Terça-feira, 28 de Abril de 2009

É tudo uma questão de dinheiro

Quanto se fala na desunião da classe docente, quer-me parecer que o dinheiro está na sua origem. A disparatada invenção do professor titular, mais não foi do que um acentuar das diferenças de remuneração.
 
Bem que podemos esgrimir argumentos para trás e para a frente, mas o facto é que o dinheiro fala sempre mais alto do que tudo o resto. A invenção do professor titular teria corrido mal se não fosse o acenar com um grande maço de notas. Ainda agora o ME insiste nesta “arma fácil”, com mais um escalãozinho no final da carreira, mais um maço de notas para que a divisão seja ainda maior. E lá vamos nós na onda.
 
Quanto, numa escola, há um professor A que ganha metade do que ganha o professor B, não há volta a dar-lhe: o professor A pertence a um mundo e o professor B pertence a outro. Fazem o mesmo, mas um ganha o dobro do outro, logo, está instalada uma profunda divisão.
 
Juntando o útil ao agradável, o ME manipulou-nos através do dinheiro, para cortar no nosso rendimento acumulado ao longo da carreira. E fomos na onda que nem uns patinhos.
 
Confesso que me incomoda o discurso de muitos colegas sobre essa coisa do rendimento acumulado ao longo da carreira, dos milhares de euros que vamos perder com esta divisão da carreira, blá blá blá. É estarmos a cair na mesma onda do dinheiro. Parece que tudo o que fazemos se resume a dinheiro.
 
Cada vez mais, sobrevalorizo as condições de trabalho em detrimento de um generoso vencimento. Traduzindo, prefiro ganhar menos, mas trabalhar com alguma dignidade. Prefiro ganhar menos, mas exercer uma profissão respeitada por alunos, pais e sociedade. Prefiro ganhar menos por não subir para titular, só para não ter que exercer o poder de avaliador através de um modelo-faz-de-conta que alguns dementes produziram e com o qual discordo profundamente.
 
Não sou o único a pensá-lo. Há mais professores que adoram ser professores, mas que não se revêem na tarefa de fazerem de conta que avaliam os seus pares, preferindo, portanto, não serem “promovidos” a professores titulares. Abdicam do dinheiro, em prol de alguma sanidade mental e, quiçá, alguma dignidade profissional. Enfim, divagações.
 
A malta bem que acha que tem uma carreira profissional, mas, a meu ver, não temos. Nem temos que ter. Somos professores a vida inteira. Podemos exercer funções de gestão, saltar para o ensino superior, trabalhar numa direcção regional, etc., mas, enquanto somos simples professores, sou da opinião que isso não é nenhuma carreira.
 
Ora, não sendo uma carreira (se me é permitido o atrevimento de ter esta opinião), há que assegurar que a progressão, que não vai haver, é compensada financeiramente por alguma forma alternativa. Isto é, que haja uma mera progressão da remuneração. Mas, não exageremos. Ganhar o dobro de outro colega, não é propriamente uma progressão. É um duplo ordenado. E isso não faz sentido algum, na minha opinião.
 
Também não vejo grande lógica na hipotética situação de um presidente do conselho executivo ganhar um vencimento (já com o suplemento) inferior ao que mais de metade dos professores da sua escola. Tal é possível, mas não vejo a lógica.
 
Pode ser um disparate completo, mas estou a imaginar os sindicados a proporem ao ME a revogação deste ECD e a contraproporem uma “carreira docente” mais simples, com uma amplitude salarial máxima de 300 euros, entre o início e o fim, fazendo-se a evolução em degraus de aumentos percentuais. Uma contraproposta que eleve o vencimento ao início e o baixe no final, diminuindo o fosso. Os professores acumulam menos riqueza ao longo da sua vida profissional e o Estado poupa uns largos milhões em trocos. Uma contraproposta que acene com dinheiro, mas que se faça acompanhar de algumas exigências de outra ordem: o investimento do ME no combate à indisciplina e à violência nas escolas, a responsabilização civil dos pais pelo desempenho intelectual e comportamental dos filhos, o respeito e o reconhecimento público pela profissão docente, o fim das medidas patéticas viradas para as estatísticas, e mais meia dúzia de coisas dentro da mesma onda.
 
Imagino um corpo docente mais igual e, consequentemente mais unido. A união, ou falta dela, tem sido, desde que me lembro, o nosso maior problema, enquanto classe profissional.
 
A continuarmos assim, as vontades do ME serão sempre concretizadas, bastando acenar com mais umas notas. Vendemo-nos com bastante facilidade…
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publicado por pedro-na-escola às 00:30
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Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Formas de luta… ou não

Na semana passada, um pequeno grupo de dirigentes sindicais passaram pela minha escola para auscultar os professores sob formas de luta para esta recta final do ano lectivo. Uma consulta, portanto.

