Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

O fenómeno “e”

É o “e-escola” e o “e-escolinha”. Um fenómeno.
 
Há a questão dos amendoins atirados ao povo, que, como os macacos, apanha, come, rejubila e cala, satisfeito. Tecnologia, diz ele. Se ter um espacinho no “hi5” e uma lista bem composta de contactos no MSN é sinal de tecnologia, pois sim, somos os maiores. Os olhos do mundo postos em nós, ó para eles.
 
No ano passado, descobri que os meus brilhantes alunos viviam, na Internet, um mundo duplamente virtual. A Internet já é um mundo virtual, como se costuma dizer. Mas, ainda assim, eles conseguiam fazer um outro mundo ainda mais virtual e limitado, em cima desse. Traduzindo, o mundo deles, na Internet, resumia-se a usar o MSN e o “hi5”. Descobri isso quando, para juntar o útil ao agradável, comecei a exigir que me enviassem os trabalhos feitos com recurso à Internet, traduzidos em ficheiros do Word ou do PowerPoint, por e-mail. O problema, nem foi o não saberem anexar ficheiros. O problema, foi não saberem o que era o e-mail, propriamente dito. Aquela caixinha de correio electrónico, com mensagens, anexos, etc. Não sabiam. Fiquei pasmo. Pormenores, portanto.
 
O parágrafo anterior era escusado, mas não resisti.
 
Bom, o que eu não entendo mesmo, é como é que esta sociedade tão evoluída, com comentadores de bancada tão lúcidos, com tantos iluminados na área da educação, com tantas preocupações com o futuro do país, ainda não mandou as mãos à cabeça com estas iniciativas governamentais de meter computadores com acesso à Internet nas mãos das nossas crianças e jovens. A granel. Sem controlo.
 
E sem controlo, quer dizer dezenas de milhar de crianças e jovens com acesso ilimitado a tudo o que de bom e de mau tem a Internet. Com a bênção do Estado e a conivência da sociedade. Pornografia, violência gratuita, contactos com estranhos e exposição da privacidade, tudo oferecido de forma irresponsável.
 
Esta irresponsabilidade, será apenas fruto de uma ganância cega por objectivos quantificados e mediáticos, ou faz parte de algum outro plano mais doentio? É que, iniciativas com estas dimensões, tanto na acção, como nas consequências, não é normal. Em especial, num país supostamente menos rico.
 
Não deixa de ser um fenómeno. Resta saber, ao certo, quais são as consequências reais. Para já, penso que é ponto assente que todas as campanhas do tipo www.seguranet.pt são um gasto supérfluo de dinheiro, tempo e energia. Junte-se a imensa e natural curiosidade das crianças e jovens, a sua ingenuidade, a completa ignorância e indiferença da maior parte dos pais, um acesso ilimitado e incontrolado à Internet, e o resultado não promete nada de bom.
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publicado por pedro-na-escola às 00:05
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