Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

A escuridão ao fundo do túnel

Vou especular um bocadinho. Já não sou o primeiro, nem serei o último.
 
A comunicação social não andará ligeiramente controlada pelo governo? Acho tudo muito estranho. As notícias que passam e que nos dizem respeito, tão esquisitas. Os prováveis 120 000 professores pelas ruas de Lisboa, um acontecimento tratado da mesma forma que uma concentração de 100 motards para beberem uns copos e assistirem a um espectáculo de striptease. A conferência de imprensa às 17h00. Os helicópteros. Enfim.
 
Mas, não é só pela manifestação. Pelas manifestações. Estas, são aquilo a que eu chamo “acontecimentos pontuais”, com o devido respeito, claro, dado o número soberbo de profissionais presentes, inimaginável até há poucos meses atrás.
 
Preocupa-me o silêncio da comunicação social para com os “acontecimentos estruturais”. Falo da farsa das Novas Oportunidades. Falo das ordens camufladas para ignorar as faltas dos alunos, incluindo nos CEF’s. Falo da farsa da ascensão dos titulares a avaliadores, esse tal pretenso corpo de elite. Falo do bem engendrado “ataque” aos professores, que tantos aplausos tem merecido por parte da facção recalcada da sociedade. Falo do silêncio da tutela, como que a bater palmas, perante os casos de violência para com os seus funcionários. Falo do fim da democracia nas escolas, com o fim das eleições. Falo dos programas “e-escola” e “e-escolinha”.
 
Aos poucos, começo a vislumbrar, ao fundo do túnel, uma certa escuridão. Especulo mais um bocadinho.
 
Comunicação social controlada. Povo “convenientemente” informado. A censura paira no ar e transpira-se algum medo de represálias. Mesmo debaixo dos nossos olhos (de professores), cresce uma sociedade cada vez mais bruta, mais inculta e com menos espírito crítico, mercê de um estatal “laissez faire”. Ao povo, atiram-se amendoins, sob a forma de computadores portáteis ao preço da chuva. O povo, aplaude, rejubilando em histeria colectiva. Faz-se propaganda sobre o nível cultural e tecnológico do povo, que já está a morder os calcanhares aos nórdicos.
 
Em tempos, li uma teoria de alguém, sobre a importância de se governar um povo bruto e inculto. A Educação, a verdadeira Educação, claro, seria a inimiga número um de quem quisesse levar por diante esta teoria.
 
Com jeitinho, vamos lá…
publicado por pedro-na-escola às 00:03
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