Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

O custo por cabeça

A equipa de Avaliação Externa passou pela minha escola na semana passada. Foram uns porreiros, com um discurso construtivo, apontaram-nos as falhas, apontaram-nos os pontos fortes e ensinaram-nos muita coisa. E fizeram as contas ao custo anual que cada aluno da nossa escola tem para o Estado! Bem acima dos mil contos! Ou seja, e para que conste, o Estado gasta, anualmente, mais de mil contos com cada um dos nossos alunos. Entre ordenados de professores e funcionários, manutenção, consumíveis, água, luz, gás, etc. Mais de mil contos!
 
Sinceramente, não é o facto de serem mais de mil contos que me choca!
 
O que me deixa perplexo, chocado, indignado, sem jeito, é o Estado não exigir absolutamente nada em retorno! Nada, nada, nada! Basta ir para a escola e andar por lá. O Estado não exige resultados, não exige comportamento, não exige esforço, não exige educação! É o que se chama “dar de graça”! Esbanjar, literalmente, muitos milhares de contos por ano com alunos que não querem aprender e com famílias que se estão nas tintas para que os filhos aprendam ou não! É impressionante! Sabendo como é o ser humano, seria natural que se chegasse à conclusão de que a Educação não poderá melhorar, com credibilidade, sem que seja exigido – de facto – algo em troca dos mil e tal contos de investimento anual a cada aluno e respectiva família. Mas, não! Gasta-se, esbanja-se, deita-se ao lixo. É essa a sensação absurda que tenho ao ver as famílias que se estão nas tintas para os mil e tal contos que o Estado gasta com os seus filhos!
 
O Estado é mesmo palerma! É certo! É o mesmo que ter uma empresa e pagar a todos os trabalhadores, tanto os que trabalham muito, como os que trabalham pouco, como os que não fazem nada e pegam fogo às instalações da empresa e partem os computadores e batem nos outros trabalhadores e gozam à fartazana com o patrão. A escola não é uma empresa, mas, em sociedade, tudo pressupõe dar uma coisa para receber outra em retorno. Até o mais simples gesto de caridade funciona assim, pois se oferecermos uma sopa a um mendigo e ele se rir na nossa cara e ainda nos despejar a sopa em cima, o mais certo é não voltarmos a oferecer-lhe a sopa, pois o retorno esperado pela nossa dádiva era simplesmente ele comê-la. Até a mais simples boa acção pressupõe algo em retorno: a felicidade de sabermos que fomos úteis!
 
Em vez de uma simples sopa, o Estado oferece mais de mil contos, que são deitados ao lixo com o maior dos descaramentos! Era suposto o Estado reflectir e chegar à conclusão de que há aqui qualquer coisa que não bate certo e que nem sequer faz sentido num mundo racional. Era suposto o Estado mudar a sua postura perante a Educação, transformando-a numa obrigação, em vez de continuar a ser um simples direito.
publicado por pedro-na-escola às 22:07
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2 comentários:
De Almocreve a 10 de Abril de 2008 às 18:57
Caro Pedro, eu dei aulas numa escola onde alguns alunos iam lá de mês a mês... para levantar o passe social. E outros que faltavam ás aulas da manhã, apareciam à hora de almoço, almoçavam e iam-se embora.


De pedro-na-escola a 10 de Abril de 2008 às 22:18
É um sistema mesmo podre, o que temos...
Tudo é aceitável, tudo é desculpável, nada é exigível, e todos têm uma gigantesca mão cheia de intocáveis direitos...


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