Sábado, 24 de Outubro de 2009

Laborinho Lúcio sobre a autoridade e disciplina

 

Autoridade e disciplina é um “direito dos alunos e não um poder da escola”
23.10.2009 - 16:21 (Lusa)
 
O ex-ministro da Justiça Laborinho Lúcio manifestou-se hoje defensor da “autoridade e disciplina” na escola mas enquanto “direito dos alunos” e não “poder da escola”, sugerindo uma “inversão” nesse domínio.
 
A autoridade e a disciplina entre nós, do ponto de vista cultural, é mais tida como um poder da escola e não necessariamente como um direito do aluno e precisamos de fazer alguma inversão nesse domínio”, afirmou.
 
Laborinho Lúcio falava aos jornalistas à margem do encontro “De SIM e de NÃO se faz Educação”, a decorrer até sábado em Coimbra e que tem como ponto de partida “A violência infanto-juvenil em contexto escolar a par da emergência de um novo fenómeno: a violência de filhos contra os pais, em contexto familiar”.
 
Embora admita partilhar, em alguns aspectos, a ideia de que a escola actual é “demasiado branda em termos de disciplina”, entende que a violência nas escolas deve ser “avaliada sob vários pontos de vista”.
 
“Não podemos olhar para as situações de indisciplina e de violência na escola e observá-las apenas como resultado, temos de analisar os factores, compreender nomeadamente do ponto de vista estratégico o que pode mudar”, disse.
 
Para Laborinho Lúcio, os alunos têm “direito à autoridade, à disciplina, mas exercida em seu nome e não da escola”, daí que preconize “uma reflexão” em torno da questão.
 
É na escola, referiu, que os alunos “fazem grande parte do seu processo de aprendizagem social e precisam, evidentemente, de conhecer os limites interiores que têm de impor a si próprios, de compreender a importância da autoridade e da disciplina como um bem deles próprios”.
 
O antigo governante salientou a necessidade do sistema educativo “preparar as crianças e os jovens para o pensamento crítico, para a sua dimensão cidadã, a capacidade de escolher e não apenas para de agir”.
 
Defendeu uma “luta contra o pensamento único que parece vigorar”, para que “não se formem apenas competentes para uma sociedade de informação e do conhecimento, mas também cidadãos capazes de dizer não quando há que dizer não e de lutar pela afirmativa quando entendem que é isso que deve ser”.
 
Resta saber com que intenção este senhor se pronuncia desta forma sobre o tema. Alguma encomenda? Opinião genuína? Nos tempos que correm (era “Sócrates”, tudo é de desconfiar).
 
Seja como for, o que ele diz é um facto. O povo português usa a expressão “chatear o professor”, e não “prejudicar os outros alunos”, quando se refere à situação de um ou mais alunos perturbarem uma aula.
 
Nunca se fala no prejuízo que a indisciplina traz às aprendizagens dos alunos. À excepção dos próprios professores, Mas, como a ideia de “chatear o professor” soa bem (soa a 25 de Abril) e a pobreza de espírito não dá para mais, os alertas dos professores são ignorados por completo. E assim andamos.
 
A realidade é que, em matéria de disciplina, os alunos portugueses têm o pleno direito de prejudicar (e comprometer) as aprendizagens dos colegas. O Estado permite, os pais consentem.
 
Não se consegue “preparar as crianças e os jovens para o pensamento crítico, para a sua dimensão cidadã, a capacidade de escolher e não apenas para de agir”, sem que haja ambiente sereno para o desenvolvimento dessas competências. Considerando que serenidade e indisciplina são ambientes opostos, é fácil perceber o rumo da escola.
publicado por pedro-na-escola às 10:11
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Sobre a nova Ministra da Educação

Pessoalmente, estou-me nas tintas para o passado de Isabel Alçada. Até podia ter sido Prémio Nobel da Literatura ou inventora da roda. Os factos, contudo, estão bem à vista:
 
1. José Sócrates é um homem que não tem pudor nem escrúpulos quanto se mete a aldrabar o país, esgrimindo argumentos da treta como se fossem verdades intocáveis e inventando soluções milagrosas para problemas que não existem. Na Educação, que é a área que eu domino, as suas políticas foram baseadas na aldrabice, como se o Salvador tivesse descido do Céu à Terra, contribuindo para um ainda maior afundamento do país e ganhando os aplausos de um povo bruto e ignorante.
 
