Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Auto-consulta

Lido algures num jornal:
O Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP), o órgão consultivo criado para acompanhar a aplicação do regime de avaliação dos docentes e que o Governo quer ver “dotado de autonomia técnica e científica”, pode, em qualquer uma das suas reuniões, ser liderado pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, ou por um dos seus secretários de Estado.
Logo a seguir, uma pergunta e duas respostas opostas:
Ministra deve presidir à avaliação de professores?
SIM
A possibilidade de um ministro poder presidir a um órgão consultivo da sua tutela é perfeitamente normal e tem sido uma prática comum a todos os governos. No caso do Conselho Consultivo para a Avaliação dos Professores essa possibilidade impunha-se. Estamos a falar do Estatuto da Carreira Docente criado pelo próprio Governo.
José Rodrigues, Editor de Política
 
NÃO
Quando o Governo cria um órgão consultivo "dotado de autonomia técnica e científica" mas ressalva que este poderá a qualquer momento ser presidido pela ministra - ou por um secretário de Estado - não é preciso ser dirigente da Fenprof para concluir que, no mínimo dos mínimos, faltou bom senso ao Ministério da Educação.
Leonardo Ralha, Editor de Sociedade

Caro José Rodrigues, editor do regime ditatorial que mais lhe convier,
A possibilidade de um ministro poder presidir a um órgão consultivo da sua tutela é tudo menos normal e o facto de ter sido uma prática comum a todos os governos só mostra até onde desceu o “espírito democrático” desses governos. De um órgão consultivo, ou seja, que vai ser consultado (presumo eu), espera-se um conjunto de opiniões e sugestões isentas, que permitam, a quem de direito, tomar decisões fundamentadas. Se o decisor vai presidir ao órgão consultivo, mais vale não se dar ao trabalho, continuar de roupão e pantufas, e consultar-se a si próprio. Uma auto-consulta, portanto. Um dia destes, a ministra vai acordar com a mania que 2+3=6, o povo vai indignar-se com a afronta, é convocado o conselho científico, a ministra preside e ficará cientificamente provado que a soma de dois com três é mesmo seis.
 
Caro Leonardo Ralha,
Faltou bom senso ao Ministério da Educação? Que é isso? Quer ir preso? Cuidado com essas afirmações! Esta medida foi muito bem pensada e legislada. Além do mais, bom senso é o que menos interessa nisto tudo. O que interessa mesmo, é ter mão de ferro na máquina toda, para que o único objectivo desta equipa ministerial seja atingido – os números nas estatísticas. Não iam querer um órgão consultivo por aí à solta, qual tribo indígena passível de sublevar-se por meia dúzia de peles de búfalo, pois não?
publicado por pedro-na-escola às 08:25
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