Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Se não sabe, não passa

“Se sabe, passa. Se não sabe, não passa.” – palavras da ministra numa entrevista na RTP1, algures no tempo, ditas com uma convicção impressionante.
 
Devia ser assim, mas… e as Novas Oportunidades? E os Currículos Alternativos? Será assim?
 
Na semana passada, passou lá na escola um senhor de fato e gravata, para deixar folhetos das Novas Oportunidades, para distribuirmos por funcionários e encarregados de educação, no sentido de os despertar para a oportunidade de alcançarem qualificações académicas superiores.
 
Eu sabia que alguns deles - funcionários – já tinham concluído o “9ºano” às custas das Novas Oportunidades”. Isto é, sem concluírem com aproveitamento o 9º ano da escola pública portuguesa, tinham obtido um documento que certifica que possuem essas habilitações académicas. Presume-se que uma pessoa com um certificado de habilitações do 9º ano tenha passado por uma série de experiências de aprendizagem e exercitação da mente, ultrapassando-as com sucesso. Com as Novas Oportunidades, e até com os Currículos Alternativos, faz de conta que também sim.
 
O que eu não sabia, é que aquele senhor engravatado vinha “à procura” de interessados na segunda fase. Isto é, depois de certificados com o 9º ano sem o terem concluído com aproveitamento, teriam a oportunidade de serem certificados com o 12º ano sem o terem concluído. Nem começado, sequer.
 
Olhei para o senhor engravatado, depois para os folhetos, depois para o senhor, novamente, e novamente para os folhetos, como se estivesse a assistir a uma partidinha de ténis entre Helen Keller e Ray Charles.
 
Às vezes, parece que nada nesta profissão faz qualquer sentido…
publicado por pedro-na-escola às 21:49
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Segunda-feira, 17 de Março de 2008

A carroça à frente dos bois

Ainda no mesmo texto de apoio no site da DGRHE:
“Salientamos que não estamos a defender primeiro formem-se os avaliadores, depois podem avaliar.”
Ah! Claro! Faz todo o sentido que, primeiro, comecem a avaliar, e só depois recebam formação de como o fazer.
publicado por pedro-na-escola às 22:08
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A melhoria dos resultados

Confesso que ainda não consegui ler, até ao fim, uma única página das fichas de avaliação lançadas pelo ME, a propósito da avaliação do desempenho, nem as inúmeras fichas inventadas nas escolas. Todo este assunto continua a transcender-me, tanto pela desnecessária complexidade, como pelo que estará na sua base.
 
Buscando iluminação, fui à fonte contaminada e pouco credível que é o site da DGRHE. Dei de caras com um documento pomposamente intitulado “Textos de apoio”. Fiz o download e deparei-me logo com as suas autoras: Ângela Rodrigues e Helena Peralta, da Universidade de Lisboa. Na última das dezassete páginas de linguagem intragável, encontrei o que pretendia:
 
A avaliação de desempenho do pessoal docente visa a melhoria dos resultados escolares dos alunos e da qualidade das aprendizagens e proporcionar orientações para o desenvolvimento pessoal e profissional no quadro de um sistema de reconhecimento do mérito e da excelência. Constituem ainda seus objectivos contribuir para a melhoria da prática pedagógica do professor e para a sua valorização e aperfeiçoamento individual, permitir a inventariação das suas necessidades de formação, detectar os factores que influenciam o rendimento profissional dos professores, diferenciar e premiar os melhores profissionais, facultar indicadores de gestão em matéria de pessoal docente, promover o trabalho de cooperação entre os docentes, tendo em vista a melhoria dos resultados escolares e promover a excelência e a qualidade dos serviços prestados à comunidade.”
 
Eu, que sou barbeiro amador, ia jurar que, habitualmente, não é bem esta a intenção da avaliação do desempenho dos trabalhadores. Ia jurar que a avaliação do desempenho costuma incidir mais no desempenho que o trabalhador tem, na prestação do seu serviço. Ia jurar que costuma incidir mais no trabalhador em si, do que nos resultados do serviço que presta. Ia jurar, mas não tenho a certeza. Talvez me faça falta ler umas coisas sobre o assunto.
 
