Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

O professor João

Já com idade para ser meu pai, o João era professor naquela escola há muitos anos. Já se evitava dar-lhe actas para secretariar e quanto menos escrevesse no quadro, melhor, tal era a coisa. O que vale, é que trabalhava sempre em par pedagógico, e a colega sempre conseguia disfarçar o desastre perante os alunos. Nas relações com os outros professores, era bruto que nem um chaparro. Insistia em fumar na sala dos professores, mesmo com colegas grávidas presentes, e quando se lhe pedia educadamente para parar de fumar, respondia com aquele ar de direito absoluto, recusando-se largar o cigarro ou mudar-se. O João, era daquele tipo de fulanos que não deveriam ser professores. O sistema de avaliação dos professores da altura, que durou até esta recente diarreia intelectual da ministra e dos seus tenentes, permitia-lhe um satisfaz-chapa-cinco de cada vez, tal como todos os outros. Nos “corredores”, eu costumava reclamar com o sistema, por permitir que gente como ele continuasse a receber a mesma menção que os mais empenhados e competentes. E que continuasse a ser professor. Eu costumava reclamar por um sistema de avaliação que distinguisse os professores, que penalizasse os que não prestam, e que premiasse os que são bons. Infelizmente, a ministra não ouviu as minhas reclamações. Porque, infelizmente, a ministra inventou um sistema de avaliação tão patético, tão idiota, que o João foi promovido a professor titular e agora vai avaliar os outros professores…
publicado por pedro-na-escola às 08:51
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4 comentários:
De Artur Matos a 21 de Fevereiro de 2008 às 00:26
- Caro colega, a mim aconteceu um caso pior: no meu Departamento houve apenas duas vagas para titular, tendo eu - que fiquei em 3.º lugar na pontuação de acesso - sido ultrapassado por um colega muito pior que o»João» que refere! Se não repare-se:o dito cujo, duma incompetência atroz, incapaz mesmo de dar uma aula minimamente decente, foi obrigado a assumir a Coordenação do Departamento Curricular este ano lectivo. Mal o 1.º período terminou, e tomando consciência súbita da sua incapacidade - a chacota e incompetência era tão evidente que não sabia o que fazer nas suas novas funções -, abandonou a escola e não mais apareceu até hoje. Terá alegado «incapacidade mental» e aguarda chamada de junta médica para se reformar! Incrível , não é verdade?! Pois, mas a sua titularidade (pseudo) tirou-me o cargo que ocupava há três anos e impediu-me de aceder ao «supremo» título da carreira! E esta hein?! Aí está o resultado da perversidade das leis ministeriais em todo o seu esplendor...

Artur Matos


De pedro-na-escola a 22 de Fevereiro de 2008 às 18:03
Xii... a coisa ainda consegue ser mais preta do que eu a pintava... e isto não devem ser propriamente casos raros e pontuais... ou, pelo menos, não serão tão raros e pontuais quando o desejaríamos... obrigado por partilhar esse desgosto.


De Daniel a 24 de Fevereiro de 2008 às 01:45
colegas,

O concurso para titulares foi a pior legislação que este governo produziu, o que não é fácil, talvez a par do Estatuto do Aluno.

Esses problemas ocorrem em escolas com poucos titulares, um ou dois, onde não há margem de escolha. Na minha em 130 professores do quadro mais de 100 são titulares, pois muitos eram professores do antigo 10.º escalão.

Mas não achas que esses professores com estas fichas de avaliação terão avaliação negativa?


De pedro-na-escola a 24 de Fevereiro de 2008 às 15:29
Sinceramente, não sei se terão avaliação negativa. Quando se afunda o sistema em papéis, e quem avalia ainda mais adora papéis, temo pela qualidade e justiça da avaliação que é feita.
Para mais, as pessoas das estruturas do ME assumem descaradamente que na avalição do desempenho o que interessa mesmo à senhora ministra é o insucesso e o abandono escolar... Dito na minha frente! Números, portanto.
A ver vamos...


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