Sábado, 1 de Março de 2008

Tudo o que quer saber - parte 6

Comentário:
“Não sou professor e por isso não vou correr o risco de ser injusto para os professores ou para a ministra e o governo. Mas há uma coisa que me mete confusão nesta polémica de alguns professores contra a ministra da educação, é que as associações de pais estão em geral a favor das medidas da ministra, não só desta da avaliação dos professores, mas de todas as outras que até agora têm sido promovidas por este governo. Ora, se os pais estão a favor da ministra é porque alguma coisa de bom ou muita coisa boa esta ministra tem feito, porque em princípio os pais não querem o mal dos seus filhos nem querem que eles sejam mal instruídos ou educados. Desta constatação é que não se pode sair, tal como 3x4=12, assim como não se pode desconhecer que o PS vai bem à frente nas sondagens e o primeiro-ministro vai muito à frente nos índices de popularidade relativamente aos líderes das oposições. Realmente há coisas fantásticas que o comum dos mortais não entende...”
José Medeiros, Oeiras
 
Esclarecimento:
 
Por falar em coisas fantásticas que o comum dos mortais não entende…
 
1. Sobre as associações de pais, alguém fez umas contas, outro dia, sobre a efectiva representatividade dessas associações, isto é, quantos pais é que, de facto, se fazem representar realmente por elas? Uma percentagem minúscula, se bem li. Na prática, as associações de pais, tal como os representantes dos pais de uma turma, pouco ou nada representam, pois a maioria dos pais demite-se do papel interventivo e activo que deveria ter nessas estruturas. Sobra, para alguns, o frete. Para outros, o trampolim para a fama ou voos políticos. Para mais, quando falamos de pais, estamos a falar de quem? Daqueles pais que recebem um telefonema da escola a alertar para o monte de miúdos e miúdas que o filho levou lá para casa à hora do almoço, aproveitando a ausência do resto da família, proporcionando oportunidades únicas de interacção humana, e respondem que não há problema porque estão todos a estudar, embora o filho esteja cravado de negativas? Daqueles pais cuja filha se enfia no quarto a navegar livremente na Internet, a ver TV, a trocar SMS pelo telemóvel e a ouvir música, e que depois acham que a menina tira negativas porque é perseguição dos professores, porque, afinal, a menina é um orgulho, pois passa os dias a estudar no quarto?
 
2. Acredito que os pais que estão à frente das associações de pais não querem o mal dos seus filhos, nem querem que eles sejam mal instruídos ou educados. Em princípio. O problema é muitos outros pais, em percentagem escandalosa, a quem pouco importa que os seus filhos sejam mal instruídos ou educados! Tudo é feito como se estes pais não existissem, como se não fizessem parte do sistema e como se não dependesse directamente deles a taxa de insucesso dos alunos do nosso país. Os pais com mais sensatez, com mais dedos de testa, topam à légua que algo não vai bem nestas medidas todas que estão a ser implementadas à marretada. Mas há um pormenor técnico que faz com que as associações de pais nunca estejam contra as medidas do governo: é que essas medidas nunca mexem com o seu papel de pais e com a sua família! Eles e os seus filhos, nunca são penalizados por uma prestação menos boa! Isso é que é mesmo fantástico!
 
3. Ao contrário de 3x4=12, as sondagens, os partidos políticos e a própria política em si, têm sempre um contexto condicionante. Eu, se fosse presidente de uma câmara municipal, poderia facilmente liderar qualquer sondagem, bastando, para isso, polir o lustro aos munícipes com infindáveis dádivas e medidas fantásticas, dando trabalho a metade da população, mesmo que com isso estivesse a afundar dramaticamente as finanças da autarquia e o seu futuro. Enquanto os munícipes não percebessem isso… Na educação, o jogo é em tudo político. Ataca-se o símbolo da autoridade e ganha-se a ovação delirante do povo. Falseiam-se estatísticas, mas a sua publicitação gera ainda mais palmas e manifestações de júbilo. Arranja-se um bode expiatório e a partir daí a culpa de todos os disparates cairá no pobre caprino.
publicado por pedro-na-escola às 07:51
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