Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Sócrates e os maus professores

Um dos motivos pelos quais eu acho que os professores devem ser avaliados, é muito fácil de explicar e, quem sabe?, de perceber:
 
Como em todas as profissões da nossa sociedade, há maus profissionais, profissionais médios, bons profissionais. Eventualmente, alguns excepcionalmente bons. Também como na esmagadora maioria das profissões, e deixando uma ressalva para algumas realidades que desconheço, a maior parte dos profissionais são médios. Contrariando algumas ideologias a roçar a parolice, é perfeitamente normal que a maior parte dos profissionais tenham um desempenho médio, porque a maior parte dos cidadãos tem capacidades médias.
 
Quando vou a um médico, não exijo que ele seja um bom médico e muito menos que seja excepcional. O que exijo é, simplesmente, que ele não seja um mau profissional. Se quiser um pedreiro para fazer uma casa, o meu maior receio é que me saia um mau profissional.
 
Nesta linha de ideias – obviamente discutível -, temos que ter um modelo de avaliação que contribua para eliminar os maus profissionais: ou porque não querem mudar de atitude, ou porque não são capazes mesmo de mudar. Dizer que é um modelo punitivo, não fica muito bem, mas, na prática, é assim que deve ser. A punição, claro, é o simples afastamento da pessoa em causa.
 
Desejar que o modelo de avaliação sirva para melhorar o desempenho dos professores médios, é um pouco utópico, em especial num país como Portugal, onde uma quantidade impressionante de alunos se acha no direito de não querer aprender e usa e abusa desse direito, com a conivência dos pais e do Estado, acrescendo a esse o direito de também influenciar negativamente as aprendizagens dos que querem usufruir do direito de aprender, com a conivência dos mesmos do costume.
 
Em primeiro e fundamental lugar, a avaliação deveria servir para identificar os maus profissionais, colocando-os entre a espada e a parede. Nós, professores, temo-nos cruzado com maus profissionais ao longo da nossa vida, nesta ou naquela escola. São uma minoria realmente minorca, mas, como diria alguém, “eles andem aí”.
 
Até à era Sócrates, não havia um mecanismo para, objectivamente, identificar e afastar os maus profissionais. Quase que parece mal pôr as coisas assim, mas eu até fiz parte de uma daquelas comissões para avaliar os relatórios de auto-avaliação para efeitos de progressão de escalão, e, realmente, os maus profissionais continuavam a ser maus profissionais, sem que qualquer beliscadela lhes atormentasse os maus hábitos.
 
Depois, veio Sócrates, o salvador da Pátria, o grande líder, blá blá blá. E criou um modelo-faz-de-conta para avaliar os professores que consegue alimentar situações ainda mais aberrantes do que deixar os maus profissionais progredirem da mesma forma que os bons profissionais. Conseguiu que alguns maus profissionais ficassem livres de uma avaliação ao seu desempenho como professores e que, ainda por cima, fossem promovidos a avaliadores dos outros.
 
E assim surgem situações quase a raspar no inacreditável, como a que a seguir descrevo, tal qual me relataram de fonte directa e segura, na qual apenas não são verídicos os nomes dos professores e os nomes das disciplinas de línguas:
 
No início deste ano lectivo, a turma X do 9º ano mudou de professor de Inglês. No ano passado teve o professor João (do antigo grupo de recrutamento de Português/Inglês), mas este ano, por força da rentabilização de recursos na distribuição de serviço, passou a ter o professor Manuel (também do antigo grupo de recrutamento de Português/Inglês).
 
Ora, numa das primeiras aulas, assim como que de revisão de conhecimentos anteriores, os alunos confessaram que o professor João passou o ano inteiro a passar-lhes filmes em Francês durante as aulas, pelo que o Inglês ficou para outras núpcias. Parece que, na biblioteca da escola, havia muitos mais filmes em Francês do que em Inglês, pelo que era mais simples e rápido arranjar um filme em Francês do que andar em busca de um em Inglês.
 
Quanto à questão das notas, e ainda segundo os alunos, boas notas para todos, bico calado e assunto resolvido. Satisfação total, sucesso global.
 
Da parte dos pais, a quem interessa mais a “qualificação” do que o “conhecimento”, nunca houve uma queixa. No entanto, do professor João parece que sempre houve grandes dúvidas sobre as suas capacidades para leccionar, mas o sistema sempre o deixou andar para a frente.
 
