Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Eles vêem aí…

Há pouco, recebi esta mensagem por e-mail:
 
Vamos tentar que muita gente saiba disto para que a dita inspecção não tente nada de forma encoberta.
Acabo de receber um e-mail (personalizado, não é um simples reencaminhamento) de um colega amigo que lecciona em Braga. Diz ele:
"acabo de receber um SMS a confirmar uma inspecção na escola de Ribeirão na 3ª feira de manhã!"
Recordo que é a escola daquele colega que falou no programa "Prós&Contras"… aquele que falou num determinado inspector com uma determinada orientação…
 
Será verdade? Só agora, pergunto eu? O programa já foi há uma “eternidade”! Às tantas esta é a vaga oficial da inspecção, tendo a secreta sido feita no dia seguinte à denúncia pública. Sei lá. O certo é que, se a inspecção marcar presença pública na escola e descobrir que afinal não há nada que suporte a denúncia do professor, é mais um ponto para a ministra e menos dez para os professores.
publicado por pedro-na-escola às 21:43
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Trabalho dos professores decisivo

“No combate ao insucesso escolar
Trabalho dos professores decisivo
A Fenprof atribuiu este sábado que a redução do insucesso escolar, anunciada ontem pelo Governo, de ficou a dever ao trabalho dos professores. O sindicato considerou ainda que é preciso saber se à quebra nas taxas de abandono e retenção corresponde a um aumento da qualidade de ensino.”
in Correio da Manhã
 
Não concordo com esta posição. A redução do insucesso escolar deve-se, de facto, às medidas e às políticas do ME, e não aos professores. Senão, é o mesmo que admitir que, anteriormente, os professores não actuaram para reduzir o insucesso. O trabalho dos professores continua o mesmo. O que mudou, foi o regulamento do jogo.
 
No Verão de 2008, estes números serão ainda menores e a comunicação social tratará de espalhá-los, como uma boa nova.
 
Na minha escola, ou seja, baseando-me naquilo que conheço e vivo, ao invés daquilo que ouvi dizer, constato como contribuiremos para as reduções relativas ao ano lectivo de 2007/2008.
 
Insucesso: integração de alunos preguiçosos e com retenções numa turma de Percurso Curricular Alternativo, desde o início do ano; integração de mais alunos preguiçosos e com retenções numa outra turma de Percurso Curricular Alternativo, criada a meio do ano lectivo; saldo público – 25 alunos com transição garantida, genialmente salvos do implacável monstro da retenção; saldo privativo – 25 alunos que transitam sem as “competências” e conhecimentos que a sociedade imagina que adquiriram, com a agravante de assimilarem que a ociosidade e o desleixo compensam.

Abandono: recuperação fantástica e bombástica e outras coisas acabadas em “ástica”, de dois alunos fora da escolaridade obrigatória, reprovadíssimos por faltas sem conta, as quais deixaram mesmo de contar, por ordens superiores.
 
Por falar em números, quando foram apresentados os números deste ano lectivo, que contas vão ser feitas entre os alunos que abandonaram a escola este ano, os que abandonaram em anos anteriores, os que regressaram para frequentar CEF’s e PCA’s e outras coisas que tais, os que não regressaram porque não chegaram a sair, e os que regressaram apenas no papel? Um milagre, estou mesmo a imaginar…
publicado por pedro-na-escola às 15:00
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Notas de imprensa

(trabalho de recolha feito pelo Jornal de Notícias)
 
Os professores têm que ser avaliados
“Andamos há 30 anos a discutir que o nosso ensino precisa de exigência. É isso que está a acontecer. Os professores, como qualquer outra profissão, têm que ser avaliados". 
Jorge Coelho, Ex-dirigente do PS, ao Correio da Manhã
 
Andamos? A sério? Mesmo? Não me recordo de os políticos falarem em exigência. Aliás, quem anda há 30 anos a falar em exigência, são os professores. Exigência para com os alunos, nas suas prestações escolares, a nível de aproveitamento e comportamento. Estamos fartos de pedir. Já agora, exigência também para com os professores, porque não? E avaliação dos professores, também. Ou já ouviu algum professor reclamar que não quer ser avaliado?
 
