aplicação do concurso! Ainda tentei questionar a voz sobre a situação que se coloca também à escola, uma vez que, assim sendo, a escola iria validar uma informação falsa! Mas a questão foi habilmente (tipo cassete, vá) chutada para fora de campo, repetindo-se a lenga-lenga de que o que interessa é a classificação qualitativa e o artigo 14º e blá blá blá…

 

Um dia depois, parece que, afinal, já não é bem assim e tal...

 

Não me ocorre outra palavra senão… incompetêntia!…

publicado por pedro-na-escola às 14:10
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sábado, 17 de Abril de 2010

A brincalhona, os papéis e o factor de progresso

“Temos sempre defendido que a avaliação é um factor de progresso. Os professores, ao saberem que vai ser reconhecido o seu esforço e o seu mérito, naturalmente que investem mais e melhor, porque isso é humano”. Palavras de Isabel Alçada.

 

Ainda acham simpático o sorriso da Ministra da Educação?

 

Há, nestas baboseiras de Isabel Alçada, um conceito pateta associado a uma dimensão paralela e distante: o reconhecimento do esforço e do mérito!

 

É um conceito pateta porque, na realidade, o esforço e o mérito não são efectivamente medidos, partindo do princípio que estamos a falar do “esforço” por se tentar ser um excelente professor e do “mérito” por se ser um excelente professor. Excelente, ou muito bom, tanto faz.

 

A única coisa que a actual avaliação de desempenho dos professores mede, realmente, é o esforço para preparar e preencher uns quantos papéis! É o chamado “investimento no papel”. Um investimento apreciado por Isabel Alçada, note-se. Num país atrasadinho, como é o nosso, o papel parece que é o que mais importa. Tristes de nós.

 

Nas escolas portuguesas, o único factor de progresso real seria a intolerância da indisciplina!

 

Porquê? Temos os recursos humanos e materiais necessários. A nível curricular, pode dizer-se muita coisa, mas os países que estão no topo a nível de Educação, têm grandes diferenças ao nível do currículo. Uns têm alguma avaliação de desempenho, outros nem por isso. O que estes países têm em comum, que Portugal não tem, é a intolerância para com a indisciplina. Andamos a brincar, a querer copiar modelos daqui e dali, mas não queremos copiar aquilo que é basilar, que todos têm e nós não temos. Curioso, digo eu. Um passo que ainda estamos bem longe de dar. 

 

publicado por pedro-na-escola às 10:14
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 12 de Abril de 2010

A brincadeirinha da avaliação

Liguei hoje para a DGRHE, para pedir um esclarecimento sobre a aplicação dos concursos, no item da avaliação de desempenho. Nos casos em que, por causa das quotas, a avaliação qualitativa não corresponde à avaliação quantitativa, a aplicação não permite que uma coisa não bata certo com a outra. Alguém que teve 8,9 mas ficou com Bom, não pode inserir os 8,9 mas sim 7,9 que é o limite máximo do Bom.

 

Num país civilizado, se 8,9 corresponde a um Muito Bom, é com Muito Bom que se fica... ah, claro, Portugal é cada vez menos um país civilizado... está cada vez mais cheio de bichos e entregue aos bichos...

 

Da DGRHE responderam que ah e tal, já receberam vários pedidos de esclarecimento sobre o mesmo assunto, de professores e de escolas, mas que não têm resposta para dar, uma vez que remeteram a coisa superiormente... ficamos a aguardar, então, que alguém superiormente tenha a amabilidade de esclarecer o povo...

 

Pode ser um mero problema técnico da aplicação informática, ou... o resultado da brincadeirinha da avaliação...

 

Já agora, parece que a aplicação apenas deixa apresentar a avaliação quantitativa com uma casa decimal, o que quer dizer que o candidato com duas casas decimais fica sem saber se arredonda para uma casa decimal ou se simplesmenta trunca a coisa.

 

Para os colegas que, cada vez mais, começam a ver desaparecer a luz ao fundo do túnel, isto não começa nada bem...

