Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

O exercício da comparação

Preparem-se Portugueses. Ainda não viram nada. Pelo andar da carruagem ainda vão ver coisas como: os juízes avaliados pelo número de condenações proferidas; os bombeiros pelo número de fogos que apagam; os médicos pelo número de vidas que salvam; a brigada de intervenção da GNR pelo número de "bastonadas" que dá... Enfim, podia ser uma lista interminável de ridículos…” 
Este era o comentário de alguém num jornal online, a propósito da avaliação do desempenho dos professores. Gostei, particularmente, da comparação com os médicos: serem avaliados pelo número de vidas que salvam. Gostei, porque há semelhanças evidentes. A começar, pelo misterioso interesse político em que os médicos fossem avaliados por esse indicador. Seria para mostrar estatísticas? Seria para ocultar deficiências do sistema? A capacidade e os conhecimentos para salvar vidas, não podem ser encaradas como obrigatoriamente consequentes em termos de resultados. Não há milagres! Não se pode obrigar um corpo humano completamente destruído a sobreviver, da mesma forma que não pode um professor obrigar um aluno a aprender, quando ele não quer mesmo aprender. Tal como não pode o médico ligar alguns órgãos vitais a uma máquina, deitando fora o resto do corpo, e pavonear-se que o seu paciente sobrevive, também o professor não deve atestar que um aluno sabe, quando não sabe mesmo, só para que alguém, lá em cima, se encha de vaidade por ter tantos alunos a transbordar de uma suposta sabedoria.
publicado por pedro-na-escola às 08:01
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1 comentário:
De Ana a 28 de Fevereiro de 2008 às 13:43
À semelhança do que tem acontecido em vários capitais de distrito, também em Lisboa vai haver uma mobilização de professores no dia 1 de Março, às 16 h, no IPJ.

A hora é de união, independentemente da cor política ou sindical. Há uma coisa que todos temos em comum: somos professores e estamos a ser humilhados enquanto assistimos à completa degradação do nosso sistema de ensino. A situação é ainda mais grave para todos os que, como eu, têm filhos.

Por isso, seria bom estarmos em massa no dia 1 no IPJ não só para nos informarmos mas também para mostrarmos que não nos vergamos. Não me canso de repetir o que diz a canção: "Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar!"

Já não há espaço para os NINS.


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