Política muito autoritária, sem diálogo
"A ministra da Educação tem protagonizado uma política muito autoritária, muito longínqua das escolas e dos professores.
Não teve um diálogo construtivo, mas muito seco e autoritário".
Ana Benavente, Ex-governante, PS, à Rádio Renascença
 
Deve ser uma questão de tradição, essa política longínqua das escolas. É por esse distanciamento que continuamos no pé em que estamos. Já no seu tempo assim era…
 
Tem todas as condições para continuar"
"A ministra da Educação tem todas as condições para cumprir o seu mandato até ao final da legislatura. Tomou medidas impopulares para alguns sectores, mas tinham que ser tomadas."
Fagundes Duarte, Deputado do PS, à Lusa
 
Claro que tem todas as condições. Tem gabinete, tem ajudantes, tem carro, tem dinheiro na conta no fim do mês, tem as costas aquecidas pelo patrão, porque não teria condições? Essa necessidade doentia de bradar aos ventos que estas medidas impopulares tinham de ser tomadas, já começa a enjoar. A História se encarregará de avaliar se estas medidas tinham mesmo de ser tomadas, ou não. O engraçado da questão, é que, o mais importante de tudo, continua na mesma.
publicado por pedro-na-escola às 14:41
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Como é?

Educação nega ter condicionado notas
O professor Manuel Gouveia Cardoso, da Escola Básica 2/3 de Ribeirão, "retratou-se" da acusação que fez a um inspector da Educação durante uma intervenção no programa da RTP "Prós e Contras", emitido no dia 25 de Fevereiro, afirmou, ontem à noite, em comunicado, o Ministério da Educação.
O professor terá acusado, no programa, um inspector de ter declarado aos professores da escola, durante uma acção que desenvolveu no local, que "a nota mínima é o 3", com referência à escala de zero a cinco. A acusação do docente Cardoso "motivou várias reacções que convergem todas para a falsidade de tal afirmação", sublinha o comunicado emitido. Acrescentando que o inspector acusado afirmou que "não disse, nem poderia ter dito, que todos os alunos deveriam ter nível 3, no mínimo". Por sua vez, refere ainda o ministério, a presidente do Conselho Executivo do estabelecimento de ensino, Iolanda Sobral, terá refutado também a acusação que o professor teceu, tal como, posteriormente, o próprio professor.
in JN, 1/3/2008
 
Das duas, uma: ou mentiu descaradamente e entra directamente para o saco dos professores que dão má imagem a uma classe, ou levaram (ele e a Iolanda) um apertão tão grande, mas tão grande, que viraram a história ao contrário.
Seja como for, mesmo que tenha sido mentira, eu cá sou da opinião que a ideia da nota mínima 3 rima com escolaridade mínima 12º ano. Tal e qual. Como diria o poeta, se não o disse, pensou-o.
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publicado por pedro-na-escola às 08:29
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Domingo, 2 de Março de 2008

O nível 3

A Direcção-Geral de Educação do Norte (DREN) não irá instaurar qualquer processo disciplinar ao professor Manuel António Cardoso, da Escola 2/3 de Ribeirão, Famalicão, que segunda-feira, no programa ‘Prós e Contas’ da RTP, acusou um inspector de sugerir que naquele estabelecimento de ensino não houvesse retenções no 9.º ano de escolaridade.
No programa, o professor denunciou que um inspector tinha pressionado a escola no sentido de que “todos os alunos deveriam ter nível 3, no mínimo”. Tais declarações estariam numa acta.
Em comunicado, a escola desmentiu as afirmações do professor divulgando excertos da acta. Também o professor – apesar de não negar as pressões – pediu desculpa, numa carta, pela atitude e disse que não teve intenção de ofender nem a ministra da Educação nem o inspector. Desculpou-se com o “momento de profunda emoção” do debate televisivo. O docente pede desculpa pela forma, mas não desmente o conteúdo das declarações.
A directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, avançou ao CM que o caso não terá consequências na DREN, a não ser que haja uma queixa por parte dos ofendidos. “Só haverá continuação desta situação se a direcção da escola ou o inspector em causa quiserem avançar com a queixa”, adiantou.
Lamentou, porém, as declarações do professor, referindo que “um docente deve ser mais ponderado”.
in Correio da Manhã
 
Mas, afinal, como é?
 
Não querendo ser maldoso e mete-nojo, mas tão só e apenas realista, ocorre-me a facilidade com que, nos dias de hoje, se pode fazer uma falcatrua numa acta, apagando ou acrescentando conteúdos. É fácil, é barato e, quem sabe, pode dar “milhões”. Tudo depende das apostas em jogo.
 