2. Isabel Alçada apoiou e apoia José Sócrates e, por arrastamento ou por convicção, as suas políticas para a Educação. Ou seja, é uma mulher que alinha com aldrabices: com o sistemático sacudir das culpas para cima dos professores, com as estratégias para forçar estatísticas favoráveis, com a divisão de uma carreira por critérios administrativos e óbvios objectivos economicistas, com a implementação e propaganda de medidas que são autênticos disparates, e por aí fora.
 
3. Andar pelas escolas, não é o mesmo que conhecer bem a realidade das escolas. Na Educação, faz falta quem saiba exactamente porque é que os nossos alunos têm insucesso! Que factores influenciam esse insucesso: os pais, o ambiente familiar, o ambiente na sala de aula, etc. O que se passa exactamente dentro das salas de aula das nossas escolas! É preciso conhecer mesmo muito bem a realidade das escolas para poder ousar fazer algo pela Educação no nosso país. Escrever histórias de aventuras e andar pelas escolas não basta. Apoiar José Sócrates é, por outro lado, o sinal claro de que não serve!
publicado por pedro-na-escola às 21:45
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Somos todos bons

Agora que saiu o modelo-faz-de-conta para avaliar o desempenho dos membros dos órgãos de gestão, metemos “mãos à obra” e fizemos a pontuação da nossa anterior equipa do Conselho Executivo: um presidente e três vice-presidentes.
 
Deu “Bom” para todos, com umas diferenças centesimais muito interessantes. E porque é que deu pontuações diferentes entre os quatro? Terá sido por um desempenho diferente? Claro que não. Valter Lemos, ou qualquer outro triste da sua equipa, seria incapaz de inventar qualquer coisa que, de facto, medisse o mérito.
 
Assim, o presidente e um vice-presidente tiveram pontuação superior aos outros dois membros, onde me incluo, porque já tinham estado, anteriormente, em funções num conselho executivo (entre três e seis anos). Outro dos vice-presidentes, teve pontuação inferior à minha, porque tem um bacharelato, enquanto eu tenho uma licenciatura.
 
Chamam a isto avaliação de desempenho.
 
Eu consigo encher uma folha A4 com possíveis nomes para chamar aos artistas de circo que inventaram esta Portaria, mas, como se pode imaginar, não são nomes que se usem em público...
publicado por pedro-na-escola às 21:26
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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Mais uma do mestre das palhaçadas

Valter Lemos assinou a Portaria n.º 1317/2009 (de 21 de Outubro), estabelece um regime transitório de avaliação de desempenho dos membros das direcções executivas, comissões executivas instaladoras, directores, subdirectores e adjuntos, e directores dos centros de formação. Diz-me directamente respeito, por ter feito parte do conselho executivo da minha escola.

 
Uma autêntica palhaçada em 12 artigos. Intragável, na leitura. Intragável, no conceito.
 
A avaliação do desempenho dos docentes abrangidos pela presente portaria é efectuada mediante a ponderação do seu currículo”. Como se eu me estivesse a candidatar a um emprego.
 
Doutoramento ou mestrado corresponde a 5 pontos; Licenciatura corresponde a 4 pontos; Bacharelato corresponde a 3 pontos”. Podiam ter avisado antes, que assim eu tinha ido a correr fazer um Mestrado à pressão e já marchava mais um pontinho!
 
Mais de seis anos como membro do órgão de gestão e administração, seguidos ou interpolados, corresponde a 5 pontos”. Lá está, a mesma onda do concurso para Titulares. O tempo é que dá pontos e não o desempenho.
 
Agrupamentos de escolas/escolas não agrupadas que, para além de ministrarem o ensino regular, tenham promovido, organizado e procedido à criação de cursos profissionais ou CEF, atribuição de 4 pontos”. Vá lá, 4 pontos para a malta.
 
Ter o agrupamento de escolas/escolas não agrupadas sido sujeito a avaliação externa e obtido, no domínio liderança, classificação igual ou superior a Bom, atribuição de 5 pontos”. Pronto, 5 pontos para quase toda a gente. Excepto os que não tiveram avaliação externa, que até nem sabiam que isso dava pontos na avaliação de desempenho.
 
Estou com algumas dificuldades em encontrar a parte do “desempenho” no meio disto tudo, mas, enfim.
 