 
Tenho uma pedra no sapato quanto aos sindicatos, confesso, por razões que adiante explanarei, mas é preciso ser-se louco ou aspirante-a-ditador para negar a importância e a necessidade da sua existência.
 
As ideias foram pouco ou nenhumas. O número de professores presentes na reunião, em comparação com a última reunião sindical nesta escola, foi miserável. Sinais dos tempos? Há programas para cumprir, alunos para preparar para exames, etc. Greves e manifestações pareceram ser más opções, a começar pelo risco de terem níveis de adesão que seriam prejudiciais a qualquer luta. De outras escolas, pelo que apurei, há ideias para todos os gostos.
 
Pela minha parte, vejo duas medidas que gostaria de ver concretizadas:
 
1. A conclusão da avaliação de desempenho no final do ano lectivo, com a autoavaliação individual dos professores, por referência aos três objectivos basilares definidos para os professores do meu agrupamento: a contribuição para as metas do projecto educativo, o envolvimento na concretização do plano anual de actividades e o cumprimento do serviço distribuído.
 
2. O lançamento de uma contraproposta de escalonamento da carreira docente, reduzindo substancialmente a amplitude salarial actualmente existente.
 
A minha pedra no sapato quanto aos sindicatos tem que ver com o actual escalonamento da carreira docente. Não faz qualquer sentido que, na mesma escola, um professor ganhe mais do dobro de outro, quando os dois desempenham o mesmo tipo de tarefa, com as mesmas responsabilidades. Aliás, creio que este é o principal motivo para sermos uma classe tão desunida.
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Os Jaguares e os 12 anos na escola

Só me apetece suspirar. Está bem que esta ideia genial fazia parte do programa de governação do Sócrates e que o povo votou maioritariamente nele. Mas…

 
A alusão que a senhora ministra fez à produção de Jaguares, apesar de criticada e apesar de aparentemente soar a patetice crónica, pareceu-me extremamente feliz.
 
Feliz, porque assim ficamos todos a saber que a senhora ministra pensa que a escola portuguesa é como uma fábrica de Jaguares. Ou seja, a senhora ministra, tal como as pessoas que a aconselham, vive na Lua.
 
Mas, vamos fazer de conta que a escola portuguesa é uma fábrica da Jaguar!
 
A escola portuguesa fabrica veículos, portanto. Da misteriosa marca Jaguar. Em alguns cantos da fábrica, onde há matéria-prima capaz e alguma paz e sossego, fazem-se carros bem jeitosos, alguns verdadeiros Jaguares certamente. Noutros cantos da fábrica, onde a matéria-prima mais parece o refugo de algum sucateiro, os operários lá fazem umas trotinetes e uns carrinhos-de-rolamentos, todos convenientemente rotulados com a marca do felino. Há zonas da fábrica expostas ao frio, ao vento e à chuva. Há operários de quem se espera que construam um Jaguar de luxo com uma caixa de ovos vazia e um chinelo. Há cantos da fábrica que são o refúgio de delinquentes e toxicodependentes, que não são expulsos porque não fica bem à administração da fábrica, preocupadíssima com questões sociais. Aqui e acolá, de vez em quando, com um pouco de sorte e engenho dos operários, consegue-se transformar um bocado de sucata num veículo pronto para a estrada. Mas, só de vez em quando.
 
Ora, um rasgo de genialidade barata ditou que esta milagrosa fábrica deverá aumentar a produção em 30000 unidades. Os génios acham que os operários são suficientes e que a fábrica continuará a produzir Jaguares sem que esse aumento acarrete qualquer problema. Aliás esses mesmos génios estão convencidos que todos os veículos produzidos são umas grandes “bombas”, de luxo. A realidade: mais sucata a encher as prateleiras, atrapalhando a produtividade e a qualidade do trabalho. Um chamariz para mais delinquentes, que mais facilmente se disfarçam no meio da bagunça. Aos poucos, e a menos que se vedem zonas da fábrica, a bagunça tenderá a generalizar-se. Às tantas, quase não haverá espaço para construir um bom bólide, por causa da sucata empilhada por todo o lado e das incursões dos delinquentes que vegetam por ali. E sossego, menos ainda. Contudo, e porque o povo é lerdo, os veículos continuarão a ser produzidos, nem que sejam apenas carrinhos-de-rolamentos, nem que saiam da fábrica já com os motores gripados, mas todos devidamente rotulados com o Jaguar.