Quanto a ser ponderado… Ser ponderado, é não chamar besta ao inspector. Ser ponderado, é não esticar uma verdade de 20 cm, aldrabando-a até aos 40. Ser ponderado, é não ir além do essencial, com divagações pessoais. Ser ponderado, é não generalizar acusações individuais.
 
Se o colega não nega os acontecimentos e a escola diz que não aconteceram, continuamos na mesma. Luz - precisa-se…
publicado por pedro-na-escola às 14:26
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Sensatez

Dos Objectivos Individuais do José Luiz Sarmento, em http://legoergosum.blogspot.com/, retirei algumas frases que primam pela sensatez e que, de alguma forma, ridicularizam quem inventou todo este modelo de avaliação do desempenho dos docentes.
 
a) item: Melhoria dos resultados escolares dos alunos
“Criar condições para que os meus alunos baixem a sua taxa de insucesso, caso queiram e possam, nas disciplinas que lecciono, de x% para <x%, e abster-me de qualquer acção que lhes impossibilite ou dificulte essa redução. (…)”
 
b) item: Redução do abandono escolar
Não está ao alcance do professor influenciar por acção o abandono escolar. Pode, porém, influenciá-lo por omissão. Consequentemente, pretendo:
- Abster-me em relação a qualquer aluno de qualquer acto hostil que não tenha cobertura legal e não decorra de necessidades disciplinares.
- Proteger os alunos, na medida das minhas capacidades e poderes legais, contra actos hostis de terceiros que os possam levar a criar aversão ou medo à escola, nomeadamente: procedendo a averiguações e instruindo processos disciplinares contra alunos disruptores conforme me seja solicitado.”
 
c) item: Apoio à aprendizagem dos alunos com dificuldades
“Distinguir claramente entre, por um lado, os alunos que não querem aprender e não são incentivados a isso pelas famílias, e por outro os alunos que tentam mas não conseguem. De entre estes, distinguir entre aqueles cujas dificuldades se devem a circunstâncias que exigem intervenção especializada fora da competência do professor e os que podem efectivamente ser apoiados com recurso a práticas docentes. (…)”
 
d) item: Participação nas estruturas de orientação educativa e nos órgãos de gestão da escola
“Participar em todas as reuniões de departamento que não sejam convocadas apenas para cumprir calendário. Estudar previamente os assuntos constantes da ordem de trabalhos de modo a avaliar se se justifica ou não a minha participação e de modo a poder, caso ela se justifique, participar produtivamente. (…)”
 
e) item: Relação com a comunidade
“Em meio urbano, um professor do 3º ciclo do ensino básico ou do ensino secundário que não seja director de turma relaciona-se com a comunidade por intermédio da sua relação com os alunos. Não pretendo frequentar cafés nem inscrever-me em colectividades nas zonas de residência dos meus alunos. Estarei, contudo, disponível para participar em reuniões com os pais que sejam convocadas pelos directores de turma. Se a escola me fornecer um telemóvel de serviço, darei o número a todos os meus alunos para que eles ou os pais possam contactar comigo dentro de um horário a estabelecer. (…)”
publicado por pedro-na-escola às 08:42
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Sábado, 1 de Março de 2008