Curiosamente, a melhoria da prática pedagógica do professor, a sua valorização, o seu aperfeiçoamento individual, a inventariação das suas necessidades de formação, os factores que influenciam o rendimento profissional, e a diferenciação e o prémio para os melhores profissionais, vêm em segundo plano.
 
O que me faria mesmo bem ao espírito, era deitar para o lixo o modelo de avaliação do desempenho inventado pelo ME e criar um novo. Mas, primeiro, falta-me saber por que razão as empresas começaram a ter modelos de avaliação de desempenho e para que os querem.
publicado por pedro-na-escola às 21:35
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Sexta-feira, 14 de Março de 2008

Ah! Pois é!

À pressa e à força 
Fernando Madrinha, no Expresso
 
Burocrático, complexo, difícil de aplicar e com todas as condições para ser injusto, produzindo efeitos opostos àqueles que o Ministério pretende. É assim o sistema de avaliação de desempenho dos professores e qualquer pessoa o pode verificar lendo, não só o decreto regulamentar, como as fichas de avaliação e a parafernália de recomendações e decisões associadas. Por exemplo, aquele despacho segundo o qual, não estando ainda constituído o Conselho Científico para a Avaliação dos Professores, previsto na lei, fica a presidente, até agora a única nomeada, a responder pelas restantes 20 pessoas que hão-de vir a integrar a referida entidade. O que dizer de um sistema de avaliação que, para poder ser aplicado, obriga o Ministério a desvirtuar a lei que ele próprio elaborou? E o que pensar de um secretário de Estado que assim actua só para que tudo se faça à pressa e à força?
 
São múltiplos os aspectos práticos da avaliação que vêm perturbar ainda mais as escolas, como é o caso, por exemplo, de os professores avaliadores deverem assistir, neste ano lectivo 2007/2008, a pelo menos duas aulas dos colegas que vão avaliar. No limite, essa obrigação pode obrigar um professor a ter de faltar às suas próprias aulas para assistir às do avaliado, visto que o decreto só saiu no fim de Janeiro e os horários foram elaborados nas férias de Verão, podendo, portanto, sobrepor-se. Há também opções discutíveis, como a de os professores do último escalão serem avaliados como os outros: nada ficam a ganhar com uma avaliação excelente, mas podem ser penalizados se ela for negativa.
 
Mais importante e mais grave, porém, do que estas questões menores é a própria filosofia da avaliação. O desempenho do professor está praticamente indexado ao sucesso escolar dos alunos. E isto que, em tese, parece fazer todo o sentido, na prática comporta o maior e mais perverso dos riscos, que é o de muitos professores começarem a trabalhar só para a avaliação. Se para ter boa nota for preciso dar boas notas aos alunos, mesmo sem estes as merecerem, é isso que farão os mais carreiristas e por tal serão recompensados. Ao invés, por darem notas menos boas, ainda que justas, muitos docentes podem ser prejudicados na avaliação do seu desempenho, não por serem menos capazes, mas por serem mais exigentes, mais honestos e até mais competentes. Assim se promoverá uma injustiça e se dará uma nova machadada na qualidade do ensino.
 
A ministra Maria de Lurdes Rodrigues teve a coragem política de avançar com iniciativas necessárias para distinguir o trigo do joio no universo de pessoal docente. Mas com a urgência posta na aplicação de um sistema que nem sequer está devidamente regulado, faltando normas e regras previstas no próprio decreto regulamentar, corre o risco de desacreditar completamente o processo de avaliação. A insistência em aplicá-lo já este ano a trouxe-mouxe, só para o Ministério não perder a face, é a melhor forma de o matar.
publicado por pedro-na-escola às 07:30
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Quinta-feira, 13 de Março de 2008

Mais um a Leste…

A ministra, os sindicatos e a Educação 
Henrique Monteiro, no Expresso
 
Em quase tudo o que opõe os sindicatos dos professores à ministra da Educação, nenhum dos lados tem razão. Talvez por isso - e para citar o conhecido adágio - todos berrem.
 
