Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

O império dos mercenários da gestão

O novo modelo de gestão proposto pela ministra e pelos seus lacaios esconde interesses obscuros, que ainda não consegui decifrar. No entanto, é fácil apontar aspectos escandalosos. Se é que, hoje em dia, sob a bandeira de José Sócrates, alguma coisa é escandalosa! O novo modelo aponta para a figura de um senhor director, todo poderoso, em substituição das actuais equipas executivas. Vamos imaginar uma escola perdida nos montes, de pequena dimensão. É aberto o período de candidaturas para director. Qualquer pessoa que preencha os requisitos, pode chegar-se à frente e candidatar-se. Ou porque teve formação na área da gestão escolar, ou porque fez parte de um conselho executivo. O acréscimo de responsabilidades que assenta numa pessoa única, bem como algumas limitações de direitos que são impostas, levam potenciais candidatos locais a não se apresentarem. De longe, chegam candidaturas de pessoas desconhecidas, que também desconhecem a escola, o contexto social e económico da população, os profissionais que nela labutam, o parque escolar, as dificuldades, etc. Candidatam-se, porque podem candidatar-se. A lei assim o permite. Apresentam-se com um projecto de intervenção para uma escola que desconhecem. O conselho geral, na falta de candidatos conhecidos, é obrigado a optar por um desconhecido que virá – todo poderoso – governar uma instituição que desconhece. Competirá ao novo director, nomear adjuntos e coordenadores, que antigamente eram eleitos: os primeiros através da lista para o conselho executivo e os segundos por eleição entre os seus pares. Vai nomear pessoas que desconhece, para cargos vitais na escola. Pessoas que podem, à partida, recusar-se. Poderão recusar-se ser adjuntos de um director que desconhecem? O modelo baba-se com o discurso da democracia nas escolas. Não vejo onde. Em termos práticos, será fácil a um director governar uma escola a seu belo prazer – nomeia os seus amigos para adjuntos e coordenadores, dominando o conselho pedagógico e, por conseguinte, toda a escola. É a verdadeira democracia moribunda, o ambiente preferido de homens como José Sócrates e de mulheres como Maria de Lurdes Rodrigues.
publicado por pedro-na-escola às 01:11
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Professores na ordem

Parece que a ministra andou a gabar-se, num jantar político, de que tinha sido ela e a sua equipa os primeiros a conseguirem “meter os professores na ordem”. Porque fizeram isto e fizeram aquilo e etc. Pasmo-me! Meter os professores na ordem? Oh, senhora ministra, esse seu mundo fica mesmo longe, não fica? O seu mundo não é, nem de longe, nem de perto, o mundo das escolas portuguesas. Os professores sempre estiveram na ordem. Sempre cumpriram com os mandos e desmandos do Ministério da Educação, a reboque dos caprichos das iluminadas equipas ministeriais que por lá abancaram. A senhora ministra, na prática, apenas cortou despesas. Não meteu ninguém na ordem, porque nunca houve ninguém desordenado abaixo das estruturas regionais. Os professores sempre foram obedientes, as escolas sempre foram obedientes, os conselhos executivos sempre foram obedientes. Apesar de verem, escandalizados, década após década, o afundamento da escola portuguesa no pântano da falta de qualidade, mercê das ideias brilhantes das equipas ministeriais que se sucedem umas às outras. O que a senhora ministra conseguiu, isso sim, foi cortar nas despesas. Inventar aquela idiotice da categoria de professor titular, ou o novo modelo de avaliação, apenas servem a contenção cega de despesas. Como comentou a Ministra da Educação da Irlanda, Portugal investiu em estradas e a Irlanda investiu na Educação. Eu acrescento: quanto toca a desinvestir, Portugal começa por desinvestir naquilo em que não investiu… a Educação. Lindo serviço! O que este país precisava, é que o povo metesse a ministra na ordem. O país irá, daqui a poucos anos, pagar bem caro estas medidas, estas aventuras, este desgoverno, e a gabarolice da ministra. Paga o país, porque, como costume, a culpa morre de solidão.
publicado por pedro-na-escola às 01:07
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

Estão loucos?