É porreiro ser-se avaliado por um determinado período de tempo, sem saber com que regras e com que critérios... não é?
 
Esta portaria é uma palhaçada, com o único objectivo de remendar mais uma asneira. Saiu outra asneira, mas, convenhamos que, melhor que isto, não seria de esperar. 
publicado por pedro-na-escola às 16:58
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

O desafio-faz-de-conta de João Alvarenga

A propósito do artigo de opinião de João Alvarenga) Presidente da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo), no jornal Público (17/10/2009), no caderno sobre os rankings de 2009, apeteceu-me especular sobre como seria se o país aceitasse o desafio que ele deixou:
 
"Se a supremacia do privado no ranking é fruto apenas da origem dos alunos, então deixem que todos optem, querendo, pelo privado. Depois avaliaremos o resultado".
 
Vamos lá. Num determinado concelho, existem três escolas: A, B e C. As duas primeiras são públicas e a última (C) é privada. Todos os alunos deste concelho têm direito a um cheque-ensino, que permite aos pais inscrevê-los na escola que quiserem, sendo que as “propinas” são iguais em qualquer das escolas, sem custos adicionais, nem letras minúsculas.
 
No ranking do último ano, as posições foram as seguintes:
- escola A: 900.
- escola B: 300.
- escola C: 100.
 
As escolas têm a seguinte capacidade (para acolher alunos):
- escola A: 300.
- escola B: 600.
- escola C: 100.
 
No concelho existem 1000 alunos. Considere-se que nenhuma das três escolas tem critérios para continuidade dos seus alunos, pelo que os 1000 alunos estão automaticamente em igualdade de circunstâncias no acesso a qualquer uma delas.
 
Presumo que a escola C seria a mais pretendida, por ter os melhores resultados no ano anterior, pelo que 900 alunos do concelho ficariam de fora. Com que critério? Não se sabe, pois João Alvarenga não disse.
 
Presumo, igualmente, que a escola B viria em segundo lugar na escolha dos outros 900 pais. Sorte que cabem lá 600 alunos. Resta saber com base em que critérios é que os outros 300 alunos seriam recambiados para a escola A.
 
Presumo, ainda, que, dos 1000 alunos do concelho, haja uns 50 cujos pais se estão bem nas tintas para essa coisa da escola e inscrevam os filhos na que ficar mais perto e dê para ir de carro. Se deixarem.
 
Critérios, pois. Talvez uns envelopes discretamente passados por baixo da mesa? Provas de selecção? Trocas de favores? Uns presuntos e uns queijos? Um borrego?
 
O desafio de João Alvarenga é, na prática, e salvo melhor explicação, transformar as escolas públicas em escolas privadas, no que toca à selecção da massa humana que se senta diariamente nas cadeiras das salas de aula. Todas, menos uma, por concelho: aquela que ficar com os malucos, arruaceiros, lunáticos, marginais, chanfrados, aspirantes a delinquentes, drogados, alcoólicos, etc., que não foram aceites nas outras.
 
Ou seja, o desafio de João Alvarenga é, na prática, uma patetice! Ou não. Se os malucos, arruaceiros, etc., ficarem concentrados todos na mesma escola, num gueto institucional, é certo que o desempenho dos alunos portugueses – como um todo – melhorará substancialmente. No exemplo que dei, em vez de 900 alunos sujeitos a conviver nas salas de aula com desestabilizadores, só haveria 300, incluindo os próprios. Visto doutro lado, em vez de termos apenas 100 alunos poupados ao convívio com quem não quer aprender, teríamos 700. Não está mal pensado. Tem muitas potencialidades, este desafio.
 
Aproveitei, também, esta suposta crença dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo: “Acreditamos ainda que todos os alunos são capazes de aprender.”
 
Aproveitei, porque também quero dizer, em nome dos Estabelecimentos de Ensino Público, que sabemos muito bem que todos os alunos são capazes de aprender! E sabemos, melhor que ninguém, que muitos deles não querem mesmo aprender e nisso têm o apoio dos respectivos pais!
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publicado por pedro-na-escola às 20:55
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Domingo, 18 de Outubro de 2009

Um desafio dos rankings a que ninguém se atreve

Sim, ainda os rankings, porque o jornal Público ainda agora publicou o seu ranking para o povo degustar.
 
