Sexta-feira, 26 de Março de 2010

Toca a fechar!

O badalado PEC tem destas coisas: toca a fechar escolas EB2,3.

 

Convenhamos que é uma estratégia eficiente para poupar milhões de euros à nação. Fecham-se escolas EB2,3, os alunos são transladados para escolas maiores, por exemplo Escolas Secundárias, e poupa-se:

 

a) nas despesas com os salários dos professores, porque em escolas maiores é mais fácil compactar turmas de 28 e poupar no número global de professores necessários;

b) nas despesas com os salários dos funcionários, porque os das escolas a encerrar não serão todos necessários na escola para onde forem transferidos os alunos (há os inteligentes ratios funcionários/alunos e os serviços da escola já estão assegurados);

c) nas despesas com os salários dos administrativos, com uma secretaria a menos;

d) nas despesas com electricidade, água, limpezas, gás e comunicações.

e) nas despesas com a cantina e o bar;

f) nas reduções lectivas dos coordenadores de departamentos e estruturas;

g) nas reduções lectivas e suplementos remuneratórios dos “membros” dos órgãos de gestão;

h) nas despesas de manutenção de equipamentos e edifícios;

i) e em mais umas miudezas, aqui e além.

 

Por falar em poupar, resta, ainda, saber para que raio andaram a aplicar o Plano Tecnológico em escolas que vão encerrar, esbanjando-se milhões de euros. Deve ser, presumo, para manter esta bonita tradição portuguesa de ah e tal somos pobres, mas não tão pobres que não possamos deitar milhões ao lixo.

 

E o pessoal das Escolas Secundárias que se cuide. Parece que há uma corrente, fortíssima, que defende o fim das escolas exclusivamente secundárias!

 

Portanto, poupar em despesas com pessoal docente e não docente, significa menos empregos. Aumentando a distância entre as casas dos alunos e as escolas, aumenta-se a dificuldade de ter os pais nas escolas, para conversarem com os directores de turma. Há pais carenciados que não têm meio de transporte próprio para se deslocarem à escola, tendo que alugar um táxi para o efeito, pelo que aumentar a distância implica um custo adicional pouco simpático. Aumentar o número de turmas no limite da capacidade, é, pedagogicamente, uma excelente medida para piorar o estado de coisas, entre elas a indisciplina.

 

Com o alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, ou seja, aumentando drasticamente o número de alunos insatisfeitos por ainda andarem na escola (leia-se revoltados, agressivos, violentos, insubordinados, insolentes, etc.), isto parece que tem todos os condimentos para se transformar numa bomba prontinha para rebentar.

 

Falta acrescentar um pequeno pormenor: esta coisa de fechar algumas escolas EB2,3 de menor dimensão, não é uma perspectiva de futuro! Os respectivos directores já estão a ser chamados às direcções regionais e a ser informados que, no próximo ano lectivo, as escolas já não funcionarão como EB2,3. Assim, de chapa, sem mais, nem menos.

publicado por pedro-na-escola às 19:28
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