 

E nunca é demais relembrar que Isabel Alçada ainda não soltou os cães... quanto abrir o abate às turmas PCA e CEF e às escolas do 2º e 3º ciclos mais pequenas, aí é que vamos ver o que é bom para a tosse quando as vagas para leccionar caírem abruptamente... 

publicado por pedro-na-escola às 17:42
link do post | comentar | favorito
Sábado, 5 de Setembro de 2009

Porquê?

 

“Na verdade, mais importante do que os programas é a sua aplicação e transparência: a possibilidade de acompanharmos o que é decidido, porquê, por que valores e com que finalidade. Ora isso em Portugal nunca acontece.
A avaliação dos professores é exemplar. Todos os partidos dizem coisas que, na verade, não querem dizer coisa nenhuma. O PS fala em "consolidar", o PSD em "suspender" o sistema. O que os dois dizem é óbvio e previsível. Mas eu gostava de saber era porque é que se escolhe o modelo A e não o modelo B de avaliação, com base em que experiência, quem monitoriza a sua aplicação, com que regras e consequências. Duvido sinceramente que isso vá acontecer.” (…)
Ricardo Costa, www.expresso.pt
 
Valores? Finalidades? No caso da avaliação dos professores, não há valores… apenas finalidades! Bem se viu, pela fantástica quebra nas despesas com vencimentos no Ministério da Educação.
 
Não houve experiência de modelo algum. Muito provavelmente, não interessaria experimentar.
 
A monitorização é fácil: está tudo a correr com tranquilidade.
 
Regras e consequências? Pois sim! As regras ditaram que grande parte dos professores com mais de 18 anos de docência pudessem ser promovidos por critérios puramente administrativos, tendo, como consequência, que não lhes fosse reconhecida qualquer autoridade para coordenarem e avaliarem.
 
Também duvido que alguma coisa seja bem feita.
publicado por pedro-na-escola às 22:30
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Avaliação: regular

Ainda estou para saber como vou ser avaliado… o meu mandato como membro do conselho executivo foi interrompido, o que não é muito bonito quando se foi eleito democraticamente, mas, supostamente, eu deveria ser avaliado através do SIADAP2. Ora, se a malta aqui do conselho executivo já se via à rasca para avaliar o pessoal não docente através do SIADAP3 (era como vestir um crocodilo com um vestido de noiva), ainda estamos para saber como é que vamos ser avaliados através do SIADAP. Nem o ex-presidente do conselho executivo sabe como vai ser avaliado (supostamente pela directora regional). Ninguém sabe nada.


Ainda assim, e depois de os colegas terem entregue as suas fichas de auto-avaliação, fiquei a pensar no assunto da avaliação, do “bom”, do “muito bom” e do “excelente”. E, principalmente, no “regular”.


Não me ocorre uma explicação racional para que o padrão normal e mínimo seja o “bom” e não o “regular”. Isto porque, a bem dizer, me considero um professor regular. Para eu me considerar “bom”, era preciso que viesse alguém de fora (da escola), devidamente credenciado e qualificado, que me avaliasse com critérios claros e objectivos, que me acompanhasse durante alguns meses, que me observasse cuidadosamente, e que me atribuísse, no final, a menção de “bom”. Enquanto isso não acontecer, considero-me um professor regular e orgulho-me disso!

 

publicado por pedro-na-escola às 08:45
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Diferenciação sem nexo

Hoje lia-se assim no Público online:
 
“Este processo, apesar de difícil, conflituoso e turbulento, chegou a resultados positivos. A avaliação é hoje um facto incontornável nas escolas, a progressão deixou de ser automática e há uma diferenciação dos professores. Nada disto existia”, afirmou a ministra.
 
A senhora Ministra da Educação consegue fazer-me espumar…
 
1. “A avaliação é hoje um facto incontornável nas escolas” – Pois, é um facto que se fala muito na avaliação de desempenho nas escolas. Não é que funcione, mas fala-se nela. Não é que tenha nexo, mas fala-se nela. Não é que seja uma coisa séria, mas fala-se nela. A avaliação é uma espécie de tema de conversa de café, nas escolas, de facto.
 
