Sábado, 24 de Outubro de 2009

Laborinho Lúcio sobre a autoridade e disciplina

 

Autoridade e disciplina é um “direito dos alunos e não um poder da escola”
23.10.2009 - 16:21 (Lusa)
 
O ex-ministro da Justiça Laborinho Lúcio manifestou-se hoje defensor da “autoridade e disciplina” na escola mas enquanto “direito dos alunos” e não “poder da escola”, sugerindo uma “inversão” nesse domínio.
 
A autoridade e a disciplina entre nós, do ponto de vista cultural, é mais tida como um poder da escola e não necessariamente como um direito do aluno e precisamos de fazer alguma inversão nesse domínio”, afirmou.
 
Laborinho Lúcio falava aos jornalistas à margem do encontro “De SIM e de NÃO se faz Educação”, a decorrer até sábado em Coimbra e que tem como ponto de partida “A violência infanto-juvenil em contexto escolar a par da emergência de um novo fenómeno: a violência de filhos contra os pais, em contexto familiar”.
 
Embora admita partilhar, em alguns aspectos, a ideia de que a escola actual é “demasiado branda em termos de disciplina”, entende que a violência nas escolas deve ser “avaliada sob vários pontos de vista”.
 
“Não podemos olhar para as situações de indisciplina e de violência na escola e observá-las apenas como resultado, temos de analisar os factores, compreender nomeadamente do ponto de vista estratégico o que pode mudar”, disse.
 
Para Laborinho Lúcio, os alunos têm “direito à autoridade, à disciplina, mas exercida em seu nome e não da escola”, daí que preconize “uma reflexão” em torno da questão.
 
É na escola, referiu, que os alunos “fazem grande parte do seu processo de aprendizagem social e precisam, evidentemente, de conhecer os limites interiores que têm de impor a si próprios, de compreender a importância da autoridade e da disciplina como um bem deles próprios”.
 
O antigo governante salientou a necessidade do sistema educativo “preparar as crianças e os jovens para o pensamento crítico, para a sua dimensão cidadã, a capacidade de escolher e não apenas para de agir”.
 
Defendeu uma “luta contra o pensamento único que parece vigorar”, para que “não se formem apenas competentes para uma sociedade de informação e do conhecimento, mas também cidadãos capazes de dizer não quando há que dizer não e de lutar pela afirmativa quando entendem que é isso que deve ser”.
 
Resta saber com que intenção este senhor se pronuncia desta forma sobre o tema. Alguma encomenda? Opinião genuína? Nos tempos que correm (era “Sócrates”, tudo é de desconfiar).
 
Seja como for, o que ele diz é um facto. O povo português usa a expressão “chatear o professor”, e não “prejudicar os outros alunos”, quando se refere à situação de um ou mais alunos perturbarem uma aula.
 
Nunca se fala no prejuízo que a indisciplina traz às aprendizagens dos alunos. À excepção dos próprios professores, Mas, como a ideia de “chatear o professor” soa bem (soa a 25 de Abril) e a pobreza de espírito não dá para mais, os alertas dos professores são ignorados por completo. E assim andamos.
 
A realidade é que, em matéria de disciplina, os alunos portugueses têm o pleno direito de prejudicar (e comprometer) as aprendizagens dos colegas. O Estado permite, os pais consentem.
 
Não se consegue “preparar as crianças e os jovens para o pensamento crítico, para a sua dimensão cidadã, a capacidade de escolher e não apenas para de agir”, sem que haja ambiente sereno para o desenvolvimento dessas competências. Considerando que serenidade e indisciplina são ambientes opostos, é fácil perceber o rumo da escola.
publicado por pedro-na-escola às 10:11
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