Sábado, 31 de Janeiro de 2009

E a avaliação externa?

A semana terminou numa enorme bagunça, na minha escola. Com o aproximar do fim do prazo para a entrega do pedido para ter aulas assistidas, crisparam-se as posições dos professores. A esmagadora maioria, subscritora de uma moção de rejeição do modelo-faz-de-conta de avaliação, esteve num impasse perante a potencial iniciativa de dois ou três colegas, de quem se esperava o pedido.
 
Ou seja, na nossa escola, apenas dois ou três têm manifestado vontade de entregar objectivos e pedir para ter aulas assistidas. Porquê? Falam de medo, de medonhas represálias do ME, de prejuízo para a carreira. Todos sabemos que, dado o panorama, as quotas praticamente deixam de fazer sentido, pois, com a maioria a não entregar objectivos, não haveria “concorrência” para os que entregassem.
 
Essa maioria, contudo, fica num impasse. “Se alguém entrega os objectivos, eu também entrego”, é a frase mais ouvida na sala dos professores. “Se alguém pede para ter aulas assistidas, eu também peço”, é a segunda frase mais ouvida na sala dos professores. E assim andámos durante a semana inteira.
 
E, de facto, duas ou três colegas entregaram, sigilosamente, o pedido para terem aulas assistidas. No caso de um deles, foi uma surpresa para todos. “Traidor”, sussurravam alguns colegas, quando souberam.
 
No último dia do prazo para entrega do pedido para aulas assistidas, alguém tinha, no seu cacifo, um molho, vários pedidos de aulas assistidas, em standby, dos colegas que nesse dia não estavam na escola ou que só tinham aulas de manhã.
 
No global, um ambiente patético de desconfiança, de crispação, de desilusão, de dúvida, de conflito. Vieram-me à memória várias frases, que circulam na internet, sobre a importância do bem-estar, da tranquilidade e da satisfação dos professores para um ensino de qualidade. Definitivamente, na minha escola, acabou-se a paz e conflito é quem reina. Os colegas parecem baratas tontas, assanhadas, a espumar pelos cantos.
 
Sobre isto, que me deixa triste e desiludido, troquei algumas impressões com um dos meus colegas do conselho executivo. Lembrámos a avaliação externa que tivemos no ano passado. A isenção e a ascendência de quem nos veio avaliar. A paz que não foi perturbada. Os aspectos negativos que nos apontaram, as areias que nos mostraram termos nas engrenagens e a improdutividade de algumas das nossas reuniões. Os elogios que recebemos. Os novos rumos que traçámos para uma mudança para melhor. O empenho de todos para tentarmos corrigir o que estava mal e melhorar o que só estava satisfatório. O desejo de voltarmos a ser avaliados, novamente, daí a dois anos, para mostrarmos que soubemos melhorar.
 
Comparámos esta avaliação externa com a paranóica avaliação individualista faz-de-conta. A avaliação externa trouxe-nos faróis de longo alcance para um futuro melhor. A avaliação individualista conseguiu apagar-nos a luz e deixar-nos nas brumas da crispação e do conflito.
publicado por pedro-na-escola às 00:45
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