Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Trapalhões

Trapalhadas que estragam tudo!

 
Tempos amargos são estes que estamos a viver, carregados de dúvidas e desconfianças, mesmo de fortes suspeições. Também de temores quanto ao dia de amanhã.
 
Nestas difíceis circunstâncias, quando tudo parece sem futuro, seria de alto valor que se acendessem as luzinhas da auto-estima. Acontece, pelo contrário, que todos os sinais se apagam em trapalhadas - quando não em comportamentos muito piores.
 
Veja-se, como exemplo benigno, o caso daquele governante da área da Justiça que pareceu determinado a enfrentar o problema dos "multibancos" sucessivamente assaltados e roubados dentro dos tribunais. Que fez ele? Pois, pura e simplesmente, mandou acabar com as caixas. Como dizia a minha Velha Avó, morreu o bicho, foi-se a peçonha…
 
É certo que havia (agora digo eu) outras soluções constantes de compêndios e sebentas que falam de coisas tão vulgares como o cimento armado e ensinam a reforçar a segurança do encastramento das máquinas. Mas isso dá trabalho e, vamos lá, a solução preguiçosa, radical e barata até pode fazer escola: o ministro Lino, por exemplo, aproveitará para se desfazer de problemas com pontes inseguras e estradas esburacadas mandando que as fechem ao trânsito - e pronto, questão encerrada. Fica, ainda, com umas sobras no orçamento para ir andando com o aeroporto do "deserto".
 
Mais bem imaginado (e é o exemplo mais grotesco) foi o plano que a ministra da Educação engendrou para a gloriosa consagração da sua própria obra na reforma do primeiro ciclo, aquele a que no meu tempo chamávamos a escola primária. Mas, lá está!, logo tinha de ser maculada pelo feio pecado de uma mentirola grosseira e que não podia durar muito: afinal, o bendito relatório não é nada da OCDE, mas sim de técnicos contratados, que se serviram de trabalhos oportunamente preparados por serviços do Ministério e, até, de opiniões de autarcas (porquê autarcas?) socialistas…
 
Enfim, uma luzinha que podia prestar bom serviço à auto-estima - enaltecendo as estatísticas, gabando o fim do abandono escolar e, até, a maravilha de se ver todos os meninos das nossas aldeias a falarem fluentemente um Inglês de Oxford -, mas luzinha que foi pela água abaixo, levada pelas trapalhadas da propaganda.
 
Se bem que, neste caso, há um ponto intrigante que merecia esclarecimento. É que na grande missa laica celebrada em honra da ministra, o primeiro-ministro reservou para si (naturalmente) a homilia principal. E foi assim que, por certo provocando umas lagrimitas rebeldes, disse à ministra qualquer coisa como "foi um gosto trabalhar consigo".
 
Exactamente assim, no tempo verbal passado. De modo que ficámos sem saber se Sócrates estava a despedir elegantemente a ministra - ou, disfarçadamente, a despedir-se ele próprio…
 
António Freitas Cruz, in www.jn.pt em 1/2/2009
publicado por pedro-na-escola às 13:47
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