Quarta-feira, 12 de Março de 2008

A nossa escola? Onde?

A vossa escola
Daniel Oliveira, no Expresso
 
Os professores têm toda a razão. O sistema de avaliação proposto pelo Ministério da Educação promove a injustiça, transformando em avaliador quem chegou ao topo sem ser avaliado. E assim se desacredita um instrumento fundamental para a qualificação das escolas. A ministra perdeu a oportunidade de dar uma verdadeira autonomia às escolas, continuando a fúria regulamentadora. E prepara-se para promover pequenos tiranetes nas direcções escolares. Mas, mais importante: não consegue trabalhar com os profissionais de que precisa para fazer qualquer mudança.
 
As reacções dos professores têm sido de justificada indignação. E nestes momentos dá-lhes para o melhor e para o pior. O melhor: protestar e, ao mesmo tempo, organizar-se para discutir o sistema educativo com o resto da sociedade. O pior: repetir, pela boca dos novos movimentos de professores, o que de mais demagógico e falso se tem dito e escrito sobre a escola pública. Que é facilitista; que, ao contrário do que acontecia no passado, se chega à Universidade sem se saber nada; que reina o caos e a indigência nas salas de aulas. É falso. Os alunos saem hoje da escola mais preparados do que saíam os seus pais e os seus avós. Hoje escreve-se melhor do que se escrevia. Lê-se mais e sabe-se mais. Investiga-se mais e melhor. Temos melhores técnicos e profissionais. Vejam todas as estatísticas: somos hoje um país mais escolarizado e melhor escolarizado. E isso foi obra da escola pública e universal e dos seus professores. Um feito conseguido em apenas trinta anos.
 
O pior que os professores podem fazer é cuspir no prato que eles próprios, com tanto esforço e com tão pouco reconhecimento, cozinharam. É um suicídio fazer coro com aqueles que atacando a escola pública estão, na realidade, a atacar tudo o que eles têm feito. Os professores precisam que os portugueses saibam que têm alguma coisa a defender. E têm: com muitos e graves defeitos, a escola mais democrática, universal e qualificada que o país já conheceu.
 
A realidade que se conhece condiciona os comentários que se fazem. Eu, se fosse professor apenas no Secundário, teria uma visão diferente da que tenho, sendo professor numa escola básica. E fosse professor universitário, como um dia fui, teria uma visão ainda mais distante, pensando que os alunos que chegam à universidade são um espelho dos que não chegam e dos que ficam pelo caminho algures entre o 6º e o 7º ano.
 
Mas é um facto que temos que ter cuidado com o que dizemos em praça pública. Com o que defendemos. E temos que defender, a bem da nossa profissão, o seu palco: a escola.
publicado por pedro-na-escola às 07:15
link do post | comentar | favorito

~posts recentes

~ E a Terra é plana…

~ A propósito dos melhores…

~ A propósito de oportunida...

~ A propósito das paranóias...

~ Especialistas em educação

~ O que vai ficar por fazer

~ Nuno Crato e a definição ...

~ Mega-Agrupamentos 4 - a p...

~ Mega-Agrupamentos 3

~ Mega-Agrupamentos 2

~ Mega-Agrupamentos

~ O segredo do sucesso nas ...

~ A anedota da vaca

~ Por falar em reduzir as d...

~ Agressividade de autores ...

~ Brincando às competências...

~ Pois, realmente, não foi ...

~ Contas ao número de aluno...

~ Reforço da autoridade dos...

~ Incompetência ao rubro...

~links

~arquivos

~ Julho 2011

~ Junho 2011

~ Maio 2010

~ Abril 2010

~ Março 2010

~ Novembro 2009

~ Outubro 2009

~ Setembro 2009

~ Agosto 2009

~ Julho 2009

~ Junho 2009

~ Maio 2009

~ Abril 2009

~ Fevereiro 2009

~ Janeiro 2009

~ Dezembro 2008

~ Novembro 2008

~ Outubro 2008

~ Abril 2008

~ Março 2008

~ Fevereiro 2008

~ Janeiro 2008

~chafurdar no blog

 
RSS