Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Os concursos e outros mistérios

Correu-me bem a coisa. Fiquei colocado no mesmo Agrupamento onde estava a prestar serviço como QZP e como membro do conselho executivo. Não tenho razões de queixa, confesso.
 
Mas, não é preciso estarmos mal para sentirmos que há coisas que não batem muito certo nesta coisa das colocações dos professores. Há colegas que todos os anos ficam colocados, a contrato, mas não efectivam. É normal que haja casos assim, mas não tantos casos! Esta dificuldade, imposta mas não necessária, aprofunda o fosso entre os sortudos efectivos e os menos afortunados contratados. Escusadamente, digo eu.
 
Às tantas, é o método existente em Portugal para colocação de professores que não presta. Gostava de saber como será nos outros países, em especial nos que estão nos dez primeiros lugares do ranking mundial. Como será a chamada “estabilidade do corpo docente”?
 
Há um facto que pode ditar a situação que vivemos em Portugal, o qual parece haver interesse em perpetuar: o excesso de professores formados em relação às necessidades. Parece que dá jeito, sei lá. Quanto maior o excesso, mais fácil será de controlar a classe profissional. Não? É um mistério.
 
Ora, as coisas parecem encaminhar-se para o fim dos concursos como sempre os conhecemos. Pelo menos, essa era a intenção de Sócrates. Passaria o recrutamento a ser a nível de escola, o que, teoricamente, não deixa de fazer algum sentido.
 
Falando como membro da direcção executiva da minha escola, gostaria de poder escolher a dedo os professores para o próximo quadriénio, por exemplo, em vez de ver a minha escola sujeitar-se a uma “roleta russa”. Este ano, tivemos uma colega contratada, ainda jovem, que recusou emprestar materiais pedagógicos a outra colega do mesmo grupo que estava a dar aulas pela primeira vez; este tipo de profissionais, confesso, não me interessa ter na minha escola. Com os actuais concursos, habilito-me a tê-la novamente no próximo ano. Se pudesse escolher, esta professora não voltava a meter os pés na minha escola. Mas, apesar de tudo, o recrutamento a nível de escola continua a ter inconvenientes e riscos que superam, ainda, as eventuais vantagens. Porquê? Porque somos um país atrasado e labrego, e porque temos um excesso de professores formados em relação às necessidades.
 
publicado por pedro-na-escola às 21:36
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