Entre as diversas mudanças que o Ministério anunciou (as que fez e as que não fez), a lei da gestão e a ideia (não o projecto concreto) da avaliação têm bastante sentido e apontam o caminho bem-vindo de mais descentralização e mais exigência no ensino. Infelizmente, são a estas duas medidas que os sindicatos mais se opõem.
 
Claro que quase toda a gente percebeu que os sindicatos, mais do que defender os seus associados - os professores - defendem esquemas de poder nos quais os próprios sindicatos são parte. Tudo o que afecte este esquema, como retirar professores da gestão ou avaliar professores e hierarquizar os seus desempenhos, terão sempre a sua forte oposição. Ou seja, nos sucessivos debates nunca estão em cima da mesa aqueles que deveriam ser os interesses primordiais quer do Estado quer dos professores e, por esta via, dos próprios sindicatos: a qualidade da transmissão de conhecimentos, a qualidade do ensino nas nossas escolas.
 
Sobre isto nem o Ministério, nem os sindicatos gostam de falar. E aqueles docentes (cada vez mais, felizmente) que sobre isso se pronunciam parecem, por vezes, clamar no deserto.
 
Vejamos, por exemplo, o caso da avaliação dos professores. Se tudo fosse feito de forma simples (e não da forma pretensamente científica que os burocratas da 5 de Outubro gostam de apregoar), seriam considerados melhores professores aqueles cujos alunos tivessem melhores resultados. Simples? Para o Ministério não é, porque o Ministério se opõe a exames nacionais, cujos resultados seriam a única forma de aferir, de modo justo e igual para todos, os conhecimentos adquiridos.
 
Falar de exames é, também para os sindicatos, falar do diabo. Inventam milhares de argumentos contra a sua realização (como fazer depender de um único momento a avaliação de um ano, ou criar desigualdades regionais). Claro que tudo isto é conversa de puro medo. E o medo é compreensível: os exames poriam a nu a vacuidade de muito do que se ensina, a imbecilidade do sistema criado no Ministério e, simultaneamente, recompensaria professores e escolas que não são dadas como exemplo do 'eduquês' dominante.
 
Na guerra entre Maria de Lurdes Rodrigues e os sindicatos todos perdem. E quem mais tem perdido nos últimos anos são os alunos e os pais: tempo, dinheiro e conhecimentos.
 
Esta posição recorrente dos opinantes públicos, sobre a correlação entre os resultados dos alunos e a qualidade dos professores, é triste. Mais uma vez, insisto: os alunos não são bonecos de borracha com computador de bordo a quem se dão instruções e de quem se esperam, naturalmente, execuções a condizer. Quanto melhor a instrução, melhor a execução. Ou não. Um professor com alunos provenientes de famílias com expectativas de futuro, com culturas de exigência e com noções básicas de civismo e educação, terá obrigatoriamente melhores resultados que outro (ou até o mesmo) com alunos provenientes de famílias invadidas pelo alcoolismo, pela promiscuidade sexual, pela violência, pelo desleixo, pela inexistência de expectativas e por uma ausência total de regras, civismo e educação. Quero pensar que estas pessoas que assim opinam não são ignorantes ao ponto de não saberem que estas famílias existem e reproduzem-se como coelhos por todo o lado!
publicado por pedro-na-escola às 07:24
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Quarta-feira, 12 de Março de 2008

A nossa escola? Onde?

A vossa escola
Daniel Oliveira, no Expresso
 
Os professores têm toda a razão. O sistema de avaliação proposto pelo Ministério da Educação promove a injustiça, transformando em avaliador quem chegou ao topo sem ser avaliado. E assim se desacredita um instrumento fundamental para a qualificação das escolas. A ministra perdeu a oportunidade de dar uma verdadeira autonomia às escolas, continuando a fúria regulamentadora. E prepara-se para promover pequenos tiranetes nas direcções escolares. Mas, mais importante: não consegue trabalhar com os profissionais de que precisa para fazer qualquer mudança.
 