O desafio que aqui proponho, mas ao qual ninguém se atreveria, é muito simples: uma troca directa, e sem excepções, de todos os alunos, entre duas escolas – uma no topo do ranking e outra no fundo. Preferencialmente entre uma privada do topo e uma pública do fundo.
 
Perante o desafio, gostaria de conhecer as reacções de vários intervenientes.
 
Os pais dos alunos da escola privada do topo do ranking
Pânico? Afinal de contas, os meninos não se iriam misturar com a “escumalha” que não quer nem deixa aprender. Só mudariam as instalações e os professores. O factor “professores” teria peso? Ou nem por isso? Sempre há aquele mito de que os professores das escolas privadas trabalham muito mais do que os das escolas públicas (ou que estes nem sequer trabalham), que contrasta com a realidade contada pelo director do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian (a melhor escola pública em 2009), na qual a mesma professora trabalhou muito mais numa escola das últimas 100 do ranking (2008, no Cerco) do que agora, na sua escola (do topo).
 
A Direcção da escola privada do topo do ranking
Teoricamente, segundo a peregrina ideia de que os professores das escolas privadas trabalham muito mais do que os das escolas públicas, para além dos “segredos” do clima de exigência e de trabalho e de dedicação e blá, blá, blá, que os directores quase sempre argumentam quando abordados por jornalistas, a escola privada conseguiria a proeza de pegar nos alunos de uma escola pública do fundo do ranking e obter excelentes resultados. Certo? Claro que sim...
 
Os pais dos alunos da escola pública do fundo do ranking
Euforia? Atrevo-me a sugerir que os pais conscienciosos olhariam esta experiência com alguma indiferença. Seria? Tenho alguma curiosidade. Os factores que prejudicam as aprendizagens dos filhos (dos pais conscienciosos) continuariam presentes, nas turmas.
 
A Direcção da escola pública do fundo do ranking
Na qualidade de membro do (ex) conselho executivo de uma escola do fundo do ranking (últimas 100, em 2008), eu diria que não era preciso tanto. Só pedia que o Estado ganhasse um pouco de juízo e “acertasse o passo” aos pais de meia dúzia dos nossos alunos. Era o suficiente para, no ranking, rapidamente mordermos os calcanhares a essa escola privada.
 
Enfim, fica o desafio. Poderia abrir os olhos a algumas pessoas. Ou talvez não, porque “o pior cego é aquele que não quer ver”...
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publicado por pedro-na-escola às 10:32
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Avaliada vira avaliadora e safa-se de ser avaliada

Parece que é a nova moda, na minha escola.
 
Quase dois terços dos professores querem ser avaliados segundo o actual modelo-faz-de-conta. Os que requereram avaliação por um professor da mesma área, geram uma situação deveras cómica e patética, ao bom estilo do primeiro-ministro Sócrates.
 
Exemplo. A professora A e a professora B, da mesma área, requerem ser avaliadas. A professora A, mais velha que a professora B, vai passar a avaliadora. Por tal, fica isenta de avaliação, devido à promoção.
 
Ou seja, a professora A, que pode ser uma nódoa, passa a avaliar uma colega, sem que o sistema verifique, em primeiro lugar, se ela é capaz de dar aulas em condições, se é uma pessoa isenta, se é capaz de avaliar um colega, etc. Nada disso. Passa automaticamente a avaliadora e livra-se de ser avaliada, apesar de ter pedido para ser avaliada com observação de aulas. A menção da sua avaliação, na qual deixou de entrar a observação de aulas, vai reger-se por outra quota diferente da quota da sua colega B.
 
Isto, na minha humilde opinião, não tem ponta por onde se pegue. É um perfeito disparate, da cabeça aos pés!
 
Infelizmente, este é um país onde reina a pobreza de espírito, pelo que o povo achou que assim é o máximo, ter gente que impõe disparates destes à frente de um Governo, e toca a votar outra vez no homem.
 
Só que, este não é um caso único. Na verdade, está a tornar-se moda na minha escola.
publicado por pedro-na-escola às 22:02
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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Como tropeçar e cair 900 lugares no ranking nacional

Afinal, a escalada não foi de 700 lugares, mas 900. A senhora é que se tinha enganado. Eu bem que tinha a ideia que no ano passado a coisa tinha sido muito negra. Andei à procura de uns ficheiros com os rankings do ano passado e… zás! Um salto de 900 lugares.
 
