Quinta-feira, 13 de Março de 2008

Mais um a Leste…

A ministra, os sindicatos e a Educação 
Henrique Monteiro, no Expresso
 
Em quase tudo o que opõe os sindicatos dos professores à ministra da Educação, nenhum dos lados tem razão. Talvez por isso - e para citar o conhecido adágio - todos berrem.
 
Entre as diversas mudanças que o Ministério anunciou (as que fez e as que não fez), a lei da gestão e a ideia (não o projecto concreto) da avaliação têm bastante sentido e apontam o caminho bem-vindo de mais descentralização e mais exigência no ensino. Infelizmente, são a estas duas medidas que os sindicatos mais se opõem.
 
Claro que quase toda a gente percebeu que os sindicatos, mais do que defender os seus associados - os professores - defendem esquemas de poder nos quais os próprios sindicatos são parte. Tudo o que afecte este esquema, como retirar professores da gestão ou avaliar professores e hierarquizar os seus desempenhos, terão sempre a sua forte oposição. Ou seja, nos sucessivos debates nunca estão em cima da mesa aqueles que deveriam ser os interesses primordiais quer do Estado quer dos professores e, por esta via, dos próprios sindicatos: a qualidade da transmissão de conhecimentos, a qualidade do ensino nas nossas escolas.
 
Sobre isto nem o Ministério, nem os sindicatos gostam de falar. E aqueles docentes (cada vez mais, felizmente) que sobre isso se pronunciam parecem, por vezes, clamar no deserto.
 
Vejamos, por exemplo, o caso da avaliação dos professores. Se tudo fosse feito de forma simples (e não da forma pretensamente científica que os burocratas da 5 de Outubro gostam de apregoar), seriam considerados melhores professores aqueles cujos alunos tivessem melhores resultados. Simples? Para o Ministério não é, porque o Ministério se opõe a exames nacionais, cujos resultados seriam a única forma de aferir, de modo justo e igual para todos, os conhecimentos adquiridos.
 
Falar de exames é, também para os sindicatos, falar do diabo. Inventam milhares de argumentos contra a sua realização (como fazer depender de um único momento a avaliação de um ano, ou criar desigualdades regionais). Claro que tudo isto é conversa de puro medo. E o medo é compreensível: os exames poriam a nu a vacuidade de muito do que se ensina, a imbecilidade do sistema criado no Ministério e, simultaneamente, recompensaria professores e escolas que não são dadas como exemplo do 'eduquês' dominante.
 
Na guerra entre Maria de Lurdes Rodrigues e os sindicatos todos perdem. E quem mais tem perdido nos últimos anos são os alunos e os pais: tempo, dinheiro e conhecimentos.
 
Esta posição recorrente dos opinantes públicos, sobre a correlação entre os resultados dos alunos e a qualidade dos professores, é triste. Mais uma vez, insisto: os alunos não são bonecos de borracha com computador de bordo a quem se dão instruções e de quem se esperam, naturalmente, execuções a condizer. Quanto melhor a instrução, melhor a execução. Ou não. Um professor com alunos provenientes de famílias com expectativas de futuro, com culturas de exigência e com noções básicas de civismo e educação, terá obrigatoriamente melhores resultados que outro (ou até o mesmo) com alunos provenientes de famílias invadidas pelo alcoolismo, pela promiscuidade sexual, pela violência, pelo desleixo, pela inexistência de expectativas e por uma ausência total de regras, civismo e educação. Quero pensar que estas pessoas que assim opinam não são ignorantes ao ponto de não saberem que estas famílias existem e reproduzem-se como coelhos por todo o lado!
publicado por pedro-na-escola às 07:24
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