As reacções dos professores têm sido de justificada indignação. E nestes momentos dá-lhes para o melhor e para o pior. O melhor: protestar e, ao mesmo tempo, organizar-se para discutir o sistema educativo com o resto da sociedade. O pior: repetir, pela boca dos novos movimentos de professores, o que de mais demagógico e falso se tem dito e escrito sobre a escola pública. Que é facilitista; que, ao contrário do que acontecia no passado, se chega à Universidade sem se saber nada; que reina o caos e a indigência nas salas de aulas. É falso. Os alunos saem hoje da escola mais preparados do que saíam os seus pais e os seus avós. Hoje escreve-se melhor do que se escrevia. Lê-se mais e sabe-se mais. Investiga-se mais e melhor. Temos melhores técnicos e profissionais. Vejam todas as estatísticas: somos hoje um país mais escolarizado e melhor escolarizado. E isso foi obra da escola pública e universal e dos seus professores. Um feito conseguido em apenas trinta anos.
 
O pior que os professores podem fazer é cuspir no prato que eles próprios, com tanto esforço e com tão pouco reconhecimento, cozinharam. É um suicídio fazer coro com aqueles que atacando a escola pública estão, na realidade, a atacar tudo o que eles têm feito. Os professores precisam que os portugueses saibam que têm alguma coisa a defender. E têm: com muitos e graves defeitos, a escola mais democrática, universal e qualificada que o país já conheceu.
 
A realidade que se conhece condiciona os comentários que se fazem. Eu, se fosse professor apenas no Secundário, teria uma visão diferente da que tenho, sendo professor numa escola básica. E fosse professor universitário, como um dia fui, teria uma visão ainda mais distante, pensando que os alunos que chegam à universidade são um espelho dos que não chegam e dos que ficam pelo caminho algures entre o 6º e o 7º ano.
 
Mas é um facto que temos que ter cuidado com o que dizemos em praça pública. Com o que defendemos. E temos que defender, a bem da nossa profissão, o seu palco: a escola.
publicado por pedro-na-escola às 07:15
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Terça-feira, 11 de Março de 2008

Ao senhor Miguel

O senhor Miguel Sousa Tavares, em “A rua e o beco”, no Expresso, parece ter uma atitude mais comedida no ataque aos professores. E são dezenas os que o aplaudem e pedem bis.
 
Por causa disso, apetece-me escrever-lhe uma cartinha. Desconheço o e-mail do senhor, ou forma de lhe fazer chegar os escritos, pelo que por aqui me fico.
 
Senhor Miguel,
 
Há um ódio de estimação pelos professores que agora não está em causa. Há uma mania imparável de discursar sobre assuntos que não domina, mas isso agora não está em causa. Há uma ideia sobre o que é a Educação em Portugal, distorcida, mas não faz mal, nem é isso que está em causa.
 
Em causa, está um favorzinho que lhe queria pedir. A sua prosa tem alcance, pelo que pode prestar um serviço ao país com o agitar da pena.
 
Antes do favor, quero dizer-lhe que, apesar das suas ideias, apesar das notícias que invadem a comunicação social, apesar das opiniões deste ou daquele, o problema com a Educação em Portugal está completamente à margem de modelos de avaliação de professores, de modelos de gestão das escolas, de aulas de substituição, ou de outras quaisquer medidas que tenha conhecimento, quer as defenda ou não. Usando a célebre palavra da senhora Ministra da Educação, é “irrelevante” se os professores são avaliados desta ou daquela maneira, ou sequer avaliados, se quem dirige uma escola é um director ou um conselho executivo, e por aí fora. São tudo pormenores irrelevantes para o produto do sistema de ensino. É como passar graxa na carroçaria de um carro que se engasga, mudar-lhe as pastilhas dos travões, meter-lhe uma antena nova para o rádio ou lavar os tapetes. O carro engasga-se na mesma.
 
Agora, o favor.
 