2. “a progressão deixou de ser automática” – Alguma vez foi automática? Sempre me lembro de ver todos os colegas preocupados com os créditos de formação, para poderem progredir. Aliás, lembro-me bem de uma fase da minha vida em que as coisas me corriam menos bem, e, tendo-me atrasado quase um ano a fazer o relatório crítico, esse foi o tempo que perdi para sempre na progressão da minha carreira. Automática, o tanas!
 
3. “há uma diferenciação dos professores” – Há, sim. Diferenciam-se os podres e os desavergonhados, por exemplo. Os que se aproveitam de um modelo-faz-de-conta mal concebido e de uma maioria de professores a recusarem-no, para tentarem, qual oportunidade única na vida, obter uma classificação de Muito Bom ou Excelente. Assim aconteceu na minha escola, com uma professora egoísta e de mau feitio, que conseguiu o Muito Bom. Ninguém lhe reconhece qualidades ou virtudes, antes pelo contrário, sempre com o seu egoísmo acentuado.
 
Este modelo-faz-de-conta tem destas coisas. Uma professora que nem sequer empresta materiais pedagógicos aos seus colegas e não sabe trabalhar em equipa, obtém um Muito Bom. Uma professora que é uma nódoa em todos os aspectos, chega a professora titular e, consequentemente, avaliadora. Enfim, é só farsas.
publicado por pedro-na-escola às 19:27
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

O SIADAP e as quotas

Esta semana, reuniu o “Conselho de Coordenação da Avaliação” da minha escola – o órgão equivalente à “Comissão de Coordenação de Avaliação do Desempenho” no modelo-faz-de-conta de avaliação do desempenho dos docentes.
 
O mérito, o profissionalismo, a competência, a disponibilidade, a entrega à profissão, e outras “banalidades” do mesmo calibre, tiverem presença ligeira na reunião. O tema que mereceu maior “tempo de antena” foi, obviamente, as quotas da avaliação. 
 
Não temos casos de mau profissionalismo, felizmente. No entanto, há funcionários que se destacam da maioria. São pessoas com iniciativa própria para avançar com soluções em benefício da “casa”. São pessoas que se esmeram por terem uma prestação irrepreensível, sem falhas. São pessoas que se disponibilizam muito além do simples dever, tanto em tempo, como em tarefas. São bem diferentes do funcionário normal, que, embora cumpridor e com poucas falhas, se limita aos mínimos.
 
Assim, o chefe dos serviços administrativos e o chefe do pessoal auxiliar de acção educativa, propuseram, com base nos seus registos ao longo do ano, determinado número de funcionários dos seus sectores para a menção de “Relevante” (equivalente a “muito bom”). Por outro lado, nós, conselho executivo, tendo em conta o elevado grau de satisfação pelo desempenho, entrega e disponibilidade dos dois chefes de sector, nossos autênticos braços direitos na gestão da escola, propusemo-los aos dois para a menção de “Relevante”. Curiosamente, avaliado e avaliador concorrem para a mesma quota. Curioso, ou patético?
 
Assim, chegámos a um ponto em que, num dos sectores, havia propostas para menções de “Relevante” que excedia o limite imposto por essa coisa inteligente chamada quota. Trocando por miúdos, o chefe dos serviços administrativos tinha proposto 3 funcionários, quando a quota só deixava margem para atribuir 2. Ficava de fora, claro, o funcionário com menor pontuação.
 
Dois dias depois da reunião, o chefe apareceu-nos no gabinete, de folhas na mão, preocupadíssimo. A ideia de não atribuir a menção de “Relevante” a um funcionário que tinha pontuação para tal, que, à primeira vista, não tinha parecido preocupante, transformou-se, depois de um reflexão mais cuidada, num “bico-de-obra”. Explicou-nos o chefe, que a pontuação do funcionário tinha sido obtida da forma mais objectiva possível, com a contabilização de vários indicadores de medida baseados em constatações do tipo “sim/não”. O que fazer a seguir.
 
