Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Viva a liberdade!

Aquela cena irrelevante e pontual e insignificante e individual e isolada, ocorrida numa sala de aula na Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, merece um grito pela liberdade! Infinita liberdade! Viva!
 
Com a mesma energia que agora anda na boca do povo, assim será esquecida. Começando por cima, a quem interessa que isto passe despercebido e seja abafado. Nada melhor do que tratar este acontecimento como um caso único, tipo primeiro prémio do Euromilhões, que só acontece a uma pessoa, a qual nem sequer conhecemos e que tão facilmente esqueceremos.
 
Presumo que em todos os quadrantes da sociedade se imagine como sendo, de facto, um caso isoladíssimo e único. Presumo, porque tudo aponta para que não venha a acontecer nada. Os pais da jovem gorila ainda poderão vir a pedir batatinhas à professora, pela agressividade com que se agarrou a um bem que não era dela e pela afronta de querer impedir a selvagem de dar uso às novas tecnologias em plena sala de aula. Viva a liberdade, portanto.
 
Eu, nestas coisas, sou apologista de uma chapa-3 de identificação. Fotografia da jovem aberração da sociedade, do seu pai e da sua mãe, chapadas em tudo o que é comunicação social, com um rótulo pomposo, para que toda a gente saiba quem são. Enfim. Aposto como não faltará gente para defender a jovem e bater-lhe palmas.
 
É recorrente relembrar como este não é um caso isolado. Não é a parte do telemóvel que está em causa, mas a postura social dos jovens daquela turma, coniventes com a agressão física e verbal a um adulto. Alguns ainda tentaram afastar a selvagem, de forma pouco convincente, mas a maior parte achou a situação muito divertida. Nas casas dos pais dos alunos desta turma, o encolher de ombros será, por certo, a reacção óbvia. E na DREN. E no ME. A vergonha do nosso país começa no topo, por aqueles que se silenciam perante o inadmissível, quando tinham o dever de fazer valer o respeito – esse direito essencial do ser humano, a que os professores não têm direito.
 
“Entretanto, uma mãe preocupada contactou a DREN por e-mail, alertando para a existência deste vídeo, e recebeu como resposta as mesmas palavras proferidas aos jornalistas, mas com um pormenor: «Vamos proceder à retirada do filme do portal YouTube por violação do direito à imagem».“ in www.portugaldiario.iol.pt
publicado por pedro-na-escola às 19:36
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