Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Quotas, porquê?

Continuo a achar que uma das metodologias a adoptar pelos que se opõem ao “modelo de avaliação” imposto pelo ME, é caminhar no sentido de se mostrar, por A+B, que aquele não é um modelo de avaliação.
 
Temos, contra nós, uma fatia nada pequena da opinião pública, ainda que iletrada, que esgrime argumentos interessantes:
a) Os professores devem ser avaliados.
b) Porque nas outras profissões todos os trabalhadores são avaliados.
c) Nem todos podem chegar ao topo da carreira.
d) Não podem, os professores, podem continuar a progredir livremente.
e) Tal como acontece com “muitas” outras profissões, há limites nas avaliações.
(e há mais!)
 
Aflige-me que, a uma fatia bem grande da opinião pública, não faça impressão a existência de quotas na avaliação. Mais impressão me faz, os profissionais que já são avaliados com quotas e aceitam pacificamente essa situação. Muita impressão. Talvez não seja de estranhar, tendo em conta o analfabetismo e a iliteracia que mancham o “currículo nacional”.
 
Tenho, para mim, que há um motivo muito óbvio para se imporem quotas num “modelo de avaliação”. Basta olhar em redor, e comparar.
 
Quanto se pretende fazer uma selecção, como para a contratação de profissionais, o método mais transparente é o método básico da avaliação. Isto é, estabelecem-se critérios/parâmetros, avalia-se cada candidato com base nesses critérios, atribuindo pontuações devidas, somam-se as pontuações, obtém-se um total, e são admitidos os candidatos com maior pontuação. Transparência, portanto. Assim é para os acessos à universidade, para as contratações de escola e até para o concurso para professores titulares. Critérios, pontuações e ganha quem tem mais pontos. Simples. Não é o ideal, deixa de fora outros factores menos objectivos, mas, em nome da transparência, é assim que se faz.
 
As quotas aparecem, como se fosse um facto razoável e com sentido, quando os critérios pecam por objectividade e, por tal, o risco de todos obterem pontuação máxima é demasiado.
 
Ou seja, quando se inventa um modelo de avaliação mal feito, e se tem dúvidas da sua eficácia como forma de distinguir os profissionais, agrega-se um sistema de quotas.
 
Porque, normalmente, em qualquer profissão, há os bons, os medianos e os medíocres, e um modelo de avaliação deve ser capaz de os distinguir. Se os critérios e a sua combinação não são eficazes para proporcionar a desejada distinção, a única forma de haver distinção é forçá-la através de quotas. É uma solução patética, inventada por incompetentes, para aplicar em trogloditas. E aqui é que a coisa começou a correr mal. Quando se inventa um sistema para aplicar em trogloditas (do ponto de vista de quem os inventa, claro) e se tenta aplicar numa classe onde a licenciatura é a formação de base da esmagadora maioria, é de esperar que as coisas não corram bem.
 
Quem tem funções de chefia nas estruturas da função pública e já teve que aplicar o SIADAP3, sabe muito bem a ginástica que tem de fazer nas pontuações de objectivos e competências. Nós, no conselho executivo, pelo segundo ano consecutivo, já estamos novamente a brincar aos pontos com os nossos funcionários, para não ultrapassarmos as quotas atribuídas superiormente. E é isto que querem que se faça com os professores!
 
Devia ser uma tecla para batermos com mais força. Alguém que, academicamente, mostrasse ao país porque é que se metem quotas numa coisa onde não pode haver quotas. Que mostrasse que, efectivamente, uma avaliação com quotas, não é uma avaliação - é uma farsa!
tags:
publicado por pedro-na-escola às 09:38
link do post | comentar | favorito

~posts recentes

~ E a Terra é plana…

~ A propósito dos melhores…

~ A propósito de oportunida...

~ A propósito das paranóias...

~ Especialistas em educação

~ O que vai ficar por fazer

~ Nuno Crato e a definição ...

~ Mega-Agrupamentos 4 - a p...

~ Mega-Agrupamentos 3

~ Mega-Agrupamentos 2

~ Mega-Agrupamentos

~ O segredo do sucesso nas ...

~ A anedota da vaca

~ Por falar em reduzir as d...

~ Agressividade de autores ...

~ Brincando às competências...

~ Pois, realmente, não foi ...

~ Contas ao número de aluno...

~ Reforço da autoridade dos...

~ Incompetência ao rubro...

~links

~arquivos

~ Julho 2011

~ Junho 2011

~ Maio 2010

~ Abril 2010

~ Março 2010

~ Novembro 2009

~ Outubro 2009

~ Setembro 2009

~ Agosto 2009

~ Julho 2009

~ Junho 2009

~ Maio 2009

~ Abril 2009

~ Fevereiro 2009

~ Janeiro 2009

~ Dezembro 2008

~ Novembro 2008

~ Outubro 2008

~ Abril 2008

~ Março 2008

~ Fevereiro 2008

~ Janeiro 2008

~chafurdar no blog

 
RSS