O novo modelo de gestão proposto pela ministra e pelos seus lacaios esconde interesses obscuros, que ainda não consegui decifrar. No entanto, é fácil apontar aspectos escandalosos. Se é que, hoje em dia, sob a bandeira de José Sócrates, alguma coisa é escandalosa! O novo modelo aponta para a figura de um senhor director, todo poderoso, em substituição das actuais equipas executivas. Vamos imaginar uma escola perdida nos montes, de pequena dimensão. É aberto o período de candidaturas para director. Qualquer pessoa que preencha os requisitos, pode chegar-se à frente e candidatar-se. Ou porque teve formação na área da gestão escolar, ou porque fez parte de um conselho executivo. O acréscimo de responsabilidades que assenta numa pessoa única, bem como algumas limitações de direitos que são impostas, levam potenciais candidatos locais a não se apresentarem. De longe, chegam candidaturas de pessoas desconhecidas, que também desconhecem a escola, o contexto social e económico da população, os profissionais que nela labutam, o parque escolar, as dificuldades, etc. Candidatam-se, porque podem candidatar-se. A lei assim o permite. Apresentam-se com um projecto de intervenção para uma escola que desconhecem. O conselho geral, na falta de candidatos conhecidos, é obrigado a optar por um desconhecido que virá – todo poderoso – governar uma instituição que desconhece. Competirá ao novo director, nomear adjuntos e coordenadores, que antigamente eram eleitos: os primeiros através da lista para o conselho executivo e os segundos por eleição entre os seus pares. Vai nomear pessoas que desconhece, para cargos vitais na escola. Pessoas que podem, à partida, recusar-se. Poderão recusar-se ser adjuntos de um director que desconhecem? O modelo baba-se com o discurso da democracia nas escolas. Não vejo onde. Em termos práticos, será fácil a um director governar uma escola a seu belo prazer – nomeia os seus amigos para adjuntos e coordenadores, dominando o conselho pedagógico e, por conseguinte, toda a escola. É a verdadeira democracia moribunda, o ambiente preferido de homens como José Sócrates e de mulheres como Maria de Lurdes Rodrigues.