A parte que me revolta as entranhas, nesta situação, é que o professor João é mais velho do que o professor Manuel, e, por conseguinte, subiu a Professor Titular por via administrativa, sem que nunca alguém tenha avaliado se ele era capaz de dar aulas com um mínimo de qualidade. Ou dar aulas, sequer. Mas irá, eventualmente, avaliar a capacidade do professor Manuel para dar aulas.
 
A 27 de Setembro de 2009, o povo mostrou que quer que Sócrates continue a inventar disparates que permitam situações aberrantes como esta. Afinal, foi ele que, finalmente, após trinta anos, veio “meter os professores na ordem”. Que país de pobres de espírito é este nosso Portugal...
publicado por pedro-na-escola às 23:59
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Quem votou em Sócrates?

Ainda estou com dificuldades de digestão, depois de ter engolido os resultados das eleições legislativas. Talvez me fique mal, do ponto de vista do “espírito democrático”, este tipo de comentário, mas, pela parte que toca à educação, Sócrates concretizou dois tipos de disparates:
 
1. Um ataque à classe docente, não tanto pelas questões corporativistas de que os defensores desse senhor tanto falam, mas pela forma como sacudiu, do capote dos políticos para os ombros dos professores, as culpas pelo estado da Educação, e pela quantidade de palermices sem sentido que assistiram à mudança do Estatuto da Carreira Docente e, consequentemente, da forma de avaliar o desempenho dos professores.
 
2. Uma facada profunda no serviço prestado pela Escola Pública à nação portuguesa, que a esmagadora maioria do povo não consegue vislumbrar, que inclui um claro incentivo ao lazer com a oferta de computadores a troco de nada, um regime de faltas dos alunos com o claro intuito de fazer brilhar as estatísticas do abandono, um inclinar acentuado do navio para os CEFs e PCAs – que “qualificam” muito mais do que formam -, e mais meia dúzia de trocos cuja visibilidade é ainda menor.
 
Há uma diferença gigantesca entre uma opção política e um disparate!
 
As opções políticas, tomam-se depois de muita ponderação e, quando necessário, depois de alguns testes. Implementam-se cuidadosamente, com coerência, com rigor, bem explicadas a todos os intervenientes, e, mesmo que haja discordâncias, reconhece-se-lhes algum sentido.
 
Os disparates… Bom! Os disparates acontecem quando se criam coisas mal feitas, não testadas, incoerentes, mal explicadas, disfuncionais e sem sentido.
 
Foram os disparates que colocaram 120 000 professores nas ruas, que originaram greves com uma adesão tão grande e que provocaram esta onda tão grande (nunca vista?) de contestação generalizada da classe docente. Ao contrário das desculpas esfarrapadas dos apoiantes de Sócrates, culpando o corporativismo, os sindicatos e o oportunismo da oposição. Corporativismo é coisa que nunca tivemos, tal é a falta de união da nossa classe; os sindicatos nunca na vida conseguiriam movimentar, por sua obra e graça, tanta gente; e o oportunismo da oposição, francamente, nunca conseguiu mexer mais que duas ou três palhas no palheiro inteiro.
 
Posto isto, uma fatia grande dos votantes acha que os disparates de Sócrates foram coisas bonitas de se ver e que assim o país vai longe. Senti alguma curiosidade em tentar perceber quem teria votado em Sócrates, evidenciando, assim, uma clara preferência pela continuidade dos disparates. A área da Educação, por ser a única que domino e sobre a qual me posso pronunciar com conhecimento de causa, é quanto basta para vislumbrar algumas respostas.
 
Quem votou em Sócrates?
 
1. Alguns Professores Titulares, que “treparam” administrativamente ao “coqueiro” da divisão superior da carreira, que tremem só de pensar que alguma vez o processo poderá ser invertido e assim voltariam à estaca zero, acabando-se-lhes a vantagem salarial quase eterna. Em especial alguns professores titulares de qualidade duvidosa, que sabem muito bem que de outra forma qualquer com algum pé de racionalidade nunca passariam “à frente” de colegas mais competentes.
 
2. Alguns pais e mães ansiosos pela dádiva de um Magalhães ao rebento que agora entrou no 1º ano, ou aos que entrarão nos anos seguintes. O peso do Magalhães a hora de votar é tanto que até houve oposição a garantir que também dava Magalhães ao povo.
 