Aliás… o que interessa mesmo é o rótulo: Jaguar. Para a fotografia. Porque o desempenho é completamente irrelevante.
publicado por pedro-na-escola às 18:19
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Como as faltas baixaram “milagrosamente”…

(o texto é da autoria da presidente de um órgão de gestão, bem conhecida...)

 
Só quem não está na Escolas e acompanha o seu dia a dia é que pode acreditar neste “abaixamento extraordinário” das faltas dos alunos. Perguntar-se-á: não é verdade que as faltas baixaram 22,5% relativamente ao ano passado? Resposta: Meia verdade: baixaram os registos das faltas, não baixaram as faltas.
 
O Estatuto do aluno explica esse abaixamento? Resposta: Meia verdade: os alunos continuam a faltar mas, desde que façam a prova de recuperação, as faltas voltam à “estaca zero” e só servem para efeitos estatísticos!!!
E as provas de recuperação podem suceder-se indefinidamente se os alunos forem sendo aprovados nas respectivas provas que o professor terá que elaborar quando o aluno atinge o limite de faltas previsto no Estatuto.
Casos concretos: um aluno do ensino secundário, 10º ano, tem duas vezes por semana aula de Português. Independentemente da natureza das faltas, sempre que este aluno atinge seis faltas ou tratando-se exclusivamente de faltas injustificadas atinja quatro faltas, devem-lhe ser aplicadas medidas correctivas para que, logo que estas tenham sido avaliadas, o aluno seja sujeito a uma prova de recuperação. Se este aluno fizer a prova de recuperação e tiver tido aproveitamento, as faltas, seja qual for a sua natureza, só são contabilizadas para efeitos estatísticos. E novo ciclo de faltas se pode iniciar…
 
Supomos agora que este aluno chegava atrasado às aulas e o professor lhe marcava falta, como fazia habitualmente: três situações podem ocorrer: ou marca as faltas de atraso e passa o ano a fazer provas de recuperação (afinal o aluno só não assistiu a 10 minutos de aula), ou não marca as faltas por atraso de 5 minutos e amanhã o atraso é de 10 minutos e depois de quinze, porque o aluno sabe que não terá consequências… ou, finalmente o menos expectável é que o aluno deixe de chegar atrasado.
 
Outra situação: o aluno normalmente mal comportado, tem naquele dia um comportamento incorrecto com o professor na sequência de uma recriminação feita pelo mesmo. Três casos se podem dar: ou o professor manda o aluno para fora da sala de aula com uma tarefa para cumprir e marca falta (como era hábito fazer), ou não marca falta e o aluno tem muitos mais comportamentos incorrectos porque não é penalizado ou, o que não é expectável no imediato, passa a ter comportamentos correctos…
 
Até agora foi referida a situação do aluno X mas nem todos os alunos atingem o limite de faltas ao mesmo tempo… o que significa que o professor, para além das actividades normais de preparação de aulas, de elaboração de testes formativos e sumativos, tem que fazer tantas provas de recuperação quantos os alunos que forem atingindo o limite de faltas na sua disciplina. Um professor de Português, com componente lectiva de 22 horas, se tiver turmas do 10º ano terá que ter, no mínimo cinco turmas, se cada turma tiver 28 alunos (máximo permitido por lei) este professor tem 140 alunos. Se tiver 2 ou 3 que resolvam faltar e entrar no esquema das provas de recuperação, veja-se se é viável o professor marcar faltas por atraso ou por mau comportamento!...
 
Há ainda outro factor que contribui para a estatística apresentada sobre as faltas dos alunos e que é o seguinte: Quando as aulas eram de 50 minutos, um aluno que faltasse, por exemplo, durante uma manhã tinha 5 tempos de faltas (entre as 8H30 e as 13H30). Agora, no mesmo período de tempo, o aluno tem só 3 tempos de faltas porque a unidade lectiva é de 90 minutos. Se o aluno faltar a Biologia/Geologia e a Física/Química durante uma manhã, em que as aulas funcionam por turnos e cada unidade lectiva tem 135 minutos de aula, o aluno só tem 2 faltas. Deste modo, passou-se de 5 para 3 e nalguns caso para duas faltas, o que sugere logo uma redução do número de faltas de quase de 50%.
 