Na dúvida, ligámos para várias escolas, para tentar saber como é que, ao nível do SIADAP, se tem feito em casos destes. Caso isolado? Claro que não! Casos como este, há em todas as escolas, como seria de esperar. E o que têm feito nas noutras escolas? Simples: alteram-se os registos dos indicadores de medida, até que a pontuação final se situe abaixo do limiar de “Relevante”.
 
O chefe dos serviços administrativos, perante este panorama, olhava para nós e para o papel, para nós e para o papel, e para nós e para o papel. “Mas isto não faz sentido nenhum”, desabafou. “Pois não, mas é isso que também querem fazer com os professores”, respondi-lhe eu. “É uma tremenda injustiça”, balbuciava. O homem estava ali que não sabia mais o que dizer, pasmado com tamanha palermice de um governo presunçoso. “É pena, que nós não somos assim todos unidos como os professores, nunca fizemos nada contra isto”, comentou. Pois não, pensei eu para comigo. E foi-se embora, com um peso a vergar-lhe a consciência e os ombros, incrédulo com o face-a-face com a triste realidade de um país atrasado e peneirento.
 
Sabiamente, a legislação não explicita o que fazer nestes casos. Tantas páginas de regulamentação, tantos despachos, mas nada que esclareça essa troglodita operação de cosmética que garante a não existência de mais do que 5% de funcionários excelentes. Eu diria que é de propósito. Imagine-se, uma lei que explicasse, claramente, que, depois de se dar pontos com base em indicadores de medida objectivos, se deve abater alguns desses pontos, indiscriminadamente, para que as pontuações finais desçam e não se ultrapassem as quotas estabelecidas.
 
Um dos aspectos que mais me impressionou, no regresso a casa, é a inconsciência da generalidade das pessoas em relação a este assunto das quotas. Incluindo os próprios implicados. Só mesmo quem tem de avaliar, é que se depara com este triste dilema que é o faz-de-conta da avaliação de desempenho à portuguesa. Quotas na avaliação dos funcionários públicos? Claro, e o povo bate palmas. Quotas na avaliação dos professores? Claro, e o povo bate palmas. O povo não sabe bem o que é que isso das quotas na avaliação quer dizer, mas, como é para “lixar” alguém, faça-se!
publicado por pedro-na-escola às 20:14
link do post | comentar | favorito
Domingo, 25 de Janeiro de 2009

Parecer jurídico a caminho

Garcia Pereira está a elaborar parecer jurídico para os professores

Os professores vão recolher fundos para pagar acções judiciais que deverão ser lançadas nos tribunais para travar o modelo de avaliação. Por email, e nesta fase inicial, os docentes são convidados a contribuir com 10 euros para pagar o parecer jurídico solicitado ao advogado Garcia Pereira por um grupo de professores mais activistas. Depois, a verba poderá ser usada para interpor providências cautelares.

"Não é fácil fazer cair o modelo. É moroso mas é possível", disse ao DN Paulo Guinote, autor de um dos blogues mais influentes na Net e do núcleo de 30 professores que se mobilizaram para levar as questões jurídicas à apreciação de Garcia Pereira. A rede de centenas de docentes já mobilizados começará a recolher fundos junto dos colegas na próxima semana.

"Queremos que a lei se cumpra. E sabemos que isso significa respeitar a hierarquia das fontes do direito, algo que o Ministério da Educação tem dificuldade em perceber quando, através de despachos, altera decretos", acrescenta, referindo-se ao que diz serem "contradições" entre o estatuto da carreira docente e os decretos que simplificam o modelo.

Paulo Guinote, que ontem também se manifestou em frente ao Palácio de Belém, diz que o parecer do advogado servirá para "dotar os professores de instrumentos, para que se sintam seguros ao fazer oposição ao modelo".