3. Alguns pais e mães ansiosos pelos portáteis do programa e-escola, ou simples adultos em condições de obterem um, receosos que outro partido político pudesse acabar com o regabofe do programa.
 
4. Alguns adultos com todo o tipo de habilitações, desde sopeiras até professoras, que acham o máximo ter um primeiro-ministro que foi eleito o sexto homem mais elegante do mundo, ainda por cima tão bem falante.
 
5. Alguns singelos Professores, ansiosos por prestarem a Prova Pública e passarem a Titulares na próxima fornada de vagas que o magnânime Ministério da Educação se lembrar de criar num futuro muito próximo, deixando para trás – em matéria de remuneração – os restantes colegas que não puderam concorrer ou que se armaram em “tansos” e não quiseram concorrer.
 
6. Muitos ressabiados do povo, que andaram a bradar aos céus, durante toda a campanha, que depois de Sócrates ganhar as eleições a terrível vingança se iria abater sobre a escumalha dos professores, sendo que, tal como alguns afirmaram, “em qualquer país evoluído os professores são uns insignificantes e fazem parte da ralé”.
 
7. Muitos professores militantes do Partido Socialista, que, naquele momento íntimo e secreto do voto, sem ninguém a espreitar por cima do ombro que pudesse abanar a cabeça em sinal de reprovação, votam no seu partido do costume, porque é o partido do costume, mas, também, porque isso pode condicionar a forma como o povo irá votar nas eleições autárquicas, em cujas listas socialistas muitos deles participam.
 
8. Os beneficiários directos de medidas como aqueles subsídios que o Estado oferece, de mão beijada e sem requerer nada em troca, a quem não quer trabalhar, a quem passa o dia no café à espera que os trabalhadores regressem para poder gozar com eles.
publicado por pedro-na-escola às 22:51
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

MLR, a ministra inovadora

Esta foi a única Ministra da Educação que conseguiu promover a avaliadores alguns dos professores incompetentes, para irem avaliar professores competentes!
 
Esta foi a única Ministra da Educação que conseguiu que um professor muito competente e excelente profissional, mesmo tendo obtido um somatório de pontos elevado – sinal do seu profissionalismo – não obtivesse a menção condizente (Muito Bom ou Excelente), só porque há essa maravilha da inteligência humana que são as quotas!
 
Esta foi a única Ministra da Educação que, em final de mandato, admitiu numa entrevista à Antena1 que aos alunos falta mais trabalho e mais estudo, porque sem isso não haverá sucesso, depois de ter passado o tempo todo do seu mandato a bradar aos quatro ventos que o insucesso era culpa dos professores porque trabalhavam pouco, e depois de ter distribuído quase gratuitamente milhares de computadores com internet aos alunos para que possam passar o tempo em casa a jogar e a navegar no hi5 em vez de trabalharem e estudarem!
publicado por pedro-na-escola às 20:12
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Margarida Moreira a ministra, num fim-de-semana próximo

Aflige-me um dos resultados possíveis do próximo fim-de-semana: aquele em que Sócrates continuaria à frente do Governo. Aflige-me, porque estou dentro do sistema e sei bem as consequências, para a Educação e para o país, de cada uma das medidas obscuras lançadas por aquela cabecinha para cima das escolas. Aflige-me, mas, também tenho consciência que “temos o que merecemos” e que vamos ter o que “pedimos”...
 
Acho estranho como é que Sócrates poderá voltar a ficar à frente de um Governo, quando, à minha volta, não oiço uma única palavra de apoio. Até de empresários oiço, sistematicamente, palavras de desprezo, com predominância para “aldrabão”.
 
Contudo, há um ligeiro pormenor técnico a ter em conta... porque Sócrates tem-no em conta diariamente: este é um país onde abundam os pobres de espírito. Manobráveis, emprenham pelos olhos e pelos ouvidos com qualquer porcaria feita à medida.
 
Há professoras que dizem odiar Sócrates e admitem que vão votar nele porque... foi eleito o sexto mais elegante do mundo! Mesmo sendo aldrabão.
 
O sentido de voto no Bloco de Esquerda é mais bolachas no saco do PS, quando a necessidade apertar, se apertar. Digo eu. O “barómetro” no blog “A Educação do meu Umbigo” sugere muitos professores a votar BE.
 
