Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Os ouvintes

 
“Mais do que ouvir a Ministra, os Professores ouvem os seus representantes, os Sindicatos e agem com a raiva que estes lhes transmitem. Mais do que ouvir os Professores, no terreno, nas aulas, nas Escolas, a Ministra tem ouvido sobretudo os Sindicatos.” - Vera Santana, in http://simplex.blogs.sapo.pt/
 
Esta senhora, Vera Santana, que escreve num blog de gente pró-PS, escreve de acordo com a entoação dos cânticos da linha Sócrates. Ainda houve tempos em que eu pensava que Sócrates era um homem sério e honesto, apesar dos tiques, mas isso já lá vai.
 
Então, para a Vera, aqui vai:
 
1. Depois de ouvirem as primeiras mensagens da senhora Ministra, os professores nunca mais a levaram a sério. Ela fala, fala, fala, mas os professores não lhe ligam. É uma mulher que, por despacho dominical, e depois de umas sessões de capoeira, alterou uma lei e fez de conta que estava apenas esclarecer os milhares de professores que não teriam percebido a lei. Alguém, no seu perfeito juízo, leva esta mulher a sério? Claro que não!
 
2. Os professores, a bem dizer, nunca foram de ouvir piamente os seus sindicatos. Com o devido respeito pelos sindicatos, indispensáveis ao saudável funcionamento da sociedade, à Ministra correu mal a vida porque os professores começaram a ouvir-se uns aos outros. Foi assim que se juntou aquele impressionante mar de gente numa manifestação em Lisboa, o tal mar que a comunicação social, por artes mágicas, quase que fez de conta que não existiu.
 
3. Quanto à raiva, tenho a dizer-lhe que a minha própria mãezinha, professora aposentada e muito orgulhosa da sua profissão e do que fez pela pátria durante várias décadas, a ensinar as criancinhas a ler, escrever e fazer contas, sentiu no coração a ferroada das primeiras mensagens da senhora Ministra, em jeito de facada nas costas. A raiva da minha mãezinha, aposentada como milhares de outros, nasceu da boca da senhora Ministra e não dos sindicatos que o PS tanto odeia.
 
4. Para que saiba, a senhora Ministra, como é habitual nos ministros desta pasta, não ouve quem está no terreno e nas aulas! Entre a Ministra e o terreno e as aulas, há um impressionante mundo de gente que vive numa dimensão paralela, imaginando o terreno e as aulas, inventando soluções para problemas que não existem e agravando os que de facto existem.
 
5. Que sentido faz aludir a uma pretensa qualidade de boa ouvinte dos sindicatos, quando a linha Sócrates se baseia numa imagem pública de determinação cega? Quando se está cegamente determinado, não se ouve ninguém!
publicado por pedro-na-escola às 09:41
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