Segunda-feira, 17 de Março de 2008

A melhoria dos resultados

Confesso que ainda não consegui ler, até ao fim, uma única página das fichas de avaliação lançadas pelo ME, a propósito da avaliação do desempenho, nem as inúmeras fichas inventadas nas escolas. Todo este assunto continua a transcender-me, tanto pela desnecessária complexidade, como pelo que estará na sua base.
 
Buscando iluminação, fui à fonte contaminada e pouco credível que é o site da DGRHE. Dei de caras com um documento pomposamente intitulado “Textos de apoio”. Fiz o download e deparei-me logo com as suas autoras: Ângela Rodrigues e Helena Peralta, da Universidade de Lisboa. Na última das dezassete páginas de linguagem intragável, encontrei o que pretendia:
 
A avaliação de desempenho do pessoal docente visa a melhoria dos resultados escolares dos alunos e da qualidade das aprendizagens e proporcionar orientações para o desenvolvimento pessoal e profissional no quadro de um sistema de reconhecimento do mérito e da excelência. Constituem ainda seus objectivos contribuir para a melhoria da prática pedagógica do professor e para a sua valorização e aperfeiçoamento individual, permitir a inventariação das suas necessidades de formação, detectar os factores que influenciam o rendimento profissional dos professores, diferenciar e premiar os melhores profissionais, facultar indicadores de gestão em matéria de pessoal docente, promover o trabalho de cooperação entre os docentes, tendo em vista a melhoria dos resultados escolares e promover a excelência e a qualidade dos serviços prestados à comunidade.”
 
Eu, que sou barbeiro amador, ia jurar que, habitualmente, não é bem esta a intenção da avaliação do desempenho dos trabalhadores. Ia jurar que a avaliação do desempenho costuma incidir mais no desempenho que o trabalhador tem, na prestação do seu serviço. Ia jurar que costuma incidir mais no trabalhador em si, do que nos resultados do serviço que presta. Ia jurar, mas não tenho a certeza. Talvez me faça falta ler umas coisas sobre o assunto.
 
Curiosamente, a melhoria da prática pedagógica do professor, a sua valorização, o seu aperfeiçoamento individual, a inventariação das suas necessidades de formação, os factores que influenciam o rendimento profissional, e a diferenciação e o prémio para os melhores profissionais, vêm em segundo plano.
 
O que me faria mesmo bem ao espírito, era deitar para o lixo o modelo de avaliação do desempenho inventado pelo ME e criar um novo. Mas, primeiro, falta-me saber por que razão as empresas começaram a ter modelos de avaliação de desempenho e para que os querem.
publicado por pedro-na-escola às 21:35
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