A continuação de Sócrates à frente do Governo, tem uma faceta inevitável a necessária: a vingança! O alvo mais fácil, e também o mais apetecível, é o bolo de 150 mil professores, capazes de se comerem uns aos outros a troco de mais uns euros no final do mês, ou, até, a troco da perspectiva de mais uns euros no final de um mês longínquo. A personagem ideal para operacionalizar esta vingança é a tristemente célebre Margarida “bulldozer” Moreira – a mulher directora que não escreve português de Portugal.
 
Pior que a vingança sobre os professores, são as consequências para o país das orientações de Sócrates para a Educação. Os pobres de espírito, para além de não perceberem o que se está a passar, ainda batem palmas!
 
O sucesso fictício, anunciado a toques de trombone, continuará a predominar sobre os rasgos de lucidez. O sucesso, segundo as orientações de Sócrates, acontece quando se transita de ano, e não quando se tem conhecimentos. O sucesso, para este senhor, acontece quando se obtém um diploma, e não quando se adquire conhecimentos. Vamos pagar isto bem caro, daqui a uns anos!
 
Entretanto, o povo sucumbe perante o autêntico espectáculo que é a campanha eleitoral de Sócrates, conseguido à custa do meu dinheiro e do dinheiro de milhões de portugueses.
publicado por pedro-na-escola às 22:59
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Estória mal contada II

 

HÁ 1000 NOVOS BONS ALUNOS EM PORTUGAL
 
Os resultados do projecto da Associação EPIS – Empresários Pela Inclusão Social denominado “Mediadores para o sucesso escolar”, que terminou o segundo ano de trabalho no terreno e o primeiro completo de «capacitação para o sucesso escolar», confirmam a aposta feita há cerca de 2 anos:
 
Em 2007/2008, diagnosticámos com um inovador «sistema de screening de risco» todos os alunos dos 7.º e 8.º anos de escolaridade em 10 concelhos parceiros, tendo sido analisados 20.000 jovens.
 
Com base nesse «screening», seleccionámos 6.000 jovens, cujos factores de risco escolar apontavam para a necessidade de um apoio de proximidade sistemático e estruturado, que iniciámos ainda em 2007/2008.
 
Ao longo de 2008/2009, as notas destes 6.000 alunos melhoraram sempre em todos os períodos face ao ano lectivo anterior:
 
- No 1.º Período, o número de alunos em «zona de aprovação» (ZA = 2 ou menos negativas) aumentou de 19% para 36%, uma variação de +87%.
- No 2.º Período, o número de alunos na «ZA» aumentou de 31% para 39%, uma variação de +25%.
- No 3.º Período, o número de alunos na «ZA» aumentou de 56% para 71%, uma variação de +27%.
 
O trabalho dos mediadores da EPIS ao longo dos três períodos de 2008/2009 determinou um aumento da taxa de aprovação dos alunos EPIS em 14 pontos percentuais, passando-se de 63% em 2007/2008 para 77% no ano que terminou.
 
Este resultado positivo absoluto de 14 pontos percentuais na carteira EPIS compara com uma redução do sucesso escolar em 2 pontos percentuais no restante grupo de alunos destes concelhos que não acompanhamos em proximidade, mas que monitorizamos em termos de resultados escolares.
 
Deste modo, encaramos com enorme confiança o próximo ano lectivo de 2009/2010, na expectativa de que a curva de aprendizagem nos permita superar os resultados atingidos este ano e aumentar a base de cobertura da EPIS a nível nacional, em parceria com o Ministério da Educação e com as Autarquias.
 
www.epis.pt
 
Um aumento percentual dos resultados do 1º período, de um ano para o outro, já me parece algo mais substancial e muito positivo.
 
Resta saber, já que não reparei nessa informação, de que tipo de alunos estamos a falar. Currículo regular, currículos alternativos ou cursos de educação e formação? Houve alunos a mudar do currículo regular para um dos outros?
 
Que raio de título é aquele? Há 1000 novos bons alunos? Não percebi a parte dos “bons alunos” na informação estatística fornecida. Parece mais um título altamente conveniente do que um título para o resto da informação.
 
