Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Mas que chatos!

Se a DGRHE usasse pombos-correio para despachar as suas mensagens ao povo, o beiral da janela lá do gabinete do conselho executivo teria tanta caca acumulada que nem daria para ver o sol a brilhar lá fora. Irra!
 
Mensagem recebida hoje, 9 de Fevereiro de 2009:
 
Ex.mo Senhor
Presidente do Conselho Executivo/ Director Executivo
 
Tendo em conta o elevado número de escolas que têm solicitado esclarecimentos sobre a fixação de objectivos individuais, importa informar o seguinte:
 
1. Os objectivos individuais são um requisito obrigatório quer para a auto-avaliação quer para a avaliação a cargo do presidente do conselho executivo;
 
2. De acordo com o Artigo 16.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, é por referência aos objectivos individuais previamente fixados e ao respectivo grau de cumprimentos, que o docente efectua a sua auto-avaliação;
 
3. Da mesma forma, os objectivos individuais são elemento obrigatório na avaliação da componente funcional do desempenho, uma vez que só a partir da aferição do seu nível de execução é possível avaliar o contributo de cada docente para o cumprimento dos objectivos fixados no projecto educativo e no plano de actividades da escola, de acordo com o estabelecido nos artigos 10.º e 18.º do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro. Assim, sem objectivos individuais fixados, não é possível avaliar o desempenho dos professores.
 
Relembra-se ainda, relativamente aos procedimentos inerentes à fixação de objectivos individuais, que:
 
1. O prazo para entrega dos objectivos individuais deve estar definido no calendário aprovado pela escola;
 
2. Nas situações em que o prazo estipulado não seja cumprido, deverá o director notificar o docente desse incumprimento, bem como das respectivas consequências;
 
3. No entanto, poderá o director/presidente do conselho executivo, tendo em conta a situação concreta da sua escola, fixar os objectivos ao avaliado, tendo por referência  o projecto educativo e o plano anual de actividades da escola (número 4, do Artigo 9.º, do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro).
 
A avaliação de desempenho docente começa para os avaliados com a entrega dos objectivos para o período avaliativo (número 1, do Artigo 9.º, do Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro), atribuindo-se aos professores, desta forma, uma significativa responsabilidade individual.
 
Ao contrário do que acontece no SIADAP, em que os objectivos individuais resultam sempre de uma proposta da hierarquia, na avaliação de desempenho docente foi dada aos professores a possibilidade de uma participação mais qualificada na sua própria avaliação, uma vez que se trata de profissionais com elevados níveis de competências e de autonomia.
 
A recusa da entrega de objectivos individuais prejudica sobretudo os professores avaliados que, dessa forma, ou reduzem o espaço de participação e valorização do seu próprio desempenho, ou, no limite, inviabilizam a sua avaliação.
 
Esta informação deve ser divulgada junto de todos os professores, para que não restem dúvidas relativamente às suas obrigações no processo de avaliação de desempenho que não pode, em caso algum, ser reduzido a um mero procedimento de auto-avaliação.
 
Lisboa, 9 de  Fevereiro de 2009.
Com os melhores cumprimentos,
A DGRHE - Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação
 
Afixe-se, portanto. Assim feito.
 
E comente-se:
 
Hipótese 1:
O professor entregou os seus objectivos individuais no início do ano lectivo. Propôs-se fazer a, b e c, em prol dos objectivos do projecto educativo e do plano anual de actividades. No final do ano lectivo, o avaliador vai verificar se o professor fez aquilo a que se propôs.
 
Hipótese 2:
O professor não entregou os seus objectivos individuais no início do ano lectivo. Aliás, não os entregou, ponto! No final do ano lectivo, preenche um documento de auto-avaliação, ou de reflexão, que é um termo menos piroso, onde descreve que fez a, b e c, em prol dos objectivos do projecto educativo e do plano anual de actividades. O avaliador vai verificar se, de facto, o professor fez aquilo a que se propôs.
 
Conclusão: A existência de objectivos individuais é uma patetice resultante dessa moda idiota da avaliação por objectivos, que não passa disso mesmo: uma moda. Entre dizer que vamos fazer uma coisa e provar que a fizemos, e simplesmente descrever o que fizemos e prová-lo, há assim uma diferença tão grande que justifique este chorrilho de mensagens e posições de força-faz-de-conta com que o ME se diverte? Não me parece. Parece mais uma birra infantil do que outra coisa qualquer.
publicado por pedro-na-escola às 21:16
link do post | comentar | favorito

~posts recentes

~ E a Terra é plana…

~ A propósito dos melhores…

~ A propósito de oportunida...

~ A propósito das paranóias...

~ Especialistas em educação

~ O que vai ficar por fazer

~ Nuno Crato e a definição ...

~ Mega-Agrupamentos 4 - a p...

~ Mega-Agrupamentos 3

~ Mega-Agrupamentos 2

~ Mega-Agrupamentos

~ O segredo do sucesso nas ...

~ A anedota da vaca

~ Por falar em reduzir as d...

~ Agressividade de autores ...

~ Brincando às competências...

~ Pois, realmente, não foi ...

~ Contas ao número de aluno...

~ Reforço da autoridade dos...

~ Incompetência ao rubro...

~links

~arquivos

~ Julho 2011

~ Junho 2011

~ Maio 2010

~ Abril 2010

~ Março 2010

~ Novembro 2009

~ Outubro 2009

~ Setembro 2009

~ Agosto 2009

~ Julho 2009

~ Junho 2009

~ Maio 2009

~ Abril 2009

~ Fevereiro 2009

~ Janeiro 2009

~ Dezembro 2008

~ Novembro 2008

~ Outubro 2008

~ Abril 2008

~ Março 2008

~ Fevereiro 2008

~ Janeiro 2008

~chafurdar no blog

 
RSS