A avaliação da ministra

“1 Não conheço pessoalmente a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Por razões profissionais, mantive com ela duas curtíssimas conversas telefónicas e portanto a avaliação pessoal que faço da sua acção governativa utiliza os mesmos meios de aferição ao alcance de qualquer português: as políticas do ministério, as declarações públicas da ministra e as reacções que produzem.
Feita esta nota prévia, declaro desde já a minha simpatia pela pessoa: gosto da convicção, da forma apaixonada como defende os seus argumentos, do turbilhão de trabalho em que está manifestamente envolvida. Se peca é por excesso: por querer, talvez, fazer em pouco tempo, numa Legislatura, o que talvez devesse caber em duas. Mas também não tenho a certeza disso.
O que tenho a certeza é de que ela anda depressa de mais para a velocidade de um país dominado pelas dinâmicas socioprofissionais, que interioriza a rotina como um direito adquirido e, sobretudo, tem medo de mudar.
A polémica instalada à volta do sistema de avaliação do desempenho dos professores da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário é disso prova evidente. E não pode ser vista como uma contestação isolada. É mais um acto de uma revolta corporativa que começou no dia em que a ministra começou a mudar as regras do pacato dia-a-dia das escolas portuguesas, uma das origens do país que somos.
2 De qualquer forma há aqui, hoje, não é possível escondê-lo, um problema nas escolas que resulta da forma como os professores encaram e tentam resistir às mudanças. Não terá, talvez, a dimensão que é projectada na comunicação social, mas existe.
É um facto.
A contestação, que começou por ser sindical (leia--se: organizada pelo Partido Comunista Português), tem na actualidade uma dimensão geral que deve obrigar a ministra a alguma reflexão, porventura a questionar não o sentido das suas convicções mas o timing de implementação de todas as medidas que considera imprescindíveis para termos uma escola de qualidade - mais profissional e competente.
Digo isto porque sou sensível a uma observação que ontem voltei a encontrar no meio de uma reportagem do Público: "Os professores sentem-se desrespeitados, há um sentimento de desespero."
Este estado de espírito merece reflexão.
Quem, como eu, acredita na necessidade da avaliação, seja nos professores, nos juízes ou nos jornalistas, tem de defender que ela seja explicada, bem percepcionada, assumida por todos os intervenientes, se não com entusiasmo pelo menos com a convicção de que no futuro, ultrapassadas situações pontuais de um ou outro critério a rever ou de alguma injustiça a rectificar, ela possa originar um modelo racional, digno, muito melhor do que o vazio que hoje reina entre a apatia da comunidade, a pouca participação dos pais e o normal espírito rebelde dos alunos.
Os processos de avaliação - a chave de ignição deste movimento - são sempre momentos sensíveis, especialmente quando não há experiência na matéria, como é o caso dos professores. A maior parte deles manifestamente não sabe que os objectivos individuais contra os quais se rebelam são simples adaptações de modelos técnicos que funcionam noutras actividades e praticados pelas grandes empresas especializadas na avaliação de recursos humanos.
Os professores, que tanta justiça clamam para si, deveriam ser mais justos na apreciação que fazem à ministra.
E a propósito das manifestações, em que vão, erradamente, pedir a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues, como já se percebeu, cabe-me dizer o seguinte: mal seria que em Portugal ainda pudesse cair um ministro pelas razões que estão sobre a mesa e que, apenas por mero oportunismo político da oposição, se podem comparar às que resultaram na saída do anterior ministro da Saúde.
Se uma das condições para participar nas manifestações anunciadas fosse provar conhecer a legislação que vai tutelar a avaliação dos docentes (Decreto Regulamentar n.º2/2008, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 7 de 10 de Janeiro deste ano), tê-la lido e compreendido, provavelmente não haveria tanta contestação como aquela que pode vir a desembocar na "marcha de indignação dos professores" convocada para o próximo dia 8.”
in Diário de Notícias, João Marcelino 
 
Umas divagações:
 
um país dominado pelas dinâmicas socioprofissionais, que interioriza a rotina como um direito adquirido e, sobretudo, tem medo de mudar
A rotina é essencial para consolidar práticas e dominar o meio. A estabilidade deveria ser um direito de todo e qualquer trabalhador. Entenda-se, por estabilidade, as regras com que tem de se orientar no dia-a-dia. Não é o medo de mudar que nos aflige, mas, antes, a perpetuação das mudanças, mais mudanças e eternas mudanças. A cada novo ministro do pelouro, cabe uma catadupa de legislação nova, de alterações, de correcções, de remendos e colagens, ao sabor não se sabe bem de quê. Aflige-nos, também, ao fim de décadas, que esta roda circense de mudanças não traga para a escola nada que faça melhorar a qualidade do serviço prestado aos alunos, aos pais e à sociedade! A verdade é que estamos fartos e saturados de mudar… para nada!
 
“o vazio que hoje reina entre a apatia da comunidade, a pouca participação dos pais e o normal espírito rebelde dos alunos”
O maior vazio é a improdutividade mais que evidente da escola! Não contribui, como deveria, para fazer crescer qualitativamente o país, que tanto precisa. Não produz cidadãos cultos, esclarecidos, críticos, responsáveis, competentes e prestáveis. A apatia da sociedade, a pouca participação dos pais e o anormal espírito indisciplinado dos alunos, são apenas o reflexo dessa improdutividade, e não ao contrário!
 