Investigue. Vá para o terreno. Fale com os miúdos que têm insucesso. Fale com os miúdos que abandonam a escola. Fale também com os que têm sucesso e não abandonem a escola. Fale com vários. Fale com muitos. Compare. Tente estabelecer um padrão. Vá à raiz dos problemas e não fique pela rama. Aproveite e fale com os pais dos que têm sistematicamente insucesso. Vá a casa deles. Questione uns e outros. Argumente. Depois, escolha dois ou três que têm sistematicamente insucesso e disponha-se a ajudá-los durante umas semanas, acompanhando e aconselhando. Questione mais. Questione porque têm negativas neste ou naquele teste. Questione porque não aprendem nas aulas. Questione se vão às aulas de apoio oferecidas pela escola e, se forem, o que vão lá fazer. Enfim, investigue. Depois, sente-se no computador e escreva uns artigos de opinião sobre a Educação em Portugal e o nosso sistema de ensino. É um favor, o que aqui lhe peço, mas, ao mesmo tempo, considere também como um desafio.
 
Se quiser ir mais além, ofereça-se para ajudar um Director de Turma com uma boa dose de alunos com insucesso e comportamentos inadequados. Trabalhe com ele, faça-lhe propostas para resolver os problemas e disponha-se a partilhar a execução, no terreno, das suas propostas. Experimente. Fale com as famílias dos alunos. Vá a casa deles. Converse com eles. Acompanhe-os. Depois, sente-se no computador e escreva mais uns artigos de opinião sobre a Educação em Portugal e o nosso sistema de ensino.
 
E esqueça lá essas coisas da avaliação do desempenho, dos modelos de gestão das escolas, dos sindicatos, do corporativismo, do receio da mudança e de outros chavões.
publicado por pedro-na-escola às 22:55
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Que é...?

PS: Líder parlamentar rejeita período experimental na avalição dos professores
11.03.2008 - 17h34 Lusa
(retirado de www.publico.pt)
 
O líder da bancada parlamentar socialista, Alberto Martins, rejeitou hoje a necessidade de um período experimental na avaliação dos professores mas admitiu que possa haver alguma "flexibilidade nas soluções".
 
"Flexibilidade nas soluções é algo que deve ser experimentado mas sem pôr em causa o objectivo estrutural da avaliação" dos professores, afirmou Alberto Martins em declarações aos jornalistas no final de uma audiência com o primeiro-ministro, José Sócrates.
 
Questionado pelos jornalistas, Alberto Martins rejeitou a necessidade de um período exprimental antes da aplicação da avaliação dos professores em todas as escolas, afirmando que essa possibilidade não está em causa. "O período experimental não é uma questão que se coloque. A avaliação é um instruimento essencial para a qualificação dos portugueses a todos os níveis", disse.
 
(…)
 
Objectivo estrutural da avaliação dos professores?! Que é...? Alguém sabe?
publicado por pedro-na-escola às 21:40
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Eles não gostam dos professores 5

Comentários no Público sobre a Marcha da Indignação
(eu gosto mesmo de ler estas coisas… a sério… ler com atenção e tirar conclusões…)
 
09.03.2008 - 15h16 - Jerónimo Sousa, Parvónia
Já é tempo de colocar esses privilegiados a trabalhar. Os pais é que têm de fazer greve para que esses sorvedouros de dinheiro do Estado trabalhem e se comecem a importar com as crianças. Força srª ministra, coragem e coloque esses inertes na ordem.
 
09.03.2008 - 15h14 - Tristao da Silva, Costa da Caparica
Grande manif contra a ética do trabalho e da responsabilidade! Como querem que os portugueses produzam e apresentem níveis de produtividade mínimos se quem os "educa" faz a apologia da irresponsabilidade e do descanso! Como são profissionais qualificados, os professores trabalham 4 dias por semana (excepto os professores do 1º ciclo, a maioria dos professores tem um dia de folga) e como tal isto é demais para quem só quer paz e sopas! Trabalhem e depois protestem!
 
09.03.2008 - 12h57 - Manuel Abreu, Porto
Os professores transformaram-se nos metalúrgicos dos anos 70 e representam na estratégia do PCP exactamente o mesmo papel, a "vanguarda revolucionária ou muralha de aço do gonçalvismo". Como foi possível uma classe, apesar de tudo, com um grau de escolaridade quase sempre universitário ter-se deixado manipular deste modo! As imagens televisivas da marcha com os deputados do PCP a rirem alarvemente irão ser mostradas, para vossa vergonha, durante muitos anos.
 