Garcia Pereira também esteve no protesto organizado pelos movimentos independentes e que juntou mais de dois mil professores junto à residência oficial de Cavaco Silva. E apesar de ainda não ter o parecer final, avança já com algumas conclusões. "Do que já pude analisar, diria que partir a carreira em duas categorias, avaliadores e avaliados, me suscita algumas dúvidas. Pois os avaliadores não são avaliados de acordo com os mesmo critérios cientifico-pedagógicos com que avaliam os colegas". Ou seja, "como é que alguém pode avaliar, se a sua capacidade nessa vertente não é avaliada?", diz.

O advogado refere ainda "contradições" entre o que consta do estatuto da carreira, de onde decorre o sistema de avaliação, e os diplomas posteriores. "Julgo que há claramente uma tentativa de regular matérias que são da competência de lei por actos normativos de grau legislativo menor", acrescenta Garcia Pereira.

Professores de todo o País vieram ontem até Belém exigir a intervenção do Presidente da República na moderação do conflito que opõe docentes e Ministério da Educação. "Queremos estar perto de um local onde tem morado muito silêncio", dizia, em cima de um palco com menos de quatro metros quadrados, Ilídio Trindade, do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores, um dos cinco grupos independentes que organizaram o protesto.

Discursos emocionados, e até com alguma atrapalhação própria de quem não está habituado a estas andanças, apelaram à resistência, através da não entrega dos objectivos individuais. "Desistir agora é entregar o ouro ao bandido", gritava outro professor, denunciando as "mentiras e calúnias feitas pelo Governo.

 

in www.dn.pt (25 Jan 2009)

publicado por pedro-na-escola às 14:38
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Equação da treta

A primeira avaliação da guerra da avaliação

 
Hoje pode ser o dia D para a luta dos professores portugueses contra a avaliação. Depois dos recuos do ministério - que se recusa a falar em recuos - e da promulgação do regime simplifcado pelo Presidente da República, o movimento ficou sem grande margem de manobra. Foi, também ele, recuando para os redutos mais radicais da luta. E é essa radicalização que hoje será avaliada.
 
É óbivo que o ambiente e a opinião pública já mudaram - se é que alguma vez estiveram do lado dos que não pretendem nenhum tipo de avaliação. Resta agora perceber que efeitos que isso teve nos próprios professores - são 140 mil ao todo, e desses muitos há que precisam da avaliação deste ano para subirem de escalão, outros haverá que estão cansados (económica e psicologicamente) desta luta tão comprida.
 
Em todo o caso, até ao final do ano, que é como quem diz até ao final da legislatura e eleições, haverá dois números-chave para a ministra da Educação e para todo este processo. Um será a adesão da greve de hoje. Aqui, os sindicatos levam uma certa desvantagem analítica, porque este estará sempre em comparação com o estrondoso número da greve de Dezembro. O outro número é mais real: será no final deste mês quando se souber quantos professores entregaram os objectivos individuais para serem avaliados.
 
Esta equação permitir-nos-á avaliar, com toda a certeza, quantos professores já estão contentes com o modelo simplificado, quantos querem de facto ser avaliados. E no final se perceberá quem ganhou esta guerra. Se os professores ou o ministério. Ou ainda, e mais importante, os alunos.
 
Editorial do www.dn.pt em 19 Janeiro 2009
 
Esta malta com a mania que domina a Matemática… enfim! Ora então, quer dizer que, quem entrega os objectivos individuais, está contente com o modelo simplificado e quer mesmo ser avaliado. Isto será uma antevisão das palavras vitoriosas da Ministra da Educação daqui a umas semanas? Ou do próprio primeiro-ministro? Por esta ordem de ideias, cada vez que eu declaro o meu IRS, é porque estou contente por este existir e quero, de facto, dar a minha contribuição ao Estado (para esbanjar em computadores portáteis para os miúdos jogarem e verem pornografia gratuita na Internet). Por esta ordem de ideias, quando os Judeus embarcavam nos comboios a caminho dos campos de concentração (claro que há os que defendem que isto nunca aconteceu), faziam-no porque estavam contentes com o passeio de borla e com as novas e principescas habitações, e queriam, de facto, mudar-se em massa para lá.
publicado por pedro-na-escola às 14:21
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

A métrica da coisa

Desde a semana passada que, na minha escola, se começa a falar nessa coisa das moções e da suspensão da avaliação. Dizem os colegas que, à semelhança das outras escolas, deveríamos tomar uma posição colectiva e parar com a coisa.
 