Já que andava à procura dos rankings de 2008, aproveitei a onda e tropecei nos de 2007. Não me lembrava de nenhuma desgraça em 2007 e senti curiosidade sobre o percurso 2007-2009.
 
Ora, em 2007, estávamos sensivelmente na mesma posição que em 2009. Os exames de 2008 é que foram o descalabro, tropeçámos e caímos 900 lugares. Este ano, voltámos à “normalidade”.
 
Toca a fazer um apelo à memória e analisar que tipo de alunos tínhamos em 2007 e que tipo tínhamos em 2008, que pudesse estar relacionado com tamanho solavanco.
 
Assim sendo, em 2007 tínhamos quase uma dezena de alunos com perspectivas de prosseguirem estudos por aí fora até uma faculdade de medicina ou uma engenharia, ou algo apetecível. E tinham notas a condizer. Depois sobravam uns quantos mais apáticos e outros virados mais para as gajas e os gajos e as motas e uns biscates numa qualquer gelataria na Alemanha. Mas havia um corpo de alunos a sério.
 
Em 2008, haveria qualquer coisa como uma meia dúzia de alunos com algum esbatido interesse em prosseguirem estudos no secundário e no ensino superior, mas, infelizmente, eram o produto acabado de um 3º ciclo altamente perturbado por colegas malucos. Ou seja, não havia um único aluno que pudéssemos considerar “bom”. À escolha, havia “mediano”, “fraco” e “nulo”. O resultado, pois claro, foi uma queda de 900 lugares.
 
Em 2009, voltámos a ter um corpo de alunos com perspectivas de prosseguimento de estudos, blá, blá, blá, e o resto já se sabe.
 
Ou seja, na prática, não trepámos 900 lugares no ranking. Na prática, tivemos foi a prova mais que evidente de que são os próprios alunos e os respectivos pais que condicionam o sucesso, e não outros factores como os professores, os apoios, a escola, o dinheiro, e tal, e tal, e tal...
publicado por pedro-na-escola às 22:04
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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Como trepar 700 lugares no ranking nacional

Hoje, recebemos um telefonema de uma jornalista do jornal Público, que desejava saber quais foram os factores que nos fizeram subir mais de 700 lugares no ranking nacional, segundo as estatísticas daquele órgão de comunicação social. Nós ainda não sabíamos do nosso lugar no ranking, mas a senhora jornalista fez o favor de informar. Um salto fabuloso!
 
A simpatia da senhora jornalista foi tanta que até sugeriu respostas: mudança de práticas?, mudança de professores?... Com o devido respeito, tenho a dizer que é preciso muita patetice junta e concentrada para sequer se ousar pensar que se trepam 700 lugares num ranking às custas de mudança de práticas ou de professores. É preciso viver mesmo noutro planeta para se adiantar hipóteses destas. Francamente!
 
Ainda assim, foi necessário dar resposta à senhora jornalista, não sei bem para quê, pelo que se gerou ali logo uma saudável discussão sobre os tais factores que fizeram a diferença. Eu tentei forçar a barra, insistindo que o único factor em causa era a mudança dos pais dos alunos. Alunos diferentes, porque pais diferentes, e o resto são estórias da Carochinha, disse eu. Não colou. Assim sendo, elencámos três factores para justificar o salto:
 
1. Em 2008, não tínhamos uma turma de CEF no 9º ano, pelo que a exame foram alunos interessados, alunos assim-assim e alunos que se estavam a borrifar completamente para a escola (estes com a conivência dos pais, obviamente). Em 2009, mais de um terço dos alunos do 9º ano estavam num CEF, pelo que, automaticamente, acabaram os níveis 1, e os níveis 2 ficaram em minoria.
 
2. Os alunos que foram a exame, em 2008, tiveram um 3º ciclo para esquecer, sempre com malucos na turma, a provocarem diariamente perturbações e interrupções das aulas para tratar da indisciplina. Os alunos que saíram do 2º ciclo com quatros e cincos, terminaram o 3º ciclo incapazes de passar acima da fasquia do 3. Tiveram azar, coitados, aqueles que sonhavam voar mais alto, porque, às custas de três ou quatro “órfãos de pais vivos”, ficaram com as “pernas cortadas” para o futuro.
 
