Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

Mega-Agrupamentos 4 - a parte “cómica”

Esta “onda” dos mega-agrupamentos está a ser feita em cima do joelho e atabalhoadamente. Para ter a certeza disto, basta atender ao que se passa num certo agrupamento no concelho de Seia, onde o processo de eleição do director terminou há cerca de uma semana, sendo que ainda antes de tomar posse, o senhor será informado de que, afinal, é um “director fantasma”, pois que a instituição que o elegeu irá desaparecer do mapa dentro de um mês. Ora, se a DREC acompanhou o processo, ou, pelo menos, teve conhecimento, como se explica que tenha deixado a coisa andar? Obviamente, porque está tudo à deriva e tudo anda a ser feito em cima do joelho. Cómico! Tristemente cómico!

 

O que vai acontecer com as candidaturas ao POPH para financiamento de cursos (CEFs, EFAs, etc.)? E com o próprio financiamento em curso? Estamos a falar de instituições que deixam de existir como agrupamentos. Será que alguém pensou nisto?

 

E o crédito horário? Como será atribuído e gerido? Imagine-se, um professor com várias horas de redução do 79º, a deslocar-se a uma escola do mega-agrupamento, a 20 km de distância, para fazer horas de substituição ou dar apoios! Porque é que uns terão de fazer esses 20 km, e outros não? É muito dinheiro em gasolina no final do mês. Um agrupamento que tenha muito poucas horas somadas de redução do 79º, usufruindo de um crédito horário generoso, ao fundir-se num mega-agrupamento, conseguirá usufruir de horas para apoios, por exemplo?

 

Departamentos curriculares em mega-agrupamentos com 80 ou 100 pessoas, pode tornar-se anedótico. Ou caótico. O que se poupa em dinheiro, poupa-se igualmente em eficiência. Estruturas com largas dezenas de pessoas tornam-se ineficientes e inúteis. A verdade, é que, aqui, não interessa que as coisas funcionem. Aliás, neste país, cada vez mais, o que menos interessa é a eficiência e a produtividade.

 

Quanto se irá gastar ao reformular-se o estacionário de 1200 agrupamentos, para se converterem em 400 mega-agrupamentos? Não será um punhado de trocos, certamente.

Que eleições serão aquelas para o Conselho de Escolas, já a 15 de Julho? Será um órgão consultivo constituído por “membros fantasmas”? Por alturas de arranque do próximo ano lectivo, os directores de então, não serão, seguramente, os directores de hoje.

 

Uma das metas em cima da mesa, é um órgão de gestão único em cada concelho. Tudo em nome da redução das despesas do Estado. Por mim, fazia-se contas aos recursos humanos e físicos afectos às várias estruturas do Ministério da Educação (nacionais, regionais e zonais), e abatiam-se todos de uma só vez. Pesam muito mais na balança da inutilidade do que na da utilidade… e pesam muito, mas mesmo muito, na balança da despesa pública!

 

Por falar em incompetência (porque tudo isto resulta de muita incompetência concentrada), consta que a própria directora regional não saberá responder à esmagadora maioria das dúvidas colocadas pelos directores a quem dá a notícia da fusão. Dúvidas sobre a aplicabilidade prática da fusão em mega-agrupamentos. Consta (leia-se “ouvi dizer”) que tem aconselhado os senhores directores a aconselharem-se junto de quem já tem experiência prática nessa coisa de mega-agrupamentos, embora também conste que as experiências de mega-agrupamentos não correram nada bem. Ou seja, aproxima-se a bagunça.

 

Ainda que o Ministério da Educação, ou as próprias direcções regionais, atirem para os mega-agrupamentos os habituais pacotes de legislação (também ela produzida em cima do joelho) a estabelecer as regras práticas que assistem à nova realidade, há uma certeza que resulta da análise do passado: quem produz a legislação e quem inventa essas regras, são pessoas que, por norma, não sabem o que se passa na gestão de uma escola e que, por isso mesmo, vão simplesmente debitar uma enormidade de disparates.

 

publicado por pedro-na-escola às 16:12
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4 comentários:
De Daniel a 29 de Maio de 2010 às 02:25
Sobre isto o Paulo Prudêncio escreveu um bom texto:

http://correntes.blogs.sapo.pt/683554.html

Uma coisa é certa: fosse a gestão de rede escolar da responsabilidade das autarquias e na disto aconteceria.



De graça sampaio a 1 de Junho de 2010 às 21:32
A directora regional não sabe responder a esta questão nem a nenhuma! E já a anterior assim era. Quem dá as respostas (tortas e ambíguas) é o Sr Apolinário, o Mr KnowAll lá do sítio... Então e se extinguissem as DRE não se poupava imenso dinheiro? Mandavam~se aqueles destacados todos para as escolas e era uma poupança. Agora mega-agrupamentos... vai ser cá uma bagunça!


De Anónimo a 17 de Junho de 2010 às 18:39
Mais um Mega-Agrupamento em Ansião - Leiria. Deixa de existir os agrupamentos de escola de Ansião e Avelar. Passa a existir o Mega-Agrupamento de Ansião.

Este país está a precisar de uma revolução!


De J.Ferreira a 4 de Julho de 2010 às 23:33
Olá Caríssimos leitores. Custa-me a acreditar como é que andaram nas nuvens durante tantos anos e não tenham lido nunca, nesta blogosfera, este texto que foi publicado em 2003. Autonomia Conquistada Vs Autonomia Enquistada. Abram e leiam para perceber como uns contam histórias… e outros escrevem a História antes da História. Não me contem histórias... Vejam "claramente visto" como foram enganados como o lavrador enganou o burro com a cenoura... e fiquem parados. Continuem tranquilos que ainda mais vem aí... A Autonomia vai passar a ser a nomeação dos caciques... Daqui a pouco teremos instalado o sistema soviético com Pit-buls por todo o lado. Aqueles que “cacarejarem”; colocam a própria cabeça a prémio. Depois de darem o lugar de gestor dos Hospitais aos políticos nomeados, chegou a vez de criarem os lugares com salários milionários na gestão dos MEGA AGRUPAMENTOS para os tornarem apetecíveis para os boys do partido... Duvidam? Esperem para ver (dizia isto em 2002).. Nós já tínhamos avisado. Em 2002 escrevemos um artigo que só em 2003 viria a ser publicado. Assim, desde 2003 que existe um artigo denunciando as intencionalidades governativas... Assim, já tínhamos previsto que tal iria suceder. Os socialistas usam estas estratégias de legitimação da acção governativa, destruindo os sistemas vigentes usando estratégias semelhantes às do camponês que coloca “cenouras diante de burros” para que eles se entusiasmem e andem mais depressa... Tudo estava previsto desde 2003... O que esteve em causa foi a imposição de uma filosofia socialista que George Orwell, na sua obra “Animal Farm” (“O triunfo dos porcos”) apresenta a evolução da postura dos “Porcos” (políticos) para levar a bom porto a revolução na extinta URSS e a instalação de um “Regime Socialista”. Numa primeira fase promove-se a competência e conquista-se o entusiasmo dos professores vendendo-lhes o direito à autonomia pedagógica e administrativa, vendendo um autonomia que deveria ser desejada para melhor gerir a “quinta educativa” (escola) e depois massacram-se os professores. Desafio-vos a visitar Novas Pedagogias ou Novas Correntes da Educação ?.


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