Quando recebemos a carta a anunciar o regresso compulsivo do aluno excluído por faltas, ligámos para vários conselhos executivos do país, onde tínhamos pessoas conhecidas, com o intuito de averiguar se esta palhaçada só estaria a acontecer connosco. Do outro lado do telefone, ouvimos gargalhadas atrás de gargalhadas. “Estão loucos?”, perguntavam. Nunca tinham ouvido tal coisa, nem viam qualquer sentido na situação. “Com que suporte legal?”, perguntavam. Não sabíamos. Porque não tem suporte legal. De uma escola alentejana, bafejada pelo bom humor, gracejaram: eh pá, vamos lá ver se isso não desce por aí abaixo e não chega aqui à nossa escola. Há-de chegar, pensei eu. Porque a ordem veio da ministra, toda poderosa, e deve ser para todos. Afinal de contas, ela quer, ela pode e ela manda. Amén!
publicado por pedro-na-escola às 01:02
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

Faz favor de voltar imediatamente

Como se faz para mandar de volta à escola os “alunos” excluídos por faltas, já fora da escolaridade obrigatória? É uma receita simples. A direcção regional de educação, na posse de dados sobre os alunos em causa, cuja comunicação é obrigatória, envia uma carta inflamada para os encarregados de educação, exaltando o patético “referencial mínimo dos portugueses”: o 12º ano. Na carta, dá o nome do presidente do Conselho Executivo, fulano tal, que se encarregará de reintegrar o aluno, através de uma qualquer oferta educativa. A palavra “imediatamente” surge de forma contundente, a ponto do encarregado de educação pensar que, se não compactuar com a vontade do remetente, no dia seguinte terá a GNR a levá-lo algemado para um Gulag qualquer. Cópia da carta é enviada à escola, ao cuidado do Conselho Executivo, que é apanhado de surpresa, não conseguindo acreditar que tal palhaçada seja possível. Porque, de facto, é uma palhaçada! Só pode! Os directores de turma e o conselho de turma não conseguem encontrar qualquer suporte legal que sustente o regresso do aluno e, em muitos casos, desesperam com os efeitos nefastos que o retorno de um adolescente com o rei na barriga terá na turma. Os miúdos percebem que as faltas deixam de contar e, em pouco tempo, deixamos de ter um ou dois alunos em risco de abandono, e passamos a tê-los às mãos cheias. Se é que se pode chamar abandono a uma situação destas, porque, por lei, o abandono escolar acontece quando um aluno que é obrigado a frequentar a escola deixa de o fazer. A ministra quer, a ministra pode, a ministra manda. Amén!
publicado por pedro-na-escola às 01:00
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Domingo, 27 de Janeiro de 2008

Back to school

As direcções regionais de educação estão mandatadas pela ministra para mandatar as escolas para fazerem regressar à escola os alunos excluídos por faltas. Excluídos por faltas, ou seja, alunos fora da escolaridade obrigatória, os quais, por lei, não são mais obrigados a andar na escola. Os quais, por lei, são excluídos da escola. Lei? Qual lei? Não há leis! Esqueçam as leis e os decretos e outras coisas que tais. A lei chama-se Maria de Lurdes Rodrigues e o resto é conversa. Back to school, para todos! Já, em passo de corrida! Suporte legal? Não interessa. A ministra assim o quer, assim o pode, e assim o manda. Debaixo do nariz de um país iletrado a caminhar a passos largos para o “analfabrutismo”. Mas não são só os excluídos por faltas que a ministra quer de volta à escola. De forma clara, a ministra deu ordens para que as escolas sejam convencidas a fazer regressar todos os alunos que, nos últimos dois ou três anos, deixaram a escola sem o 9º ano, incluindo toda a espécie de bandidos que ensombram a segurança alheia. A ministra quer, a ministra pode, a ministra manda. Amén!
publicado por pedro-na-escola às 00:57
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Sábado, 26 de Janeiro de 2008

