Domingo, 14 de Março de 2010

Quando o dinheiro fala mais alto

Consta, por aí, que se aproximam algumas mudanças de rumo.
 
O rumo seguido pelos seguidores de Sócrates, na área da Educação, tem tido duas linhas bem claras:
 
1. Diplomar à rédea-solta a população portuguesa, sem olhar a critérios de bom senso, qualidade, ou exigência.
 
2. Cortar nas despesas com os milhares de licenciados que exercem funções docentes, mascarando os cortes com a monstruosidade pateta da avaliação de desempenho.
 
Acontece que os tempos que se avizinham têm algumas semelhanças com uma frota de bombardeiros bem carregados, já a caminho da nação. O Estado vê-se confrontado com a possibilidade (cada vez mais certa) de não ter dinheiro para pagar aos seus milhares de funcionários. O peso dos licenciados, neste âmbito, é bem grande.
 
Assim, o êxito virtual dos números, de diplomados, de sucessos educativos, de abandono escolar, etc., poderá ser completamente insignificante, quando comparado com o aperto extremo de não haver dinheiro para pagar vencimentos. Este aperto poderá ditar o abandono de medidas educativas que visam, claramente, atingir o brilharete na numerologia nas estatísticas da Educação.
 
Daí que se conste, pela boca de responsáveis regionais, que as ordens para o próximo ano lectivo serão no sentido de poupar despesas na Educação.
 
Como é que isso se pode fazer com alguma facilidade? Diminuindo o número de professores em funções.
 
E como é que se faz diminuir o número de professores? Reduzindo o número de turmas com poucos alunos, ou seja, turmas em que o custo anual por aluno pode chegar até ao dobro das turmas quase no limite de lotação.
 
Estamos a falar de turmas de Percurso Curricular Alternativo (PCA) e Cursos de Educação e Formação (CEF), por exemplo, as tais que proliferaram como cogumelos nas nossas escolas e que facilitam descaradamente a conclusão de estudos e a obtenção dos respectivos diplomas. Estamos a falar, também, de turmas com alunos com Necessidades Educativas Especiais.
 
Portanto, se em breve o Ministério da Educação anunciar que, para o próximo ano lectivo, a criação de turmas PCA e CEF ocorrerá apenas em casos excepcionais, já sabeis porquê. Se a existência de vários alunos NEE já não for levada em conta para a redução do número de alunos em algumas turmas, já sabeis porquê. É porque o dinheiro fala sempre mais alto!
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publicado por pedro-na-escola às 11:37
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