“adaptações de modelos técnicos que funcionam noutras actividades e praticados pelas grandes empresas especializadas na avaliação de recursos humanos
Devemos copiar bons exemplos e boas práticas. Mas, melhor do que copiar, é saber adaptar para produzir efeitos positivos e credíveis. Objectivos individuais ao alcance do trabalhador, sim. Objectivos individuais que extravasam a acção do trabalhador, por dependerem quase em exclusivo de terceiros, não, obrigado. 
publicado por pedro-na-escola às 14:00
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Tudo o que quer saber - parte 6

Comentário:
“Não sou professor e por isso não vou correr o risco de ser injusto para os professores ou para a ministra e o governo. Mas há uma coisa que me mete confusão nesta polémica de alguns professores contra a ministra da educação, é que as associações de pais estão em geral a favor das medidas da ministra, não só desta da avaliação dos professores, mas de todas as outras que até agora têm sido promovidas por este governo. Ora, se os pais estão a favor da ministra é porque alguma coisa de bom ou muita coisa boa esta ministra tem feito, porque em princípio os pais não querem o mal dos seus filhos nem querem que eles sejam mal instruídos ou educados. Desta constatação é que não se pode sair, tal como 3x4=12, assim como não se pode desconhecer que o PS vai bem à frente nas sondagens e o primeiro-ministro vai muito à frente nos índices de popularidade relativamente aos líderes das oposições. Realmente há coisas fantásticas que o comum dos mortais não entende...”
José Medeiros, Oeiras
 
Esclarecimento:
 
Por falar em coisas fantásticas que o comum dos mortais não entende…
 
1. Sobre as associações de pais, alguém fez umas contas, outro dia, sobre a efectiva representatividade dessas associações, isto é, quantos pais é que, de facto, se fazem representar realmente por elas? Uma percentagem minúscula, se bem li. Na prática, as associações de pais, tal como os representantes dos pais de uma turma, pouco ou nada representam, pois a maioria dos pais demite-se do papel interventivo e activo que deveria ter nessas estruturas. Sobra, para alguns, o frete. Para outros, o trampolim para a fama ou voos políticos. Para mais, quando falamos de pais, estamos a falar de quem? Daqueles pais que recebem um telefonema da escola a alertar para o monte de miúdos e miúdas que o filho levou lá para casa à hora do almoço, aproveitando a ausência do resto da família, proporcionando oportunidades únicas de interacção humana, e respondem que não há problema porque estão todos a estudar, embora o filho esteja cravado de negativas? Daqueles pais cuja filha se enfia no quarto a navegar livremente na Internet, a ver TV, a trocar SMS pelo telemóvel e a ouvir música, e que depois acham que a menina tira negativas porque é perseguição dos professores, porque, afinal, a menina é um orgulho, pois passa os dias a estudar no quarto?
 
2. Acredito que os pais que estão à frente das associações de pais não querem o mal dos seus filhos, nem querem que eles sejam mal instruídos ou educados. Em princípio. O problema é muitos outros pais, em percentagem escandalosa, a quem pouco importa que os seus filhos sejam mal instruídos ou educados! Tudo é feito como se estes pais não existissem, como se não fizessem parte do sistema e como se não dependesse directamente deles a taxa de insucesso dos alunos do nosso país. Os pais com mais sensatez, com mais dedos de testa, topam à légua que algo não vai bem nestas medidas todas que estão a ser implementadas à marretada. Mas há um pormenor técnico que faz com que as associações de pais nunca estejam contra as medidas do governo: é que essas medidas nunca mexem com o seu papel de pais e com a sua família! Eles e os seus filhos, nunca são penalizados por uma prestação menos boa! Isso é que é mesmo fantástico!
 
3. Ao contrário de 3x4=12, as sondagens, os partidos políticos e a própria política em si, têm sempre um contexto condicionante. Eu, se fosse presidente de uma câmara municipal, poderia facilmente liderar qualquer sondagem, bastando, para isso, polir o lustro aos munícipes com infindáveis dádivas e medidas fantásticas, dando trabalho a metade da população, mesmo que com isso estivesse a afundar dramaticamente as finanças da autarquia e o seu futuro. Enquanto os munícipes não percebessem isso… Na educação, o jogo é em tudo político. Ataca-se o símbolo da autoridade e ganha-se a ovação delirante do povo. Falseiam-se estatísticas, mas a sua publicitação gera ainda mais palmas e manifestações de júbilo. Arranja-se um bode expiatório e a partir daí a culpa de todos os disparates cairá no pobre caprino.
publicado por pedro-na-escola às 07:51
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