09.03.2008 - 11h23 - Hari Prassad, Lisboa
Quem protesta pertence a uma de três categorias: não tem nada para fazer a um sábado à tarde (nem aulas para preparar), é militante do PCP ou prefere progredir automaticamente na carreira a ser avaliado (com as devidas consequências).
 
09.03.2008 - 10h53 - Anónimo, Guimaraes-Portugal
Será que o estado em que se encontra a educação é só o resultado das politicas dos governos? Os professores também não estão isentos de culpas. As avaliaçoes? Quem não deve não teme! Os professores tal como todos os funcionários publicos foram é mal habituados! Deviam ir trabalhar para o privado só 1 anito, e depois queria ver a cara deles?
 
09.03.2008 - 09h02 - Anónimo, Castedo
Em qualquer outro País do Mundo...os professores são avaliadados mas os Tugas...não. Passam umas horitas pela escola e passam a sofredores, por amor de Deus! Trabalhem 8 horas por dia, sejam avaliados e mais nada! Excepções...porquê? Também querem ser deputados em part-time?
 
08.03.2008 - 22h39 - Anónimo, Cruz Quebrada
SRA. Ministra, não ceda à chantagem! Mantenha-se firme que o povo está consigo.
 
08.03.2008 - 22h03 - Anónimo, Porto
E que tal começarem finalmente a trabalhar....a bem do ensino...Os professores estão-se nas tintas para os alunos. Se não houvesse regras que os penalizassem nem na escola punham os pés.. Não conheço classe profissional que recorra tanto ao atestado médico e não conheço noutras classes profissionais tanta gente reformada aos 50 anos por invalidez como esta classe. Aliás percebe se que a maioria não gosta do que faz e foram parar ao ensino porque não tinham outra escolha profissional.Com gente desta nada a fazer...
 
08.03.2008 - 19h56 - Maria Lisboa, Lisboa
Seguramente, na manifestação não estiveram só professores. Vi mulheres que gritavam quadras ordinárias alusivas à "saia da Carolina". Esta gente não pode pertencer à escola pública. 
 
08.03.2008 - 20h16 - Fernando Costa, Coimbra
Perante o que vi e ouvi hoje, perante a imagem que os professores da manif me deixaram, perante os argumento que ouvi, sugiu-me uma evidência: vou tirar as minhas filhas do ensino público. Não ouvi nenhum professor falar nos alunos: só no dinheiro, no emprego, na reforma, nunca na qualidade, nunca na promoção do saber.
 
08.03.2008 - 19h58 - Anónimo, Lisboa, Portugal
Nao deixes este bando de mandrioes por termo 'as reformas do sistema de educacao! Portugal esta na cauda da Europa por causa da incompetencia dos professores em Portugal. Sera que se pode abrir as portas a professores de outros paises da Uniao Europeia para virem ensinar para Portugal e substituir esta cambada de mandrioes incompetentes? 
publicado por pedro-na-escola às 07:24
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Afinal…

Poder aos professores 
Inês Pedrosa, no Expresso
 
OS PORTUGUESES confiam, acima de tudo, nos professores. E querem dar-lhes mais poder. A revelação surge numa sondagem feita pelo Instituto Gallup para o Fórum Económico Mundial - que aponta "os políticos" como os seres menos confiáveis. É natural. O ar do tempo está saturado de corrupção - da ilegítima, tradicional, e da legítima, pós-moderna. A população que vive a contar tostões, num país cujo primeiro-ministro usa a palavra "orgulho" para qualificar um salário mínimo de 426 euros, está, mais do que farta, exasperada com os ricos. E ricos são os políticos, que usam os lugares de serviço público como um estágio pré-remunerado para opíparos e vitalícios tachos em empresas privadas ou participadas pelo Estado. Ricos são os banqueiros, que têm garantidas reformas de milhões de euros, façam o que fizerem com as poupanças que lhes confiamos - e idem para o governador do Banco de Portugal e para os administradores das empresas públicas. Em Portugal, a média de salários é mais baixa do que na União Europeia (a começar por Espanha, onde uma nova vaga de emigrantes portugueses se instala agora), mas os salários mais altos excedem os similares da Suécia ou mesmo dos Estados Unidos da América - o que é, como se sabe, um grave indicador de subdesenvolvimento. O Governo pede ao povo que aperte mais um furo do cinto - e todos os dias, de cinto apertado, o povo assiste na televisão aos enredos amorosos entre a banca pública e privada ou entre a acção política e a administração das empresas dependentes dessa mesma política - histórias cujo final feliz é sempre o mesmo: o euromilhões dos poderosos e a subida do preço do leite (ou da gasolina, ou da dificuldade de acesso aos empréstimos bancários) para a arraia-miúda.
 