Não nos preocupemos

Há poucos dias atrás, foram publicadas as alterações ao Estatuto do Aluno. Pelo que foi dado a entender, não foi um estatuto novo, mas, tão só e apenas, a reformulação do que já existia. Um dos capítulos polémicos, se assim se pode dizer, foi o das faltas dos alunos e as suas consequências. Sectores da sociedade mostraram publicamente a sua indignação, quando confrontados com a possibilidade de as faltas dos alunos serem irrelevantes. A ministra e a sua equipa cederam na redacção, num patético gesto de boa vontade, e, aparentemente, as faltas têm consequências para os alunos. Aparentemente. Mas, só aparentemente! À socapa, a ministra deu ordens claras às estruturas sob a sua tutela para que se borrifem todos nas faltas dos alunos. Não existem, pura e simplesmente. Marcam-se, registam-se, porque é de lei, mas não se vai mais além disso. Mais concretamente, um aluno fora da escolaridade obrigatória que ultrapasse o limite de faltas permitido no Estatuto do Aluno, é mantido na escola, tendo esta ordens para ignorar as faltas, com base em nenhum suporte legal. Apenas a vontade da senhora ministra, de que assim seja. Amén!
publicado por pedro-na-escola às 00:55
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

Às bolandas

Já sabíamos que o Ministério da Educação andava às bolandas, como o interior do casco de uma caravela mal mandada no meio de uma tempestade. Mas há coisas que são tão patéticas que não se compreende como a sociedade fecha os olhos, como que cúmplice. Uma dessas coisas, é o pomposo lançamento do fantástico modelo de avaliação dos professores, engendrado por uma equipa de mentes brilhantes. Suportado por uma lei de algibeira, por cima da qual se deve passar conforme a vontade da ministra, o modelo pressupõe que um erudito conselho científico emane umas fantásticas orientações, com base nas quais as escolas deverão, num apertado prazo de vinte dias úteis, produzir instrumentos para a execução da avaliação. Sem as orientações, nada feito. É como mandar pintar uma parede, mas não dizer de que cor é a pintura. Ah e tal, a ministra dá ordem para que se pinte a parede, dentro de um prazo de vinte dias úteis. De que cor, perguntam as escolas? Os lacaios da ministra, do alto dos seus pedestais, ignoram a necessidade de se conhecer a cor. Os dias vão passando, e a cor não aparece. As escolas começam a ver o caso mal parado e reclamam, avisando que não há milagres e que, depois, não haverá tempo suficiente para a pintura. Os lacaios da ministra continuam a ignorar e, pior que isso, reagem, como que ofendidos, como se as escolas não precisassem de saber de que cor deviam pintar a parede. Passam ainda mais dias. Nada. Mais reclamações. Em público, a ministra faz passar a ideia de que está tudo nos conformes, tudo bem encaminhado, tudo controlado, tudo a andar, e que não há motivos para alaridos. No dia seguinte, algum bom senso cai abruptamente no Ministério da Educação e as escolas são informadas de que, afinal, os vinte dias só começarão a contar depois de serem informadas da cor da pintura. E eu, inculto e ignorante, pergunto: mas a Educação em Portugal está a ser governada por deficitários de inteligência? Lança-se, a meio do ano lectivo, um modelo novo de avaliação dos profissionais, a aplicar de imediato, sem ter sido testado, sem ter sido esclarecido, remetendo para orientações que ainda não existem, exigindo centenas de horas de trabalho que não têm cabimento nos horários normais de trabalho dentro da baliza de qualquer trabalhador de um país civilizado. Lança-se um modelo que é impossível de aplicar directamente no terreno, porque a realidade das escolas é bem diferente do imaginário em que se basearam as mentes brilhantes que o elaboraram. Lança-se um modelo que levanta tantas questões e dúvidas, que só os esclarecimentos dariam para um livro. Lança-se um modelo com tantas falhas e lacunas, que só o amontoado de novas e arbitrárias ordens de remediação dariam para outro livro. Lança-se este modelo, à força, porque há um calendário político nos bastidores. A ministra assim quis, assim pôde e assim mandou. Amén!

publicado por pedro-na-escola às 01:04
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