Este Estatuto do Aluno permite, pois, uma leitura que não corresponde à realidade de quem está nas Escolas e, como comentava Ramiro Marques no seu blog “Profavaliação” “este estatuto é um monumento ao disparate!” O caso que descrevo a seguir apoia este comentário:
O “Mário”, matriculou-se na Escola no dia 22 de Outubro a duas disciplinas que tem em atraso, Inglês e Matemática Aplicada às Ciências Sociais (MACS), a fim de completar o 12º ano. Desde o início do ano, e já com um mês de atraso, o “Mário” devia ter assistido a 54 aulas de MACS e a 34 de Inglês, mas até dia19 de Março, só assistiu a 16 aulas de MACS (deu 38 faltas, sendo 9 injustificadas) e a 10 aulas de Inglês (deu 24 faltas a Inglês, sendo 5 injustificadas). Desde que o aluno se aproximou do número limite de faltas, a Directora de Turma passou a informá-lo (maior de idade) que tinha que comparecer a aulas de apoio para “recuperar”a matéria das aulas a que tinha faltado. O primeiro aviso, com marcação de datas para as provas de recuperação foi feito a 13 de Janeiro e desde então para cá, os avisos têm-se sucedido bem como a marcação de provas de recuperação. O aluno vem uma vez por outra às aulas curriculares, vem uma vez por outra às aulas de apoio, não fez nenhuma prova de avaliação a nenhuma destas disciplinas, fez uma prova de “recuperação” a Inglês mas sem sucesso (como seria de esperar…) e não compareceu nas restantes provas que lhe foram marcadas. (De referir que, apesar de o aluno ser maior, a mãe foi chamada à Escola para tentar, em conjunto, resolver a situação deste aluno. A mãe compareceu, mas ficou tudo na mesma…)
 
A Escola tentou tudo para que o aluno fizesse as disciplinas por frequência mas o aluno não colaborou com a Escola. Esta situação terminou com o aluno a anular a matrícula antes das reuniões de avaliação, para evitar uma exclusão por faltas que lhe retirava a hipótese de fazer exames na 1ª fase.
 
Em conclusão este Estatuto criou um mecanismo que premeia os alunos absentistas, transmitiu aos alunos e aos pais que não é importante assistir às aulas, ser pontual e cumpridor e transmitiu aos alunos e aos pais a mensagem de que tanto faz ir às aulas como faltar sem justificação, porque, no final, o aluno absentista e desleixado tem sempre mais uma prova de recuperação à sua espera…
 
Nota: as diferentes situações verificadas em diferentes Escolas, no que se refere à aplicação do Estatuto do Aluno, só são possíveis porque a lei permite diferentes interpretações.
publicado por pedro-na-escola às 00:05
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Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Cavaco e a Matemática

(…) Já em Lisboa, no ISEG, Cavaco Silva alertou que, para o País ser competitivo, é fundamental a Matemática: "É imprescindível aumentar o número de pessoas com competências para Matemática. Espero que os jovens percebam e invistam na Matemática porque é compensador."(…) Emotivo foi o regresso ao ISEG, onde encontrou ex-colegas. "Aprendi aqui que a Matemática não é fácil e divertida. Exige sim disciplina e muito trabalho", disse. (…)
in www.correiodamanha.pt (16 Abril 2009)
 
Coimbra: Cavaco quer evolução no ensino da Matemática
Escolas estão pouco exigentes
O Presidente da República considera que há "uma grande iliteracia matemática em Portugal" e defende "uma evolução no (seu) ensino". "As escolas devem ser exigentes e impor estudo, trabalho e rigor e o ensino deve ser mais centrado no interesse dos alunos", afirmou ontem Cavaco Silva, durante o 5º Roteiro para a Ciência, em Coimbra.
O Chefe de Estado, que acompanha o programa de Matemática do Ensino Básico, porque dá "explicações aos netos aos fins-de-semana", destacou que há "um grau de exigência menor" em relação ao seu tempo de estudante e "uma forma diferente de abordar os problemas".
Cavaco Silva lamentou que o desempenho dos alunos portugueses na Matemática esteja "muito abaixo da média dos jovens" dos restantes países da OCDE e que "um quinto dos portugueses com menos de 15 anos não seja capaz de interpretar um gráfico". "Nunca aderi à ideia de que a Matemática é lúdica, divertida e fácil", referiu, frisando que a disciplina "exige muito trabalho" e, "apesar do cidadão nem sempre se aperceber, está por trás de múltiplos aspectos do seu dia-a-dia".
in www.correiodamanha.pt (17 Abril 2009)
 
É perigoso, cada vez que alguém, do alto do seu pedestal, lança umas bojardas sobre o ensino, em especial sobre a Matemática. Mesmo no caso do Presidente da República.
 
Nas declarações captadas pelos jornalistas do Correio da Manhã, o PR até diz umas coisas acertadas, como a necessidade de exigência e rigor, mas, no mesmo discurso, tropeça nos próprios pés e sugere que “o ensino deve ser mais centrado no interesse dos alunos”.
 
