Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Eles não gostam dos professores 4

Perdão? Hooligans?...
 
Coisas do circo - Hooligans em Lisboa
Emídio Rangel, no Correio da Manhã
 
Tenho vergonha destes pseudo-professores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações.
 
Eles aí estão ‘em estágio’. Faz-me lembrar os hooligans quando há uma disputa futebolística em causa. Chegaram pela manhã em autocarros vindos de todo o País, alugados pelo Partido Comunista. Vestem de preto e gritam desalmadamente. Como diz um tal Mário Sequeira, em tom de locutor de circo, “à maior, à mais completa, à mais ruidosa manifestação de sempre que o País viu”.
 
Eu nunca tinha apreciado professores travestidos de operários da Lisnave, como aqueles que cercaram a Assembleia da República, nos anos idos de 1975, com os cabelos desalinhados, as senhoras a fazerem tristes figuras, em nome de nada que seja razoável considerar. Lembro-me bem dos meus professores. Não tinham nada que ver com esta gente. Eram referências para os seus alunos. A maior parte escolheu aquela profissão porque gostava de ensinar. Talvez por isso eram todos licenciados e com um curso (dois anos) de pedagógicas. Aprendi muito com eles e quando dei aulas, no liceu e na universidade, utilizei muitas vezes os seus métodos.
 
Estou-lhes grato para a vida inteira. Hoje as coisas são bem diferentes, embora seja óbvio que estes manifestantes são só uma parte dos professores. Felizmente ainda há milhares de professores (talvez a maioria) que exercem com toda a dignidade a sua profissão. A manifestação é contra uma professora que agora é ministra. Uma ministra sábia, tranquila, dialogante, que fala com uma clareza tal que só os inúmeros boatos, a manipulação e a leitura distorcida do que propõe podem beliscar o que de boa-fé pretende para Portugal. Se reduzirmos à expressão mais simples as suas pretensões tudo se pode resumir assim:
 
– Portugal não pode continuar a pôr cá fora jovens analfabetos, incultos e impreparados, como acontecia até aqui.
 
– Os professores colaboraram com um sistema iníquo que permitia faltas sem limites, baixas prolongadas sem justificação e incumprimento dos programas escolares.
 
– Os professores não são todos iguais. Quero referir-me àqueles que sem nenhuma vocação (com ou sem curso Superior) instalaram um culto madraceirão que ninguém punha em causa nem responsabilizava, mas que estava a matar o ensino.
 
Confesso que tenho vergonha destes pseudoprofessores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações e transformaram-se em soldados do Partido Comunista, para todo o serviço. Maria de Lurdes Rodrigues é uma ministra determinada. Bem haja pela sua coragem. Por ter introduzido um sistema de avaliação dos professores, por ter chamado os pais a intervir, por ter fechado escolas sem alunos, por ter prolongado os horários e criado as aulas de substituição, por ter resolvido o problema da colocação dos professores, por ter introduzido o Inglês, por levar a informática aos lugares mais recônditos do País. Estas entre outras medidas já deram frutos. Diminuiu o abandono escolar, os métodos escolares estão a criar alunos mais preparados, os graus de exigência aumentaram. O PCP pode usar a tropa de choque que agora arranjou para enfraquecer o Governo e utilizar as suas artes de manipulação e demagogia até a exaustão. Mas creio que a reforma tem de se fazer, a bem do País. É absolutamente nítido que os professores não têm razão. E os estúpidos do PSD que se aliaram ao PCP perderam o tino de vez, porque Portugal não pode parar mais. Espero ver Luís Filipe Menezes à cabeça da manifestação contra os interesses do País. 
 
Por falar em resumir:
 
- Portugal está a incrementar, como nunca, o número de jovens analfabetos, incultos e impreparados! A guerra das estatísticas e dos números tudo justifica e só quem vive noutro mundo pensa que as medidas da ministra vão, de facto, melhorar o produto das nossas escolas!
 
- Agora, os professores colaboram com um sistema grosseiro, que permite as faltas dos alunos sem limites! As baixas prolongadas vão continuar, porque os atestados médicos podem ser passados a gosto. Com ou sem justificação. E os programas escolares vão continuar a não ser cumpridos em muitos casos, porque são tão extensos como quando as disciplinas tinham mais tempos lectivos do que hoje, e, principalmente, porque, em média, uma aula de 90 minutos se divide em 45 minutos de matéria e 45 minutos de combate à indisciplina e à falta de educação.
 
- Os professores não são todos iguais, de facto. Os que não têm nenhuma vocação, que instalaram um culto qualquer que desconheço e que nós próprios pomos em causa, não são bem vindos nesta profissão. O facto de serem poucos, felizmente, não afecta o ensino nacional ao ponto de o matar. Mas dão má imagem e não os queremos entre nós.
 
- A manifestação não é contra uma professora que agora é ministra. Maria de Lurdes Rodrigues não era professora do ensino básico nem do ensino secundário, logo não conhece a realidade de uma escola portuguesa, logo não é uma de nós, logo não conhece os problemas que afectam a qualidade do nosso ensino nem quer conhecer, logo o que quer que invente não vai ter consequências práticas para a resolução dos problemas.
 
- O PCP deve estar perplexo com a quantidade exorbitante de professores comunistas. Cerca de metade dos professores portugueses são comunistas. Os que simpatizam com os outros partidos ficaram em casa. Extrapolando para a sociedade, cerca de metade da população é comunista. A menos que esta profissão seja um pólo fantástico de atracção de comunistas, mais ainda que no caso dos operários metalúrgicos.
 
- Emídio Rangel é, de caras, ceguinho, com o devido respeito. Não vê que o abandono escolar não diminuiu, mas que, na verdade, há é menos alunos a sair oficialmente da escola – a partir do momento em que as escolas têm ordens expressas para as faltas não serem tidas em conta, é óbvio que o “abandono” baixa.
 
- Os métodos escolares, que a sociedade ainda não percebeu quais são, estão a criar alunos mais mal preparados, como consequência lógica da diminuição drástica dos graus de exigência. Daqui a uns anos, talvez este senhor e o resto da sociedade acorde e descubra que a maior parte dos alunos com o 12º ano têm as mesmas competências e os mesmos conhecimentos que um aluno com o 6º ano ou, no melhor dos casos, com o 9º ano.
publicado por pedro-na-escola às 07:56
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