Já agora, é este o remédio para a Educação em Portugal? Vai abrir um concurso nacional para colocar mediadores em todas as escolas? O que é que aqueles 70 mediadores descobriram ao lidar com 6000 casos de eminente insucesso? Quais foram os “factores de risco” detectados?
 
O Estado Português parece concordar que a solução para combater os “factores de risco escolar” é remediá-los com mediadores, em vez de ir à raiz desses “factores” e fazer uma intervenção social consequente?
 
Se Maria de Lurdes Rodrigues defendia tanto que a má prestação dos professores é que estava na origem do insucesso escolar no nosso país, escapa-se-me porque não aproveitaram antes os mediadores para intervirem junto dos professores, de chibata em riste e sobretudo negro?

 

publicado por pedro-na-escola às 22:40
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Estória mal contada I

 

Clinton Global Initiative
Projecto português de combate ao insucesso escolar apresentado em Nova Iorque
23.09.2009 - 07h43 Lusa
O projecto português “Mediadores para o Sucesso Escolar”, que permitiu aumentar em 14 pontos percentuais o sucesso escolar de alunos do ensino básico, é hoje apresentado como um “case-study” na conferência Clinton Global Initiative, em Nova Iorque.
 
A iniciativa, da Associação EPIS - Empresários Pela Inclusão Social, analisou no ano lectivo 2007/2008 cerca de 20 mil alunos dos 7º e 8º anos de escolaridade de 88 escolas de dez concelhos parceiros, seleccionando depois cerca de seis mil em risco de reprovação, que foram apoiados por uma equipa de 70 mediadores.
 
“No primeiro período do ano lectivo 2007/08, mais de 80 por cento destes alunos tinham três ou mais negativas, portanto em situação de reprovação. Ano e meio depois, a taxa de sucesso escolar deste grupo de seis mil estudantes passou de 63 por cento para 77 por cento”, resumiu o director-geral da EPIS.
 
Segundo Diogo Simões Pereira, os mediadores trabalham fundamentalmente na escola, realizando com os alunos sessões de 30 ou 60 minutos, durante os intervalos e antes e depois das actividades lectivas. “Os primeiros temas a abordar nas sessões prendem-se com o estabelecer de uma relação de confiança. Abordam-se os problemas, as ansiedades, os comportamentos em relação à vida. Nestas idades, os alunos têm normalmente muitas questões existenciais, dificuldades na gestão das críticas. É uma dimensão bastante comportamental”, explicou o responsável.
 
Por outro lado, acrescentou, em parceria com as famílias, os mediadores ajudam na criação de rotinas de organização do tempo dos alunos: de higiene, de descanso, de estudo, de pausa, por exemplo, mas sempre a focar o desempenho escolar.
 
Outro tema trabalhado é o da metodologia de estudo. Os mediadores ajudam na selecção das matérias, na preparação para os testes e na gestão das ansiedades antes e depois das provas. “É um trabalho muito grande de enquadramento, em ligação directa com a escola, directores de turma e família, quando necessário. Trata-se fundamentalmente de uma metodologia de ajuda e de capacitação. Depois verificamos se há mudança de atitude e se essa mudança se reflecte nas notas do aluno”, resumiu o director-geral da associação.
 
Depois da “qualidade” dos resultados alcançados ao fim de um ano e meio, a EPIS já abordou novos concelhos para o alargamento do projecto, em parceria com as autarquias e Ministério da Educação: “O desafio fundamental é massificar este tipo de metodologias e aplicá-las num projecto-piloto maior”. “Se funciona com seis mil alunos pode funcionar com muitos mais”, afirmou.
 
Este projecto será divulgado hoje durante a V edição da Clinton Global Initiative, uma conferência que decorre em Nova Iorque de 22 a 25 de Setembro.
 
Chamar a isto uma estória mal contada, não é má vontade. A sério.
 
Sem projecto algum, apenas porque é assim que acontece nas escolas portuguesas (da realidade que eu conheço) o salto percentual do sucesso do 1º período para o 3º período costuma ser bem mais que 14%! Ou estarei a fazer mal as contas?...
publicado por pedro-na-escola às 21:20
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Votos à venda, de 0 a 50 euros

 

"Magalhães" nas mãos do próximo Governo
 
O Ministério da Educação esclareceu hoje, quarta-feira, que caberá ao próximo Governo decidir se o computador Magalhães será entregue aos alunos que entraram este ano para o ensino básico.
 