Ora, qualquer pessoa que viva a menos de 10 km do planeta Terra sabe que o interesse dos alunos não converge com o rigor, a disciplina, a exigência e o trabalho. É natural que assim o seja. Pelo que, centrar o ensino no interesse dos alunos, é (foi, aliás) o primeiro passo para se enveredar por "uma forma diferente de abordar os problemas" e chegarmos rapidamente a um "um grau de exigência menor", contribuindo, então, para a “grande iliteracia matemática em Portugal". Em Portugal e em qualquer país que tome o mesmo caminho, digo eu.
 
Quanto Cavaco Silva espera “que os jovens percebam e invistam na Matemática porque é compensador”, está a alinhar-se na praia, virado para o nevoeiro que vem do mar, à espera que surja alguém de espada à cintura… Os jovens nunca irão investir na Matemática por ser compensador! Poderão investir, no caso de esse investimento ser condição necessária para atingir um qualquer objectivo, porque é assim que o mundo funciona. Investem para acabar um nível de ensino, para fazerem um exame, para fazerem um trabalho. Quando a conclusão do nível de ensino está francamente acessível, quando o exame é evidentemente facilitado, quando o trabalho se consegue fazer sem trabalho, é humanamente natural que não se invista na Matemática, porque, de facto, não compensa.
 
A Matemática, tal como tudo o resto que possa ser ensinado e aprendido, sem que tenha efeitos práticos imediatos, e exija rigor e esforço, não pode centrar-se no interesse dos alunos, nem pode depender da eventual compreensão, por parte dos jovens, de que compensa aprender.
 
As crianças e jovens necessitam crescer balizados: o que podem ou não podem fazer e o que devem aprender e saber. Os problemas, que ainda se procura disfarçar, relacionados com a indisciplina das crianças e jovens de hoje, acentuadamente generalizados em comparação com décadas atrás, derivam, na sua essência, da falta de balizas.
 
Na escola, que o PR diz ser pouco exigente, impera a falta de balizas, deitadas fora por obsessões com estatísticas e “sucesso”, não sendo claro que o conhecimento e o esforço sejam condições para a qualificação. Aliás, torna-se cada vez mais claro que a qualificação depende mais da capacidade para respirar do que qualquer outra condição.
publicado por pedro-na-escola às 13:52
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Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Do lunatismo dos programas

(…) Perante isto, cabe analisar os currículos e programas destes graus de Ensino. O currículo do 3º ciclo do Básico, engloba, nada mais, nada menos, do que 14 disciplinas diferentes! É óbvio que tantas actividades distintas põem a cabeça dos miúdos num rodopio! Mais surpreendentes são os conteúdos programáticos e a filosofia a eles subjacente.(…)
in http://educar.wordpress.com/2009/04/12/opinioes-joao-paulo-ferreira/
 
Não tenho dúvidas de que os nossos programas são responsáveis, em parte, pela iliteracia dos nossos alunos cidadãos.
 
À boa maneira portuguesa, é tudo feito com o pressuposto de que a quantidade é a solução para todos os males. Os programas, assim como o currículo, apostam na quantidade. Mais uma vez, os olhos do mundo estão postos em nós, portugueses. Pelo menos, na opinião dos iluminados que elaboram os programas e os currículos.
 
Pessoalmente, acho que só abri os olhos para esta perspectiva da quantidade, depois de receber alunos de outros países e de ouvir os seus comentários sobre as diferenças entre a escola lá e a escola cá, no que toca a programas e currículos. E como é que um jovem de 13 ou 14 anos se pronuncia sobre diferenças em programas e currículos? Simples: comentando sobre a pressa que os professores portugueses têm de avançar com as matérias. Ou seja, a importância do cumprimento dos programas que se sobrepõe à importância da consolidação das aprendizagens. A vitória da quantidade sobre a qualidade.
 
Na minha disciplina, a Matemática, isso é bem notório. É tudo dado a correr. Não sobra muito tempo para explorar situações reais aplicando os conteúdos. As coisas acabam por ser tratadas “pela rama”. Ainda os alunos estão começando a consolidar uma matéria e já se está a avançar para a seguinte.
 
Ainda na Matemática, há “fenómenos” que deviam dar que pensar. É o caso das matérias leccionadas no 6º ano, que voltam a ser leccionadas no 7º ano, ficando o professor do 7º ano com a impressão de que nunca foram dadas no 6º ano. Se, para cúmulo, o professor do 7º ano assessorar (no âmbito do plano de acção da Matemática) o professor do 6º ano, apercebendo-se que essas matérias no 6º ano são leccionadas em profundidade, então a coisa dá mesmo muito que pensar. Valerá a pena abordar determinados conteúdos em anos anteriores? Não seria preferível dar menos matéria, mas aproveitar para aplicá-la em mais casos reais, com mais calma, envolvendo-a em problemas e contextos que desenvolvam o raciocínio e a capacidade para encontrar soluções? Parece que não.
 
