Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

E os avaliadores?

Sobre o fantástico modelo de avaliação do desempenho dos docentes que tanta tinta tem feito correr, há um pequeno pormenor técnico que, apesar de tão singelo e despercebido, continua a estragar-me qualquer intenção de compreender o modelo e aceitá-lo como sério.
 
É que, num processo tão sensível e que envolve tanta gente, tantos parâmetros, tantas grelhas, tantos papéis, tantas dúvidas, ninguém certificou os avaliadores para essa nova tarefa que lhes caiu do céu!
 
Presumo eu, na minha limitada sapiência, que qualquer indivíduo ou empresa que se vá dedicar à avaliação de alguém ou algo, de forma séria e a uma escala universal, seja, primeiro que tudo, certificado para o fazer!
 
Não querendo exagerar, tomo como exemplo um restaurante a quem é concedida a competência de avaliar os outros restaurantes da cidade, com base num conjunto de parâmetros pré-definidos pela ASAE, sendo que dessa avaliação resultam consequências óbvias para o restaurante avaliado, em termos de estrelato, ou, em sentido inverso, em termos de cessação de actividade. A ASAE, sem se chatear muito, até porque está com pressa, escolhe para restaurante avaliador de cada cidade aquele que está simplesmente há mais tempo em funcionamento. Dá-lhe a competência para avaliar, uma explicação breve, uma palmada nas costas e aí vai ele. Eu, que sou dono de um restaurante mais recente, não consigo, por mais que tente, crer que a ASAE está a levar isto a sério, por mais boas intenções que tenha. Ninguém garantiu que o restaurante avaliador é, de facto, um excelente restaurante, com provas dadas e um exemplo a seguir. Pode ser, numa situação extrema, uma espelunca a funcionar desde o tempo da outra senhora, promovido a avaliador de restaurantes de cinco estrelas. Nem a ASAE estaria a levar isto a sério, nem sequer estaria a comportar-se como uma entidade séria. Ponto final.
publicado por pedro-na-escola às 00:29
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