"O que está decidido é que a decisão caberá ao novo Governo, seja ele qual for", disse, em declarações à Lusa, o secretário de Estado da Educação, sublinhando que é uma decisão que envolve despesa, mas recusando que o programa tenha sido "suspenso".
 
De acordo com Valter Lemos, o programa tem-se desenvolvido com "toda a normalidade", tendo sido entregues cerca de 400 mil computadores "a quase todas as crianças do ensino básico".
 
"Naturalmente que a nossa expectativa é a de que o próximo Governo, seja ele qual for, dê continuidade ao programa, pela importância que tem", salientou.
 
Segundo dados do Governo, o computador Magalhães foi entregue a 99 por cento dos mais de 400 mil alunos do ensino básico que se inscreveram no programa e.escolinhas, faltando disponibilizar o portátil a cerca de 4300 estudantes.
 
Fonte do Ministério da Educação esclareceu que a distribuição destes 4300 computadores não está em causa.
 
"As pessoas que se inscreveram no programa, já pagaram e ainda não receberam o computador irão recebê-lo", destacou.
 
Faz hoje um ano que o primeiro-ministro, José Sócrates, e onze elementos do Governo entregaram os primeiros três mil computadores Magalhães a crianças do primeiro ciclo, com um custo máximo de 50 euros e gratuitos para os alunos do primeiro escalão da Acção Social Escolar.
 
De acordo com dados do Ministério da Educação, inscreveram-se no programa no ano lectivo passado 407.701 alunos do ensino básico, tendo o computador sido entregue a 396.027 estudantes de escolas públicas e privadas do continente.
 
www.jn.pt (23/09/2009)
 
Dois comentários:
 
1. Não sei de quem partiu a ideia de passar esta questão para a comunicação social: se o Ministério da Educação, com objectivos óbvios, se a própria comunicação social, também com objectivos óbvios. Aliás, a notícia parece que surgiu, em primeira-mão, da Agência Lusa… de onde também partiram várias notícias sobre Educação com interesse suspeito. Digo eu, que já desconfio de muita coisa. Seja como for, esta notícia é uma clara declaração de intenção de compra de votos, com o preço a oscilar entre os 0 e os 50 euros. Aceitável e eficaz, pelos vistos, num país onde abundam os pobres de espírito que votarão PS só para os seus rebentos recebam um “Magalhães” à entrada para o 1º ano da escola. Intolerável num país civilizado, pelo meu prisma.
 
2. Quando participei numa daquelas famosas formações-faz-de-conta sobre o “Magalhães”, que envolveram cantorias e muito espectáculo, recordo-me bem da conversa do representante da J.P. Sá Couto, a propósito da perspectiva da empresa: “O fornecimento de 500 000 exemplares está garantido para este ano lectivo, assim como mais 160 000 para o próximo (alunos do 1º ano)”. Não faço ideia que esquemas foram montados entre o Governo e a J.P. Sá Couto, mas sei que muitas das coisas que ouvimos dizer que iam acontecer, em termos técnicos e estruturais, relativamente aos “Magalhães”, não aconteceram.
publicado por pedro-na-escola às 20:08
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Ainda as contratações de escola

Só depois de estarmos metidos nas coisas, é que nos apercebemos do seu bom ou mau funcionamento. Pessoalmente, tenho uma visão da contratação de escola do ponto de vista da gestão de uma escola.

 
Consta que, para os colegas contratados, não tem sido nada fácil, tem-lhes trazido muito stress, e tem sido uma sucessão de tiros completamente no escuro. A falta de transparência nos processos de colocação através da bolsa de recrutamento, salta para a forma como se processam as contratações de escola. Digo eu. Algo semelhante a uma roleta russa, na balbúrdia e confusão de horários e candidatos, Uns a aceitarem, outros a recusarem, outros ainda a ver se a desistência de alguns podem abonar em seu favor. Acho que nunca vi um recrutamento de professores com um tão elevado grau de imprevisibilidade. Nunca vi ser tão grande a probabilidade de um professor bem colocado numa lista de graduação nacional poder ficar muito “pior colocado” que um outro bem mais abaixo na lista. Tipo jogo de sorte e azar.
 