Parar. Porque, a bem dizer, a coisa sempre avançou na nossa escola. Fizeram-se reuniões, esventraram-se fichas, inventaram-se indicadores, deram-se piruetas para cozinhar instrumentos de registo, perderam-se horas e horas a martelar na coisa.
 
É, como diria a astróloga, uma postura de “não negar, à partida, uma ciência que desconhece”. Tudo bem.
 
Depois de todas essas horas de dedicação à “causa da ministra”, começou a chegar-se a uma série de becos sem saída. Porque, uma coisa, é o que se imagina, do alto de um cadeirão ministerial, e outra, é algo que se descobre ser improvável de medir com seriedade.
 
Ou seja, ao mexer na massa, mesmo ainda antes de se começar a confrontar os avaliados com os avaliadores, começamos a coleccionar uma série de parâmetros para os quais, tanto a formulação de objectivos, como a sua métrica, são impraticáveis, se quisermos ser sérios no que fazemos.
 
Isto cimenta-nos a ideia de que este modelo foi mesmo mal feito, passando à frente o facto de ter por base autênticos disparates (a forma como os avaliadores chegaram a tal e as quotas, por exemplo). Mal feito, porque inventado à pressa, copiado de exemplos que não são exemplo, aplicado em cima do joelho, não experimentado.
 
O facto é que, à semelhança de várias profissões, a de professor não pode ser, no seu desempenho, avaliada da mesma forma com que se avalia um qualquer trabalhador de uma empresa.
 
Veja-se a profissão de Enfermeiro. À semelhança da nossa, os seus profissionais não produzem bens. Prestam, por assim dizer, um serviço público. Lidam com pessoas, com a massa humana, mas não fazem milagres. Nem os médicos fazem! Devem ser avaliados pelo serviço que prestam, que não pode, nem deve, traduzir-se em meros números.
 
Devem prestar um serviço de qualidade, isto é, cumprir com as obrigações profissionais: dedicação, zelo, brio, correcção, isenção, disponibilidade. Digo eu, que sou barbeiro.
 
Façamos as contas ao contrário: o que não gostaríamos de ver num profissional de enfermagem? Que tipo de comportamentos identificaríamos como base para uma avaliação negativa de um enfermeiro? O número de doentes curados? O número de doentes atendidos? O número de compressas poupadas?
 
Eu, no meu papel de utente, teria algum receio de ser atendido por um enfermeiro cujo desempenho profissional fosse baseado em números, tornando-se estes mais importantes do que o próprio atendimento pessoal, cuidados e atenção que me pudesse prestar.
publicado por pedro-na-escola às 21:28
link do post | comentar | favorito

~posts recentes

~ Incompetência ao rubro...

~ A brincalhona, os papéis ...

~ A brincadeirinha da avali...

~ Porquê?

~ Avaliação: regular

~ Diferenciação sem nexo

~ O SIADAP e as quotas

~ Parecer jurídico a caminh...

~ Equação da treta

~ A métrica da coisa

~ Que é...?

~ O João só gosta mais ou m...

~ Alguém que me responda…

~ O exercício da comparação

~ O professor João

~links

~arquivos

~ Julho 2011

~ Junho 2011

~ Maio 2010

~ Abril 2010

~ Março 2010

~ Novembro 2009

~ Outubro 2009

~ Setembro 2009

~ Agosto 2009

~ Julho 2009

~ Junho 2009

~ Maio 2009

~ Abril 2009

~ Fevereiro 2009

~ Janeiro 2009

~ Dezembro 2008

~ Novembro 2008

~ Outubro 2008

~ Abril 2008

~ Março 2008

~ Fevereiro 2008

~ Janeiro 2008

~chafurdar no blog

 
RSS