Segunda-feira, 27 de Junho de 2011

O que vai ficar por fazer

Portanto, à cabeça temos um conhecido matemático e suposto crítico do “eduquês” e das políticas educativas do anterior governo, cuja voz incomodativa desapareceu subitamente de cena graças a um generoso convite para presidir a uma instituição que, enfim. Logo abaixo, para tratar da saúde ao ensino básico e secundário, temos uma doutoradaem psicologia. Confessoque não me “cheira”.

 

Por mais mudanças que este novo elenco faça, há uma que creio piamente vai ficar por fazer, sem a qual todas as outras serão genericamente inconsequentes. Ou seja, há um aspecto na Educação neste país que impera mudar radicalmente, sendo que só depois desta mudança valerá a pena investir energias a outras mudanças. Falo da indisciplina, aquele estado de espírito que abunda por aí, em que cada um e cada qual se acha no pleno direito de fazer o que lhe dá na real gana, como se tudo fosse uma completa anarquia.

 

Mas, não me parece. Vão, eventualmente, mexer nas fusões dos agrupamentos, no modelo de gestão das escolas, nos concursos, nos currículos, na avaliação de desempenho, no ingresso na carreira, etc., mas tudo será inconsequente. Continuaremos na mesma, como a lesma. Talvez haja, até, um decréscimo nos resultados escolares (mais insucesso), caso apertem a malha do rigor e da exigência com exames.

 

Porque, embora a malta faça vista grossa a este pormenor, o certo é que, nos países que lideram o ranking mundial, a indisciplina é intolerável. Obviamente! Ou não fosse, simplesmente, incompatível com a aprendizagem.

 

Eventualmente, Nuno Crato repetirá o seu discurso contra a indisciplina. Mas, a solução passará, obviamente (seria bom eu estar enganado), por proporcionar aos professores (mais) formação sobre como lidar com a indisciplina. Porque a indisciplina é para continuar. Para tolerar. A malta é que tem que saber lidar melhor com ela.

 

Tratar a indisciplina como um comportamento intolerável, com as devidas e pouco ligeiras consequências para os prevaricadores e respectivas famílias, seria o primeiro passo para uma verdadeira mudança da Educaçãoem Portugal. Tudoo resto, é paisagem.

 

Aliás, no dia em que surgir um governante capaz de operar esta mudança, é certinho que muita coisa mudará no país, a começar pela (elevada) sinistralidade rodoviária, que existe pela mesma razão que existe a indisciplina na escola e a corrupção em todo o lado: cada um pode fazer o que quer e lhe apetece, e só com muito azar terá sobre si alguma consequência.

publicado por pedro-na-escola às 22:33
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