Do ponto de vista da gestão, já estou um bocadinho farto de brincar às contratações de escola. Lança-se um horário, reúnem-se dezenas de candidaturas, analisam-se os currículos, ordenam-se os candidatos e começa o jogo do gato e do rato. Selecciona-se o candidato A, que no dia seguinte recusa o horário. Começa-se a telefonar um a um. Selecciona-se o B, na esperança, mas também recusa. O C diz que talvez, mas está à espera de ver o que acontece na escola X, para onde também concorreu, e no dia seguinte não aceita. Vamos ao D que já está colocado noutra escola, assim como o E e o F. Passa uma semana. O candidato G tem o telefone inactivo. Mais dois dias até podermos seleccionar o H. Mas isto é um circo, ou quê?
 
É óbvio que os professores procuram encontrar o melhor horário e isso merece todo o respeito. O sistema é que está mal feito! Pode funcionar noutros países, acredito que sim, mas, na realidade portuguesa, é impraticável. E qual é a diferença? Presumo que a diferença esteja na quantidade abismal de candidatos que temos. Porque, a bem dizer, recrutar um professor, a meio do ano, para uma substituição, através da contratação de escola, até é um processo simples e fácil. Mas, num início do ano lectivo, já com as aulas a decorrer, com centenas de “cães ao mesmo osso”, esta opção é um tremendo disparate e não traz benefício para ninguém! Nem para os professores que concorrem, nem para as escolas que os contratam.
 
Na prática, gostaria que a senhora ministra da Educação me explicasse (e, já agora, ao povo) onde está a normalidade do arranque do ano lectivo, quando foi preciso um mês e uma semana para me colocarem um professor de informática na escola, em especial quando já se sabia que, há um mês e uma semana atrás, havia centenas de professores de informática prontos para concorrer!
 
Terá sido tudo isto propositado? Com aquele trio à frente do Ministério da Educação, é provável que valores de ordem financeira tenham pesado na montagem deste esquema todo de bolas de recrutamento e contratações de escola. Porque, e não haja dúvidas, isto foi tudo muito mal feito. A única vantagem, a meu ver, é os generosos milhares de euros que se pouparão com a contratação tardia de docentes…
 
E que mentes idiotas são estas que pensam que este método de recrutamento (contratação de escola) é mesmo porreirinho e bonzinho e eficaz para se generalizar a todas as contratações de professores? Serão loucos?
publicado por pedro-na-escola às 20:06
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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Raios partam a Bolsa de Recrutamento e a Contratação de Escola

 
Isto é um desabafo, vá.

 
A senhora ministra bem que diz que arrancou tudo na maior das normalidades, mas eu já pedi um horário há um mês e ainda não tenho o professor. Faltam-me outros dois horários de línguas estrangeiras, e nada. Dos técnicos especializados para os CEFs, ainda me falta um, apesar de termos inserido os dados dos horários na plataforma há cerca de vinte dias atrás. As aulas já começaram e os alunos estão sem esses professores.
 
Esperamos, impacientemente, entre o bater das ondas da DGRHE, que não sabemos em que costa batem, nem a que horas batem, nem que lógica têm.
 
Ou porque os professores não são profissionalizados, ou porque os horários são incompletos, ou porque o céu é azul, ou porque a plataforma enguiçou e os candidatos não conseguem entrar e aceitar a colocação, ou porque não se percebe qual vai ser o próximo passo da DGRHE já que não se consegue chegar à fala com ninguém, acho que tudo contribuiu para este ridículo estado de coisas.
 
Escusadamente. Por trás disto, julgo que estão daquelas mentes obscuramente brilhantes, que inventam tantas regras e reviravoltas que o sistema dá um nó e engonha.
 
Se não há gente na bolsa de recrutamento que chegue para as encomendas, faz algum sentido esperar X dias para que se anuncie que ah e tal afinal não há ninguém e agora já se pode passar para contratação de escola? Mas, estão a gozar com a malta?
 
É que a contratação de escola pode ter uma série de peripécias que provocam sucessivos adiamentos, o que, quando se está numa corrida contra o tempo, com o arranque do ano lectivo e a chegada dos alunos, não é dos melhores contributos para o serviço prestado pela escola. Se um candidato já aceitou outro horário e logo a seguir o seleccionamos para o nosso, é necessário que renuncie ao nosso para que possamos passar ao candidato seguinte. Frequentemente, isto pode arrastar-se por uma semana ou mais, em especial quando os candidatos mudam de telefone e não conseguem actualizar essa informação elementar na plataforma, ficando, assim, incontactáveis.
 