À boa maneira portuguesa, interessa é os programas serem cada vez mais precoces. E grandes! Porque assim somos os maiores e os olhos do mundo estão postos em nós…
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publicado por pedro-na-escola às 12:27
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Apagar ou não apagar, eis a questão

A recente “discussão pública” sobre as faltas a relevar, leva-me de volta ao ano lectivo passado, quando nos vimos confrontados, pela primeira vez, com uma bizarra situação de nobre combate à praga do insucesso escolar.
 
Um aluno, fora da escolaridade obrigatória, reprovou o ano por excesso de faltas injustificadas. Excluído da frequência da escola, portanto. Em poucas semanas, uma carta da DREC ordenava ao seu encarregado de educação que o mandasse de novo para a escola, porque o referencial de qualificação em Portugal era o 12º ano e ele nem o 6º ano tinha concluído. Fomos informados desta “devolução”, através de uma cópia da carta. Inquirimos a DREC sobre a base legal deste retorno do aluno. Depois de insistirmos numa resposta escrita, que não chegou, fomos chamados a Coimbra para uma conversa particular com uma senhora directora regional adjunta. Fomos esclarecidos de que o desígnio nacional é o 12º ano e que o abandono escolar é uma catástrofe, pelo que tínhamos o dever de receber o aluno de volta. Questionada sobre a parte administrativa da coisa, isto é, as faltas registadas que deram origem à reprovação, bem como a acta do conselho de turma em que o assunto tinha sido tratado, a ordem foi para relevarmos tudo. Como? Relevando. Autonomia das escolas. Blá, blá, blá. E se o aluno voltar a faltar às aulas? Releva-se. Pois claro. Deixámos de marcar faltas e arrumámos o assunto. Afinal de contas, a lei é para cumprir. Ou não. Depende.
 
Este não é um caso pontual. Numa reunião da mesma senhora directora regional adjunta com vários conselhos executivos, num auditório, e na presença do director de uma delegação do IEFP, foi dito, em alto e bom som, que as faltas dos alunos dos CEF’s também são para relevar, mesmo quando ascendem a números escandalosos, porque o abandono escolar é uma catástrofe e precisamos de ser tolerantes para com os jovens.
 
Há, ainda, um pouco de bom senso na sociedade, que condena moralmente aldrabices deste género. O recente circo do ME em torno deste assunto, mais não foi do que uma tentativa para esconder, da sociedade, a realidade das escolas e as estratégias e ordens que são ditadas de cima para baixo nas hierarquias. Foi uma tentativa bem conseguida, tenho que reconhecer, mercê de uma comunicação social que é tudo menos livre e isenta.
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publicado por pedro-na-escola às 00:08
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Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Da falta de vergonha

Há poucos dias atrás, um amigo contou-me como se lhe esgotou a paciência para continuar a trabalhar na empresa familiar de materiais de construção. O seu tempo, por lá, era gasto, não à procura de novos clientes, não a promover novos produtos ou campanhas, mas, antes, a percorrer os clientes de uma lista de cinco páginas A4, que não pagaram a mercadoria entregue. Num Maxmat ou num Aki, não se fia a ninguém, presumo eu, mas, numa empresa sedeada numa aldeia, fiar, ou “facilitar o pagamento”, parece ser, aos olhos de muitos, uma forma de ter mais clientes. Acontece que a falta de vergonha é um estado de espírito que caminha a passos largos para se tornar a forma lusitana de se estar na vida e no mundo. Cinco páginas de nomes são um claro sinal de que as coisas caminham para isso. Mas, não são apenas as dívidas. Mais grave, é a forma como os devedores encaram a sua dívida, com uma total falta de vergonha, como se os materiais, já na sua posse, mas ainda não pagos, fossem, de facto, seus, sobrando esse pormenor insignificante e incomodativo que é o vendedor achar-se no direito de querer receber o devido pagamento. Há devedores que, quando confrontados com o credor, desculpam-se, com a maior falta de vergonha que se possa imaginar, que vão de férias e precisam do dinheiro, sendo que, se sobrar alguma coisa, então logo pensarão em pagar uma parcela da dívida. Talvez. Convém reforçar a ideia de que, este proliferar de dívidas a empresas, não é consequência da suposta recente crise de que todos falam, mas já dura há uma década. É uma questão de falta de vergonha e não o produto uma pretensa crise.
 
