Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

Nascido torto

O modelo forçado de avaliação do desempenho nasceu torto. Não era de esperar outra coisa, vindo de quem veio. Nasceu torto, essencialmente em dois aspectos.
 
1. Nasceu torto, porque fala sobre promover e premiar o mérito, fala, fala, fala, mas o corpo de professores titulares actual foi criado com base no tempo de serviço, e não no mérito. Que garantia houve de que os primeiros professores titulares, os primeiros avaliadores, têm mérito e competência para avaliarem e coordenarem todos os outros docentes? Em demasiados casos, o coordenador de departamento deixou de ser o escolhido por todos, pela sua competência, e passou a ser, pura e simplesmente, o mais velho. Mas, será que alguém, na total posse das suas faculdades mentais, dá alguma ponta de credibilidade a esta paródia? Não pode dar!
 
2. Nasceu torto, porque não se pode chamar àquilo um sistema de avaliação. As avaliações não se submetem a quotas! Estas, fazem parte daquilo a que se chamam concursos de acesso! Que sentido faz um docente ter classificação de 9,5 e ser-lhe atribuída uma menção qualitativa de apenas “Muito Bom”? O exemplo que a sociedade melhor conhece, e pelo qual melhor se consegue expor o ridículo deste sistema de avaliação, é, curiosamente, o das notas dos testes dos nossos alunos. Vamos transpor. A Natália está no 9º ano, é excelente aluna e aspira entrar para medicina. No último teste de Matemática, obteve uma classificação (confidencial) de 94%, mas o seu teste veio devolvido com um magro “Bom”, quando deveria trazer um “Muito Bom”. Motivo? Na sua turma, só poderia haver dois alunos com “Muito Bom” e ela tinha a terceira melhor classificação. Três anos mais tarde, Natália vai a exame para a universidade. A sua classificação (à qual só ela tem acesso) no exame de Matemática é de 19,6 valores. Na pauta, aparece-lhe um 18,9. Motivo? Na sua escola, só podia haver dois alunos com classificação igual ou superior a 19 e ela tinha a terceira melhor classificação. Natália manda-se aos arames! Ela não poder entrar na faculdade de medicina porque as vagas foram todas preenchidas por alunos com melhores notas que ela, tudo bem, regras são regras e era justo. Mas, gaita!, se teve 19,6 no exame, essa era a classificação que devia estar na pauta, e não 18,9! Os pais da Natália e de milhares de outros alunos certamente apertariam o gasganete a quem inventara um disparate daqueles. Mas, nós, professores, somos órfãos
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publicado por pedro-na-escola às 09:33
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