Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

O ranking dos pais

É o que eu acho, sinceramente. Os rankings das escolas, que andam a ser publicados nos diversos órgãos de comunicação social, não são rankings das escolas, mas, antes, os rankings dos pais dessas escolas. A malta não gosta de ouvir isto, mas é o que eu acho mesmo.
 
Por isso, acabo por enjoar com o rol de teorias sobre o porquê das diferenças de posições nos rankings, porque é que umas escolas sobem e outras descem, porque é que as privadas isto e as públicas aquilo, enfim. As diferenças de fundo estão, a meu ver, e sem margem para dúvida, nos alunos. E, por mais que os teóricos inventem, os alunos são aquilo que os pais querem que eles sejam, dentro de uma determinada margem de manobra.
 
Em qualquer escola, de ano para ano, muda a massa humana que faz exames. Com a massa de alunos, muda também a massa de pais. No caso de uma massa de pais homogénea, isto é, numa escola em que a esmagadora maioria dos pais exigem resultados aos seus filhos, é de esperar que essa escola não fique na cauda, mas, antes fique em lugares cimeiros do ranking. É o que acontece numa escola privada, em princípio. Não tem que ver com os 500 euros de propina mensal, não tem que ver com o dinheiro gasto em explicações, e não tem que ver com o estrato social dos pais! Tem, pura e simplesmente, que ver com as exigências dos pais.
 
Na minha escola, por exemplo, situada numa zona rural onde abunda a pobreza de espírito, se eu pegasse em 10 dos meus bons alunos, cujos pais não têm mais que o 6º ano de escolaridade e vivem o dia-a-dia a apertar o cinto, e os replicasse pela escola toda, isto é, todos os outros alunos passassem a ter pais idênticos aos daqueles 10, então, meu Deus!, a minha escola saltaria para as primeiras 20 do ranking, garantidamente! Sem colégio privado. Sem explicações por fora. Sem mais nada!
 
Infelizmente, tal não é possível. Esses 10 alunos têm que andar misturados com outros tantos que se acham no direito de não aprender e cujos pais apoiam sorrateiramente o exercício desse direito. Conforme o peso de uns e de outros, nas turmas do 9º ano, assim teremos os nossos resultados nos exames.
 
Pior ainda, muitos dos que se acham no direito de não aprender, acham-se, também, no direito de impedir que os outros aprendam com qualidade! Os respectivos pais sabem disso, mas, um direito, é um direito!
 
Imagine-se uma escola – e destas há muitas – onde a esmagadora maioria dos alunos se acha no direito de não aprender e no direito de impedir que os outros aprendam com qualidade, com a descarada conivência dos respectivos pais. Qual é o lugar no ranking que as espera?...
 
Por isto tudo, da posição das escolas nestes rankings nacionais só há uma informação a retirar: o tipo de pais que predomina entre os alunos dessa escola. Mais nada! E só há três tipos de pais:
- os que exigem bons resultados,
- os que apenas exigem a passagem de ano,
- e os que não exigem nada.
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publicado por pedro-na-escola às 21:51
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