A população que resta no desvalido interior onde não chegam as auto-estradas (ou só chegam as auto-estradas) e que vê desaparecerem todos os serviços de saúde de proximidade em prol de ambulâncias supersónicas (mas sem médicos), não tem ânimo para confiar em mais promessas nem em mais doutores e engenheiros de Lisboa. Confia, e bem, nos professores - esses "setôres" mal pagos e mal tratados que procuram meter qualquer coisa de futuro na cabeça dos meninos, em escolas às quais os computadores do choque tecnológico chegam primeiro do que os aquecimentos e os ginásios.
 
Claro que há professores e professores - é assim em todas as profissões. Ensinar não é fácil, exige vocação - e sabemos a que ponto as vocações andam perdidas no turvo oceano do numerus clausus e do desemprego. Acresce que as reformas da Educação têm sido tantas, tão frustres e contraditórias, que a quantidade de professores efectivamente cultos e empenhados que temos é ainda um milagre. A autoridade dos professores foi, ao longo das últimas décadas, sujeita a tratos de polé, enquanto os direitos dos alunos cresceram de uma forma tão avassaladora que se viraram contra eles mesmos: podendo tudo, não aprendem nada.
 
"Aquilo na Wikipédia está tudo tão bem escrito que não vale a pena nós mudarmos nada", declarava ao jornal "Público" (26.1.2008), entre risos, uma jovem de 14 anos. Assim se vê o esplendor do choque tecnológico - para quê ler o padre António Vieira (cujo quarto centenário se celebra, embora quase ninguém dê por isso, no próximo dia 6), quando a sua vida e obra se encontram tão bem resumidinhas na Internet? Cópias de artigos da Net (com hiperligações e tudo) é o que encontram os escritores portugueses que ainda se disponibilizam a ir às escolas para estimular os meninos que, supostamente, estão a estudar as suas obras.
 
Há excepções - mas são isso mesmo, excepções, e sempre desconsideradas. Porque a autoridade dos professores não se repõe à força, com directores autocráticos substituindo os conselhos directivos das escolas. Repõe-se promovendo uma cultura de responsabilidade e consequência - essa que desapareceu quando, em vez de escolas autónomas, passámos a ter "agrupamentos escolares" e, antes disso ainda, quando os programas escolares se vergaram ao "sentido lúdico" e aos supostos "interesses" dos alunos.
 
Há tempos, o, entretanto defunto, jornal "Tal e Qual" perguntou-me se os péssimos resultados escolares das crianças portuguesas significavam que elas eram mais burras do que as crianças do resto da Europa, ou se a culpa era dos professores. Respondi que as nossas crianças são iguais às outras, e que me parecia que a culpa era, por esta ordem, dos programas do Ministério da Educação, que, além de maus, estão sempre a mudar, e nalguns casos certamente, também, dos professores - que não têm sido incentivados, nem material nem espiritualmente, a melhorar o seu trabalho, antes pelo contrário. O "Tal e Qual" resumiu estes dizeres numa linha, que fazia dos professores os maus da fita. Seguiu-se uma campanha furiosa na Internet, exortando as escolas a que desaconselhassem os meus livros, promovida por professores leitores do "Tal e Qual" - e, pelos vistos, não do Expresso.
 
Pelo menos, os portugueses sabem que é na qualidade da Educação que se encontra a chave do desenvolvimento do país. E que não há computador que compense a falta de um bom professor.
 
À Inês Pedrosa as minhas desculpas pelos pensamentos bélicos.
publicado por pedro-na-escola às 07:07
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