Enfim, uma embrulhada desnecessária.
 
Ao bom estilo de Sócrates, o que importa é fazer – mesmo que seja mal feito – e depois bradar aos quatro ventos que se fez e que correu lindamente – mesmo que não funcione.
publicado por pedro-na-escola às 21:12
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

As escolas MacGyver

Ainda se viviam os agitados momentos de fim de ano lectivo, quando este governo atirou para cima das escolas mais (mas nunca mais sossegam?) um pedaço de legislação aluada. A Portaria n.º 691/2009, de 25 de Junho, criou os Cursos Básicos de Dança, de Música e de Canto Gregoriano e aprovou os respectivos planos de estudo. Confesso que não dei por nada.
 
Na minha escola temos aquela modalidade fantástica em que meia dúzia de alunos têm aulas de música num conservatório, durante o horário lectivo, o que obriga a grandes malabarismos de horários para conseguir encaixar tudo. Chamam-lhe regime articulado, ou qualquer coisa parecida. Não estive envolvido no processo, mas foi mais uma daquelas coisas lançadas em cima do joelho, para variar.
 
Ora, para este ano lectivo de 2009/2010, já estava tudo tratado para repetir os mesmos malabarismos do ano anterior, com alunos do 2º ciclo. Os horários até já estavam prontos.
 
Eis quando, ontem mesmo, recebemos um telefonema da nossa Direcção Regional de Educação, sobre o assunto. Queriam saber como tínhamos conseguido gerir o pormenor técnico da Área de Projecto.
 
Ora, nenhum de nós estava a par de pormenor algum relacionado com a Área de Projecto, nem estávamos a ver o que tal tinha que ver com a música e o conservatório. Mas a senhora da DRE foi simpática e “recordou-nos” da tal portaria, que diz assim:
 
Artigo 5.º - Área de projecto
1 - Quando os cursos criados pela presente portaria forem leccionados em regime articulado, a leccionação da área de projecto é assegurada pela escola de ensino artístico especializado.
2 - A carga horária semanal da área de projecto pode ser gerida de forma flexível pela escola dentro do mesmo período lectivo.
3 - As alterações constantes no número anterior devem decorrer do projecto curricular de turma e ser inseridas no respectivo horário dos alunos, devendo ser dadas a conhecer aos encarregados de educação.
 
Nos planos de estudo, em letras pequeninas, pode ler-se também:
 
(g) Esta área curricular deve desenvolver projectos de natureza artística, em articulação com as diversas disciplinas do currículo, e constar explicitamente do projecto curricular de turma. A Área de Projecto é assegurada por professores da turma, sendo um deles, obrigatoriamente, da área de ensino artístico especializado.
 
E nós, que íamos iniciar o ano lectivo tão “calmamente”...
 
Assim sendo, o conservatório de música é responsável pela leccionação da Área de Projecto, embora os professores sejam ambos professores da turma e um deles tenha de ser do conservatório. Lecciona-se na escola ou no conservatório? Quem será o segundo professor, que não precisa ser de música? Se for leccionada no conservatório, agora é preciso mexer nos horários para que os 90 minutos de Área de Projecto também encaixem junto com os outros tempos que os alunos passam no conservatório. Não? Talvez? Ou vem um professor do conservatório à nossa escola para leccionar Área de Projecto em par pedagógico? Isto deve ser das tais coisas que são deixadas para a famosa autonomia das escolas.
 
Mas, no meio disto tudo, a parte mais interessante é mesmo o papel da DRE, que andava a ligar para várias escolas, para saber como é que os Directores estavam a conseguir operacionalizar esta Portaria, já que, aos próprios técnicos da DRE, esta operacionalização parecia ser de execução pouco óbvia.
 
O mínimo que poderíamos esperar de uma estrutura do Ministério da Educação, eram propostas de solução ou orientações racionais. Pelo contrário, foi a própria estrutura que também levou com a Portaria em cima, sem delicadeza alguma, ficando a nadar em dúvidas, não sabendo (ou não acreditando) como é que a mesma se operacionaliza no terreno; e procura descobrir como é que as escolas conseguem “descalçar a bota”.
publicado por pedro-na-escola às 19:52
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