Após ouvir a história do meu amigo, os pensamentos voaram-me para histórias semelhantes. É o caso de juízes que se recusaram pagar o condomínio do prédio onde viviam, por acharem que não tinham nada que pagar, sendo levados a tribunal, condenados, e, ainda assim, continuarem a achar que não tinham nada que pagar condomínio. Ou de comissários da polícia, em situações iguais de recusa do pagamento das suas obrigações de condóminos. São os autarcas envolvidos em situações pouco recomendáveis, a saltitarem entre eternos julgamentos e capas de jornais, assumindo que as suas funções políticas são completamente dissociáveis de repetidas suspeitas de corrupção. Se formos ver, com cuidado, temos a sociedade portuguesa inundada de gente com uma total falta de vergonha. Inclui-se, no lote, a ministra da educação e os seus dois artistas secundários, um trio que foi capaz de produzir um estatuto do aluno alucinado, em forma de lei, alterando esta posteriormente com um despacho dominical, mas bradando aos quatro ventos que tratava-se apenas de uma clarificação, visto os “coitadinhos” dos professores não terem percebido a lei.
 
Isto da falta de vergonha reflecte-se, claro, na massa humana com que lidamos nas escolas todos os dias: alunos e pais.
 
Uma percentagem cada vez maior de pais, interiorizou, e assume-o cara-a-cara com quem quer que seja, que não é motivo algum de vergonha saber-se que os seus filhos estão cravejados de negativas, que reprovam de ano, que têm comportamentos inadequados nas aulas, que prejudicam as aprendizagens dos colegas, que faltam ao respeito a adultos e alunos, que são agressivos, que roubam, que mentem, que agridem, etc. Até arranjaram uma forma sistematizada de se descartarem, quando são confrontados pelos directores de turma com os factos inegáveis: ou é tudo mentira, ou, sendo verdade, acontece por causa de perseguições e vinganças de que os seus filhos são vítimas. A minha filha tem dez negativas? Claro, é vingança dos professores. O meu filho bate em crianças com menos três ou quatro anos e nas raparigas? Claro, é uma vítima deles, que se metem com ele, coitado, e tem que se defender.
 
O problema da Educação em Portugal não é um problema das escolas, isto é, não é resolúvel exclusivamente pela mão dos professores, dos funcionários e das escolas. É um problema social. E problemas sociais deste calibre só se conseguem resolver com uma intervenção firme do Estado. Este, tem ao seu serviço a massa humana qualificada e as infra-estruturas necessárias. Só lhe falta ditar as regras. Regras a sério. E uma das primeiras regras deverá ter, por objectivo principal, a devolução da capacidade de sentir vergonha aos espíritos empobrecidos desta percentagem cada vez maior de portugueses.
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publicado por pedro-na-escola às 11:43
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

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Lista B
PROGRAMA DE ACÇÃO DE LISTA CANDIDATA AO CONSELHO EXECUTIVO
 
Preâmbulo.
O presente documento inscreve-se no processo de propositura de lista candidata às eleições para o Conselho Executivo da Escola Secundária Poeta António Aleixo – Portimão -, referindo as orientações genéricas das linhas de actuação previstas, a propôr ao colégio eleitoral. O presente texto não invalida a posterior apresentação de adendas com esclarecimentos adicionais ou acréscimo de outras linhas de orientação/ actuação da candidatura.
 
PONTO I.
A lista candidata, subscrita pelos professores abaixo mencionados, adopta como lema “ Educar e Formar num projecto de Partilha e Comprometimento”, em virtude de se considerar enformada pelo espírito da sã convivência e de colaboração profunda entre pares e da imperiosa necessidade de colocar a Comunidade Escolar perante a necessidade de reflexão em torno da diversidade de opiniões e projectos, visando o fim último da satisfação social da Escola e o bem-estar entre todos os seus protagonistas.
 
PONTO II
A lista candidata, subscrita pelos professores abaixo mencionados, propõe-se implementar na Instituição Escola Secundária Poeta António Aleixo um clima de assumpção e fomento dos valores de comprometimento, compreensão e escuta activa entre todos os agentes escolares – alunos, professores, funcionários, encarregados de educação e demais intérpretes das relações com a Comunidade Escolar -.
 
PONTO III
A lista candidata, subscrita pelos professores abaixo mencionados, propõe-se continuar a trabalhar no sentido da dignificação sócio-profissional da Instituição Escola Secundária Poeta António Aleixo, dos seus alunos, professores, funcionários e demais agentes que se relacionam com a Instituição, assim como no aprofundamento das relações interpessoais entre todos os elementos da Comunidade Escolar.
 
PONTO IV.
A lista candidata, subscrita pelos professores abaixo mencionados, propõe-se a contribuir para a redignificação e comprometimento das relações entre pares, assim como da valorização da globalidade dos actores sociais que quotidianamente frequentam e usufruem do espaço sócio-cultural da Escola Secundária Poeta António Aleixo.
 
