Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Em defesa da escola

Já era tempo de as reclamações dos professores passarem para outro patamar. Deixar-se o patamar do “nós”, enquanto trabalhadores, e subirmos para a projecção dos jovens na sociedade, depois de saírem da escola. Perdemos muito por associarem as nossas reclamações à defesa da classe profissional, no objecto dos respectivos direitos, regalias e rendimentos. Associam e com razão. É o congelamento da carreira, o objectivo claro de reduzir os custos com os vencimentos dos professores, a pressão, a avaliação “nonsense”, etc. Temos muito que reclamar, é certo. Mas isto começa a tomar proporções e os efeitos nefastos das invenções do ME ficam bem acima dos problemas que nos afectam pessoalmente, enquanto trabalhadores. Efeitos na sociedade, quando as crianças e os jovens forem homens e mulheres, depois de saírem desta escola. Efeitos que se farão sentir daqui a alguns anos e pelos quais ninguém será responsabilizado. Efeitos no futuro do país, que começa a ficar seriamente comprometido. Já era tempo de aparecer um movimento em defesa da escola, que não defendesse os professores e a sua classe profissional, e que não se confundisse com qualquer sindicato ou partido político. Um movimento que apontasse os defeitos e as virtudes da escola actual, que apontasse soluções, e que fosse capaz de, ao mesmo tempo, apontar também os defeitos e as virtudes dessas soluções – porque nada é perfeito, mas tudo deve ser ponderado. Um movimento sem teorias líricas, sem desculpas infundadas, completamente baseado no cenário real das nossas escolas e da nossa sociedade. Enfim, sonhos…
publicado por pedro-na-escola às 08:50
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2 comentários:
De José Luiz Sarmento a 20 de Fevereiro de 2008 às 19:18
Andei muito tempo a militar por uma organização que defendesse os professores, não do ponto de vista das reivindicações laborais, mas a partir da vertente deontológica da sua profissão. Não deu em nada. Os sucessivos governos opuseram-se ferozmente, e os principais sindicatos também.


De pedro-na-escola a 20 de Fevereiro de 2008 às 22:03
É uma pena que não tenha andado para a frente pelos bloqueios. É interessante o motivo pelo qual governos e sindicatos se opuseram assim dessa forma feroz... Eu acho que, cada vez mais, o país precisa de um movimento assim... é uma nação e uma sociedade cujo futuro começa a ficar cada vez mais negro... sem ninguém parecer dar conta...


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