Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Cavaco e a Matemática

(…) Já em Lisboa, no ISEG, Cavaco Silva alertou que, para o País ser competitivo, é fundamental a Matemática: "É imprescindível aumentar o número de pessoas com competências para Matemática. Espero que os jovens percebam e invistam na Matemática porque é compensador."(…) Emotivo foi o regresso ao ISEG, onde encontrou ex-colegas. "Aprendi aqui que a Matemática não é fácil e divertida. Exige sim disciplina e muito trabalho", disse. (…)
in www.correiodamanha.pt (16 Abril 2009)
 
Coimbra: Cavaco quer evolução no ensino da Matemática
Escolas estão pouco exigentes
O Presidente da República considera que há "uma grande iliteracia matemática em Portugal" e defende "uma evolução no (seu) ensino". "As escolas devem ser exigentes e impor estudo, trabalho e rigor e o ensino deve ser mais centrado no interesse dos alunos", afirmou ontem Cavaco Silva, durante o 5º Roteiro para a Ciência, em Coimbra.
O Chefe de Estado, que acompanha o programa de Matemática do Ensino Básico, porque dá "explicações aos netos aos fins-de-semana", destacou que há "um grau de exigência menor" em relação ao seu tempo de estudante e "uma forma diferente de abordar os problemas".
Cavaco Silva lamentou que o desempenho dos alunos portugueses na Matemática esteja "muito abaixo da média dos jovens" dos restantes países da OCDE e que "um quinto dos portugueses com menos de 15 anos não seja capaz de interpretar um gráfico". "Nunca aderi à ideia de que a Matemática é lúdica, divertida e fácil", referiu, frisando que a disciplina "exige muito trabalho" e, "apesar do cidadão nem sempre se aperceber, está por trás de múltiplos aspectos do seu dia-a-dia".
in www.correiodamanha.pt (17 Abril 2009)
 
É perigoso, cada vez que alguém, do alto do seu pedestal, lança umas bojardas sobre o ensino, em especial sobre a Matemática. Mesmo no caso do Presidente da República.
 
Nas declarações captadas pelos jornalistas do Correio da Manhã, o PR até diz umas coisas acertadas, como a necessidade de exigência e rigor, mas, no mesmo discurso, tropeça nos próprios pés e sugere que “o ensino deve ser mais centrado no interesse dos alunos”.
 
Ora, qualquer pessoa que viva a menos de 10 km do planeta Terra sabe que o interesse dos alunos não converge com o rigor, a disciplina, a exigência e o trabalho. É natural que assim o seja. Pelo que, centrar o ensino no interesse dos alunos, é (foi, aliás) o primeiro passo para se enveredar por "uma forma diferente de abordar os problemas" e chegarmos rapidamente a um "um grau de exigência menor", contribuindo, então, para a “grande iliteracia matemática em Portugal". Em Portugal e em qualquer país que tome o mesmo caminho, digo eu.
 
Quanto Cavaco Silva espera “que os jovens percebam e invistam na Matemática porque é compensador”, está a alinhar-se na praia, virado para o nevoeiro que vem do mar, à espera que surja alguém de espada à cintura… Os jovens nunca irão investir na Matemática por ser compensador! Poderão investir, no caso de esse investimento ser condição necessária para atingir um qualquer objectivo, porque é assim que o mundo funciona. Investem para acabar um nível de ensino, para fazerem um exame, para fazerem um trabalho. Quando a conclusão do nível de ensino está francamente acessível, quando o exame é evidentemente facilitado, quando o trabalho se consegue fazer sem trabalho, é humanamente natural que não se invista na Matemática, porque, de facto, não compensa.
 
A Matemática, tal como tudo o resto que possa ser ensinado e aprendido, sem que tenha efeitos práticos imediatos, e exija rigor e esforço, não pode centrar-se no interesse dos alunos, nem pode depender da eventual compreensão, por parte dos jovens, de que compensa aprender.
 
As crianças e jovens necessitam crescer balizados: o que podem ou não podem fazer e o que devem aprender e saber. Os problemas, que ainda se procura disfarçar, relacionados com a indisciplina das crianças e jovens de hoje, acentuadamente generalizados em comparação com décadas atrás, derivam, na sua essência, da falta de balizas.
 
Na escola, que o PR diz ser pouco exigente, impera a falta de balizas, deitadas fora por obsessões com estatísticas e “sucesso”, não sendo claro que o conhecimento e o esforço sejam condições para a qualificação. Aliás, torna-se cada vez mais claro que a qualificação depende mais da capacidade para respirar do que qualquer outra condição.
publicado por pedro-na-escola às 13:52
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1 comentário:
De pedro a 20 de Abril de 2009 às 17:16
De facto, a juventude e os interesses da juventude andam sobrevalorizados e até o PR cai na armadilha. Por uma lado, é uma fase passageira. Por outro, não queremos que as crianças e os adolescentes fiquem na mesma, queremos é que cresçam, se desenvolvam e comecem a ver que há mais mundo para lá dos próprios interesses.


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