Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Os crentes da modernização

Excerto do Público online, 27 Julho 2009
 
"Muitas vezes entregaram-se neste país mais de 40 mil computadores por semana. Ao longo destes últimos dois anos, em média, foram distribuídos cerca de dois mil computadores por dia. Ao contrário de outros programas, este teve sucesso porque o Estado envolveu-se nesta ambição com os operadores. Houve uma concertação estratégica", sustentou o primeiro-ministro. Neste ponto, Sócrates aproveitou para deixar críticas indirectas à forma como algumas forças da oposição encararam esta parceria entre Estado e empresas na distribuição de computadores.
 
"Um milhão de computadores distribuídos, isto é obra! E que incompreensões tivemos de enfrentar e que obstáculos e que críticas. Dois anos depois, temos o orgulho de dizer que este país é o primeiro do mundo onde todas as crianças que frequentam o primeiro ciclo do Ensino Básico têm acesso ao computador", afirmou. Sócrates defendeu ainda que o programa de distribuição de computadores "foi um factor de igualdade de oportunidades".
 
"Se todos tiverem acesso às tecnologias de informação, significa que estamos a modernizar o país sem deixar ninguém para trás", advogou o líder do executivo.
Na sua intervenção, José Sócrates referiu-se também aos resultados do programa Novas Oportunidades.
 
"Um dos sinais de esperança para este país resulta de ter 900 mil inscritos num programa de valorização das suas qualificações pessoais. Podíamos nada ter feito e esperar por uma próxima geração mais qualificada. Mas isso seria um erro, porque Portugal precisa desta geração qualificada", declarou.
 
Afligem-me os disparates que este homem deita cá para fora. Mas, causa-me maior aflição saber que milhões de portugueses podem escutá-lo e, mercê da ausência de algum espírito crítico, podem, de facto, acreditar que o que ele diz faz sentido…
 
"Se todos tiverem acesso às tecnologias de informação, significa que estamos a modernizar o país sem deixar ninguém para trás" – Ter acesso a tecnologias não significa modernizar. Modernizar é usar as tecnologias em proveito da produtividade. Teclar no MSN, ver vídeos no Youtube, jogar e navegar no hi5, não tem nada que ver com modernização. É puro lazer, escandalosamente patrocinado pelo Estado. Oferecer computadores a todos os trabalhadores de uma serração é o mesmo que pintar as paredes e não é o mesmo que modernizar o país. Tristes os que acreditam que sim…
 
"Um dos sinais de esperança para este país resulta de ter 900 mil inscritos num programa de valorização das suas qualificações pessoais– Sinal de esperança seria 900 mil alunos a finalizarem o 9º ano através do percurso regular, adquirindo as competências e os conhecimentos esperados. Valorizar “qualificações pessoais” através de um programa com um nome pomposo não vai elevar o nível cultural do país, nem ajudar ao seu desenvolvimento nem aumentar a produtividade. Tristes os que acreditam que sim…
 
Podíamos nada ter feito e esperar por uma próxima geração mais qualificada– A próxima geração vai ser mais qualificada? Só em sonhos! Será, apenas, mais “qualificada”. Cada vez há mais alunos a entrarem em percursos alternativos (PCA e CEF) no ensino básico, pois é a forma de, baixando o grau de exigência, conseguir contribuir positivamente para as estatísticas, isto é, conseguir que praticamente todos os alunos acabem o ensino básico. Mas, convém relembrar que um aluno que acabe o ensino básico através de um PCA ou de um CEF não tem as mesmas capacidades, competências e conhecimentos que um aluno que siga um percurso regular. Portanto, na prática, a próxima geração será, de facto, mais “qualificada” no papel, mas cada vez menos qualificada para o mundo real. A abundância de diplomas conseguidos sem o esforço respectivo não é sinal de maior qualificação. Tristes os que acreditam que sim…
publicado por pedro-na-escola às 13:45
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