PONTO V.
A lista candidata, subscrita pelos professores abaixo mencionados, propõe-se continuar a trabalhar no sentido da oferta da diversificação e personalização escolares, procurando a implementação de um conjunto de medidas de redução do insucesso escolar e diminuição do abandono escolar, assumindo que os valores do sucesso educativo, da satisfação pessoal e profissional e da realização pessoal se apresentam como dimensões nucleares do processo de ensino-aprendizagem.
 
PONTO VI.
A lista candidata, subscrita pelos professores abaixo mencionados, propõe-se continuar a envidar os esforços necessários para a permanente conservação e actualização dos espaços e equipamentos escolares.
 
PONTO VII.
A lista candidata, subscrita pelos professores abaixo mencionados, propõe-se continuar a trabalhar no sentido do aprofundamento das relações com a comunidade envolvente e no aperfeiçoamento das relações com a edilidade e demais instituições, com as quais a Escola Secundária Poeta António Aleixo mantém relações de cordialidade, funcionais, formais ou informais.
 
PONTO VIII.
A lista candidata, subscrita pelos professores abaixo mencionados, propõe-se implementar um tipo de relação institucional com os órgão da tutela, caracterizada pela cordialidade, compreensão e colaboração, visando a obtenção de um clima de saudável e produtivo compromisso e de um processo de trabalho pautado pela procura do sucesso educativo dos alunos.
 
Portimão, 29 de Fevereiro de 2008
Os Professores Subscritores.
Luís Filipe Pereira Dantas
José Carlos Silva Camilo
José António Lopes Jorge
 
( retirado de http://mudardevidanaespaa.blogs.sapo.pt )
 
Aviso à navegação!
Excelentíssimos senhores presidentes dos conselhos gerais e dos conselhos gerais transitórios: se às vossas mãos chegar a candidatura para directora de uma professora de Seia, mesmo que a vossa escola diste 100 km daquela cidade beirã, atentem no seu “plano de intervenção” e comparem-no com o “programa de acção” de uma das listas candidatas ao conselho executivo da Escola Secundária Poeta António Aleixo (Portimão) no início de 2008, acima transcrito. Notam as diferenças? Só muda “a lista candidata” para “a candidata”.
 
Há gente assim, com esta evidente falta de ética, que se propõe “afiambrar” o poleiro de todo-poderoso numa qualquer escola pública portuguesa. Escuso-me de publicar aqui o nome da senhora, mas na Internet já vi que a sua candidatura foi aceite no Agrupamento de Escolas de Condeixa e no Agrupamento de Escolas de Martim de Freitas (cidade de Coimbra)… ;-)
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publicado por pedro-na-escola às 12:45
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Da ilegalidade e da primeira pedra

Vindo da DGRHE:
 
1. nenhum órgão da escola pode decidir renunciar, antecipadamente, à atribuição de qualquer classificação, no âmbito do processo de avaliação de desempenho docente;
 
2. qualquer classificação atribuída deve resultar do nível do desempenho evidenciado por cada docente, sendo, por isso, um processo individual, que não pode ser alvo de uma decisão prévia;
 
3. ao impedir o acesso às classificações de Muito Bom e Excelente dos docentes de uma escola, os responsáveis pelo respectivo processo de avaliação de desempenho estão a incorrer numa ilegalidade, por desrespeito, nomeadamente, do disposto no artigo 21º do Decreto-Regulamentar 2/2008, de 10 de Janeiro, que estabelece o sistema de classificação da avaliação de desempenho docente.
 
Dizem, por aí, que estamos a entrar, em passo de marcha, num regime político totalitário mal disfarçado. O que eu noto, é que o regime político tem por capangas gente com menos de dois dedos de testa. Senão, vejamos:
 
a) O modelo-faz-de-conta de avaliação renuncia, antecipadamente, à atribuição das classificações de Muito Bom e de Excelente. Não é para todos, portanto. Depende das quotas.
 
b) As classificações de Muito Bom e de Excelente resultam, também, do nível de desempenho evidenciado por cada docente, mas não só; resultam, também, da decisão prévia do ME em não as atribuir a todas as pessoas que as mereçam por mérito próprio – só a algumas delas, por via das quotas.
 
c) Na prática, os responsáveis pelo processo de avaliação de desempenho vão, de facto, impedir o acesso às classificações de Muito Bom e Excelente de alguns dos docentes de uma escola, ao terem que aplicar as quotas; que não era ético, nós já sabíamos; que não era decente, nós já sabíamos; faltava-nos saber, pelo punho dos capangas da DGRHE, que a existência de quotas é, ela própria, uma ilegalidade, por impedir o acesso às classificações de Muito Bom e Excelente!
publicado por pedro-na-escola às 12:24
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