Terça-feira, 4 de Maio de 2010

Pois, realmente, não foi um simulacro

Segundo a ministra da Educação, ouvida pela Comissão Parlamentar da Educação, Ciência e Cultura, foram avaliados 103.628 professores e destes 2957 foram classificados com "Excelente" e 14.448 com "Muito Bom". "Seria manifestamente injusto que os Excelente e Muito Bom neste momento vissem não ser considerada a avaliação do seu desempenho", afirma Isabel Alçada. "A avaliação não é um simulacro que não serve para nada", justifica.

in www.publico.pt (4 Maio 2010)

 

Se eu fosse concorrer, nesta altura do campeonato, também não me faltariam razões para me queixar. Fui pretensamente avaliado no meu desempenho, segundo a aberração da Portaria nº 1317/2009 (regime de avaliação dos membros de órgãos de gestão), mas, na prática, e tal como explicita descaradamente a portaria, apenas foi feita uma ponderação do meu currículo!

 

Quanto ao presente concurso, tenho que concordar com Isabel Alçada: a avaliação não foi, realmente, um simulacro. Foi, com toda a certeza, uma palhaçada sem nexo. E, de facto, serviu para alguma coisinha, pois tinha o objectivo claro de alimentar algumas bocas: a boca das finanças, a boca da teimosia e a boca alarve dos teóricos-da-treta que criaram e apoiaram o modelo-faz-de-conta de avaliação do desempenho docente.

 

Nunca é demais repetir que o modelo-faz-de-conta padeceu de um “mal” basilar que, do meu ponto de vista, o descredibiliza do princípio ao fim. Este “mal”, ignorado pelos iluminados como se fosse insignificante, é a ausência total de algo que desse alguma credibilidade aos avaliadores. Ou seja, o Ministério da Educação não cuidou de seleccionar, cuidadosamente, quem iria desempenhar as funções de avaliador. Caricatamente, o Ministério da Educação conseguiu a extraordinária proeza de promover a avaliadores alguns dos maus professores que deveriam ser afastados do sistema de ensino! De onde se deduz, sem pensar muito, que as avaliações daí resultantes valem menos que uma carica ferrugenta!

 

No caso da minha escola, apenas uma professora requereu aulas assistidas. Veio um colega de outra escola, do mesmo grupo de recrutamento, que ninguém cuidou de verificar se era um bom profissional, e pimba! Só um louco é que pode pensar que isto foi um processo credível e sério!

 

Junte-se, a isto, as dezenas de milhar de professores que não requereram aulas assistidas e que, por conseguinte, foram avaliados assim como que administrativamente, embora o Ministério da Educação insista em passar a mensagem de que alguém lhes avaliou o desempenho. E junte-se os que tiveram mais do que 7,9 valores, mas que tiveram o azar de estar na escola errada, porque se estivessem na escola ao lado, poderiam ter Muito Bom, em vez do simples Bom com que foram brindados. Uma diferença pontuável, que depende da sorte, em vez de depender do desempenho! E que pode fazer a diferença entre ter ou não emprego no próximo ano, ou, mesmo tendo, pode fazer a diferença entre 20 ou 400 km, com implicações brutais ao nível do orçamento familiar.

 

A noção de “injustiça” da senhora ministra, como se percebe, é, no mínimo, maquiavélica... 

 

publicado por pedro-na-escola às 23:19
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