3. Calhou, em 2009, grande parte dos alunos vir desde o 7º ano sem malucos nas turmas e, além disso, grande parte dos alunos ter pais com expectativas, que nunca se demitiram do seu papel de pais, nem das suas exigências para com os deveres e obrigações dos filhos (entenda-se: estudar, ter bons resultados e ter bom comportamento). Calhou, simplesmente. Tiveram sorte, estes alunos. Têm pernas para andar, uns querem seguir para medicina, outros para engenharias, e por aí fora.
 
As práticas lectivas, os apoios dados pela escola, a qualidade dos professores e mais uma mão-cheia de balelas que enchem páginas de jornais, revistas e blogues, são de uma irrelevância brutal neste assunto. Lamento como tanto se insiste em factores que, na minha humilde opinião, não passam de poeira, de tão insignificantes que são.
 
E falo com conhecimento de causa. Fui professor destes alunos que subiram 700 lugares no ranking, durante todo o 3º ciclo, e preparei-os para o exame nacional. Tal como todos os meus colegas de Matemática que também prepararam os seus alunos para o exame nacional. Ao contrário do que muitos patetas pensam, não se faz pão sem farinha! E a minha escola teve muita sorte, porque, em 2009, teve um saco cheio de farinha, quando habitualmente o saco traz bem mais areia do que farinha...
publicado por pedro-na-escola às 19:33
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

O ranking dos pais

É o que eu acho, sinceramente. Os rankings das escolas, que andam a ser publicados nos diversos órgãos de comunicação social, não são rankings das escolas, mas, antes, os rankings dos pais dessas escolas. A malta não gosta de ouvir isto, mas é o que eu acho mesmo.
 
Por isso, acabo por enjoar com o rol de teorias sobre o porquê das diferenças de posições nos rankings, porque é que umas escolas sobem e outras descem, porque é que as privadas isto e as públicas aquilo, enfim. As diferenças de fundo estão, a meu ver, e sem margem para dúvida, nos alunos. E, por mais que os teóricos inventem, os alunos são aquilo que os pais querem que eles sejam, dentro de uma determinada margem de manobra.
 
Em qualquer escola, de ano para ano, muda a massa humana que faz exames. Com a massa de alunos, muda também a massa de pais. No caso de uma massa de pais homogénea, isto é, numa escola em que a esmagadora maioria dos pais exigem resultados aos seus filhos, é de esperar que essa escola não fique na cauda, mas, antes fique em lugares cimeiros do ranking. É o que acontece numa escola privada, em princípio. Não tem que ver com os 500 euros de propina mensal, não tem que ver com o dinheiro gasto em explicações, e não tem que ver com o estrato social dos pais! Tem, pura e simplesmente, que ver com as exigências dos pais.
 
Na minha escola, por exemplo, situada numa zona rural onde abunda a pobreza de espírito, se eu pegasse em 10 dos meus bons alunos, cujos pais não têm mais que o 6º ano de escolaridade e vivem o dia-a-dia a apertar o cinto, e os replicasse pela escola toda, isto é, todos os outros alunos passassem a ter pais idênticos aos daqueles 10, então, meu Deus!, a minha escola saltaria para as primeiras 20 do ranking, garantidamente! Sem colégio privado. Sem explicações por fora. Sem mais nada!
 
Infelizmente, tal não é possível. Esses 10 alunos têm que andar misturados com outros tantos que se acham no direito de não aprender e cujos pais apoiam sorrateiramente o exercício desse direito. Conforme o peso de uns e de outros, nas turmas do 9º ano, assim teremos os nossos resultados nos exames.
 
Pior ainda, muitos dos que se acham no direito de não aprender, acham-se, também, no direito de impedir que os outros aprendam com qualidade! Os respectivos pais sabem disso, mas, um direito, é um direito!
 
Imagine-se uma escola – e destas há muitas – onde a esmagadora maioria dos alunos se acha no direito de não aprender e no direito de impedir que os outros aprendam com qualidade, com a descarada conivência dos respectivos pais. Qual é o lugar no ranking que as espera?...
 
Por isto tudo, da posição das escolas nestes rankings nacionais só há uma informação a retirar: o tipo de pais que predomina entre os alunos dessa escola. Mais nada! E só há três tipos de pais:
- os que exigem bons resultados,
- os que apenas exigem a passagem de ano,
- e os que não exigem nada.
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publicado por pedro-na-escola às 21:51
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